18/05/2009

GOVERNO MOSTRA ADESTRAMENTO PANFLETÁRIO

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

Este mês o município foi premiado com um panfleto publicitário do governo com cara de jornal, que se pretende semanário (surpreendente para Maricá) de 12 páginas, a cores, bem paginado, em formato de tablóide americano, e com tiragem de 10 mil exemplares. Apesar de ser uma produção cara, tem apenas como anunciantes a Viação Nossa Senhora do Amparo e a Prefeitura, aquela mesma que anunciava o fim da empresa de transportes. Pautado pela enxurrada de material que a comunicação da PMM obra, deixa o povo de lado e apregoa sensacionalisticamente as imensas realizações de secretários. O "Maricá em foco", graciosamente produzido por uma pequena agência de produtos gráficos, bem pode ser um daquelas prometidas publicações que o governo colocaria nas ruas para ganhar o povão.

O jornalista responsável é Sady Bianchin, secretário de Cultura, que há dois meses deixou de constar com a mesma função no "Classilagos", de propriedade de Carlos Soares, secretário de Turismo e atualmente constando apenas como "fundador". O novo panfleto tem uma página dedicada à secretaria que "revoluciona atividades culturais"(?). No subtítulo, "Sady Bianchin executa projetos do prefeito Washington Quaquá para o setor", o prefeito se torna "dono" dos projetos e um "inovador" em uma área que desconhece.

Informa o panfleto que "Sady vem se esmerando em cumprir as metas estabelecidas pelo prefeito e proporcionando ao povo de Maricá espetáculos dignos de grandes capitais". O que não se consegue ver é que grandes espetáculos seriam esses, pois o que a secretaria fez até o momento foi bem mais simples do que alardeia.

Como os cânticos à administração marrequista estão por todas as páginas (e nem sinal do povo que deve estar em todos os jornais verdadeiros e sérios), aí vão apenas umas poucas: - Um articulista(?), Magistra Vitae, tribuno dos tempos de César, foi ressuscitado para apregoar a necessidade do pagamento de IPTU pelo povo para que o "nosso dirigente maior" possa fazer as suas megalomaníacas obras. Quem se envergonha até do que escreve, e precisa de codinome em latim, quer demonstrar que o município tem um povo inadimplente, mas esquece de citar que o pouco que tem o "dirigente maior" é usado para manter jornais, fazer festas, gastar para se auto promover. O magistra maricaense até apregoa uma blitz de legalização nas empresas para recolher mais dinheiro aos cofres que deveriam ser públicos. Ou seja, quem deve tudo é o povo que trabalha; dever de governo é só cobrar e viver à sombra.

- O editorial, outra gracinha, fala da satisfação de ser um "proposta considerada inovadora", porque não sabe que outro jornal já foi bem mais inovador e sem bajular governo, no início da década. O editorialista também fala do secretário de Desenvolvimento, Aleksander Santos, que trouxe já "resultados extensos" para a cidade, que devem ser as festas para xeques e para o deputado Francisco Dorneles, ou o aluguel de salas para sua instalação em um prédio recém-inaugurado.

- Humorismo não falta, pois até a Área Vip, a coluna social, fala da parceria da Prefeitura para Maricá fornecer feno para o Jockey Club Brasileiro como um grande feito econômico. E tome cara de governo.

- Em propaganda, o secretário do Trabalho, que não conseguiu a Prefeitura de Niterói, Gegê Galindo, sorri nos parabéns à cidade "com um povo tão acolhedor", que está pagando R$ 7 mil para ele trabalhar quando quiser.

A publicação mostra direitinho qual é a cara do novo governo, com sua enxurrada de colunistas cantando louvores ao governo. Bancando jornalistas, os panfletários sujam de vez uma classe que um dia mereceu respeito e teve nomes importantes do país. Parabéns a quem elegeu essa farra para governo, que agora levanta a bandeira do pague para nóis gastá na propaganda.