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Este mês o município
foi premiado com um panfleto publicitário do governo com cara de
jornal, que se pretende semanário (surpreendente para Maricá) de
12 páginas, a cores, bem paginado, em formato de tablóide americano,
e com tiragem de 10 mil exemplares. Apesar de ser uma produção cara,
tem apenas como anunciantes a Viação Nossa Senhora do Amparo e a
Prefeitura, aquela mesma que anunciava o fim da empresa de transportes.
Pautado pela enxurrada de material que a comunicação da PMM obra,
deixa o povo de lado e apregoa sensacionalisticamente as imensas
realizações de secretários. O "Maricá em foco", graciosamente produzido
por uma pequena agência de produtos gráficos, bem pode ser um daquelas
prometidas publicações que o governo colocaria nas ruas para ganhar
o povão.
O jornalista responsável é Sady Bianchin, secretário de Cultura,
que há dois meses deixou de constar com a mesma função no "Classilagos",
de propriedade de Carlos Soares, secretário de Turismo e atualmente
constando apenas como "fundador". O novo panfleto tem uma página
dedicada à secretaria que "revoluciona atividades culturais"(?).
No subtítulo, "Sady Bianchin executa projetos do prefeito Washington
Quaquá para o setor", o prefeito se torna "dono" dos projetos e
um "inovador" em uma área que desconhece.
Informa o panfleto que "Sady vem se esmerando em cumprir as metas
estabelecidas pelo prefeito e proporcionando ao povo de Maricá espetáculos
dignos de grandes capitais". O que não se consegue ver é que grandes
espetáculos seriam esses, pois o que a secretaria fez até o momento
foi bem mais simples do que alardeia.
Como os cânticos à administração marrequista estão por todas as
páginas (e nem sinal do povo que deve estar em todos os jornais
verdadeiros e sérios), aí vão apenas umas poucas: - Um articulista(?),
Magistra Vitae, tribuno dos tempos de César, foi ressuscitado para
apregoar a necessidade do pagamento de IPTU pelo povo para que o
"nosso dirigente maior" possa fazer as suas megalomaníacas obras.
Quem se envergonha até do que escreve, e precisa de codinome em
latim, quer demonstrar que o município tem um povo inadimplente,
mas esquece de citar que o pouco que tem o "dirigente maior" é usado
para manter jornais, fazer festas, gastar para se auto promover.
O magistra maricaense até apregoa uma blitz de legalização nas empresas
para recolher mais dinheiro aos cofres que deveriam ser públicos.
Ou seja, quem deve tudo é o povo que trabalha; dever de governo
é só cobrar e viver à sombra.
- O editorial, outra gracinha, fala da satisfação de ser um "proposta
considerada inovadora", porque não sabe que outro jornal já foi
bem mais inovador e sem bajular governo, no início da década. O
editorialista também fala do secretário de Desenvolvimento, Aleksander
Santos, que trouxe já "resultados extensos" para a cidade, que devem
ser as festas para xeques e para o deputado Francisco Dorneles,
ou o aluguel de salas para sua instalação em um prédio recém-inaugurado.
- Humorismo não falta, pois até a Área Vip, a coluna social, fala
da parceria da Prefeitura para Maricá fornecer feno para o Jockey
Club Brasileiro como um grande feito econômico. E tome cara de governo.
- Em propaganda, o secretário do Trabalho, que não conseguiu a Prefeitura
de Niterói, Gegê Galindo, sorri nos parabéns à cidade "com um povo
tão acolhedor", que está pagando R$ 7 mil para ele trabalhar quando
quiser.
A publicação mostra direitinho qual é a cara do novo governo, com
sua enxurrada de colunistas cantando louvores ao governo. Bancando
jornalistas, os panfletários sujam de vez uma classe que um dia
mereceu respeito e teve nomes importantes do país. Parabéns a quem
elegeu essa farra para governo, que agora levanta a bandeira do
pague para nóis gastá na propaganda.
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