18/03/2009

Meses de asnices

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

Lá se vão três meses e o governo maricaense continua a produzir asneiras para justificar os gastos com dinheiro público. O desgoverno não fica apenas na enxurrada de nomeações que tomam páginas e páginas e fazem o exaurido prefeito ter que assinar muita papelada. Isso é, segundo algumas fontes proféticas, um aval para oito anos no trono. Com um batalhão de empregados, fazendo boca de urna e garantindo ao menos cinco votos cada um, mais o que arrebanhar pelo descaminho, serão oito anos de uma boquinha para muita gente.

Mas esqueçamos o futuro, que se antevê sombrio, e nos contentemos com a estultice do presente que já é suficiente para enojar. O prefeito, que confessa viajar a cada 15 dias a Brasília, com tudo pago pelo erário, na última viagem foi catar milhões inclusive para ampliar o aeroporto a fim de receber vôos executivos internacionais. Ou seja, o maior crime ambiental já executado no município será ampliado para mal do povo e felicidade geral do governo.

A ampliação, sem dúvida, está relacionada à vinda do grupo imobiliário luso-espanhol, uma vez que no auge da campanha pró-resort os empresários, visitados pelo então candidato, já falavam em ampliação do aeroporto. E é o prefeito quem vai encarar o poderio econômico, os chamados fortes interesses empresariais?   

Outro escândalo da semana foi a Prefeitura, que não contratou ainda um sociólogo, estar efetivando a vinda dos índios de Camboinhas. É o mesmo governo que anuncia a criação da Casa Darcy Ribeiro quem vai instalar os índios como atração turística. Uma aberração que o senador e antropólogo condenaria com veemência, para dizer o mínimo.

A vinda dos índios só tem interesse para os empresários, uma vez que a área ocupada por eles em Camboinhas tem alto valor imobiliário e está envolvido na transferência até o ex-candidato a prefeito de Niterói, hoje empregado como secretário em Maricá. O município, com essa decisão, confirma que será o escoadouro de todos os problemas dos outros municípios.

A transferência, que teria aval da Funai (?), conta com a participação também do secretário de Assistência Social, que deveria tratar de assuntos como a Assistência Social e não a mudança de índios de outro município. O secretário até declarou professoralmente que aqui eles terão “grande fonte de sobrevivência com a pesca e o artesanato”. É mesmo uma vergonha que o governo deseje para as pessoas, e bata palmas, como fonte de sobrevivência o artesanato e a pesca numa privada pública, que é o que transformaram a lagoa, entupida de peixe morto e esgoto.

Para completar o quadro de asnices, os índios se transformarão em “pólo turístico”, o que parece ser um crime internacional, já que expõe seres humanos como atração. Não difere em nada dos antigos circos de aberrações, que proliferaram no mundo no início do século XX. 

O prefeito ainda anuncia a visita guiada de estudantes à aldeia, para ver uma cultura degradada pelos poderosos, e até a criação de mais um setor no governo (leia-se mais dinheiro e mais gente para garantir uma reeleição) para dar aulas de tupi-guarani. Propostas de quem, segundo assessores mais chegados durante a campanha, tinha que ficar de bico calado para não falar besteira, e perder a eleição. Tática mantida, mas às vezes falha, para evitar que asneiras vazem do escoadouro da Prefeitura.