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Lá se vão três meses
e o governo maricaense continua a produzir asneiras para justificar
os gastos com dinheiro público. O desgoverno não fica apenas na
enxurrada de nomeações que tomam páginas e páginas e fazem o exaurido
prefeito ter que assinar muita papelada. Isso é, segundo algumas
fontes proféticas, um aval para oito anos no trono. Com um batalhão
de empregados, fazendo boca de urna e garantindo ao menos cinco
votos cada um, mais o que arrebanhar pelo descaminho, serão oito
anos de uma boquinha para muita gente.
Mas esqueçamos o futuro, que se antevê sombrio, e nos contentemos
com a estultice do presente que já é suficiente para enojar. O prefeito,
que confessa viajar a cada 15 dias a Brasília, com tudo pago pelo
erário, na última viagem foi catar milhões inclusive para ampliar
o aeroporto a fim de receber vôos executivos internacionais. Ou
seja, o maior crime ambiental já executado no município será ampliado
para mal do povo e felicidade geral do governo.
A ampliação, sem dúvida, está relacionada à vinda do grupo imobiliário
luso-espanhol, uma vez que no auge da campanha pró-resort os empresários,
visitados pelo então candidato, já falavam em ampliação do aeroporto.
E é o prefeito quem vai encarar o poderio econômico, os chamados
fortes interesses empresariais?
Outro escândalo da semana foi a Prefeitura, que não contratou ainda
um sociólogo, estar efetivando a vinda dos índios de Camboinhas.
É o mesmo governo que anuncia a criação da Casa Darcy Ribeiro quem
vai instalar os índios como atração turística. Uma aberração que
o senador e antropólogo condenaria com veemência, para dizer o mínimo.
A vinda dos índios só tem interesse para os empresários, uma vez
que a área ocupada por eles em Camboinhas tem alto valor imobiliário
e está envolvido na transferência até o ex-candidato a prefeito
de Niterói, hoje empregado como secretário em Maricá. O município,
com essa decisão, confirma que será o escoadouro de todos os problemas
dos outros municípios.
A transferência, que teria aval da Funai (?), conta com a participação
também do secretário de Assistência Social, que deveria tratar de
assuntos como a Assistência Social e não a mudança de índios de
outro município. O secretário até declarou professoralmente que
aqui eles terão “grande fonte de sobrevivência com a pesca e o artesanato”.
É mesmo uma vergonha que o governo deseje para as pessoas, e bata
palmas, como fonte de sobrevivência o artesanato e a pesca numa
privada pública, que é o que transformaram a lagoa, entupida de
peixe morto e esgoto.
Para completar o quadro de asnices, os índios se transformarão em
“pólo turístico”, o que parece ser um crime internacional, já que
expõe seres humanos como atração. Não difere em nada dos antigos
circos de aberrações, que proliferaram no mundo no início do século
XX.
O prefeito ainda anuncia a visita guiada de estudantes à aldeia,
para ver uma cultura degradada pelos poderosos, e até a criação
de mais um setor no governo (leia-se mais dinheiro e mais gente
para garantir uma reeleição) para dar aulas de tupi-guarani. Propostas
de quem, segundo assessores mais chegados durante a campanha, tinha
que ficar de bico calado para não falar besteira, e perder a eleição.
Tática mantida, mas às vezes falha, para evitar que asneiras vazem
do escoadouro da Prefeitura.
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