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O empreguismo no
governo de Maricá é tão grande que qualquer um fala pelo titular
da pasta. As notícias e solicitações da Cultura, por exemplo, são
divulgadas através de releases particulares, auto-promocionais,
e aceitos pela mídia (?) maricaense. Afinal, qualquer um dentro
das secretarias pode falar pelo titular ou espalhar e-mails sobre
o que pessoalmente está fazendo? É assim que o "povo" governa? Se
for assim, é o governo da Casa da Mãe Joana, onde qualquer um pode
ser e fazer o que bem entende. Decidam-se. Quem governa a Cultura:
o governo ou o coordenador de Poesia e Literatura (sic), que já
está se autoproclamando porta-voz oficial com sua particular divulgação?
Como já tomou a frente da Cultura de Maricá, o tal coordenador de
Literatura e Poesia da PMM está espalhando o convite pessoal para
que "nossos poetas, contistas, cordelistas, novelistas, romancistas"
possam futuramente ser incluídos no site oficial da Prefeitura.
Muita gente já está divulgando o e-mail sem nem pensar o que faz
uma coordenadoria ser responsável e divulgadora de trabalhos de
uma secretaria e, pior, sem citar em nenhum momento o nome do secretário.
Como de outras "divulgações", acabou por tomar praticamente para
si a autoria de projetos.
Agora, se poetas, contistas, cordelistas (existem em Maricá?, ou
são daquela turma da carteirinha?), novelistas, romancistas se prestarem
a serem cadastrados para uma possível inclusão no site, como um
"reconhecimento" do governo, devem se lembrar que cadastramento
de poetas e escritores já era feito por Joseph Stalin, no sindicato
soviético, e deu muito o que falar. A corrupção correu feia sem
contar as denúncias de colegas que faziam qualquer coisa para aparecer,
ganhar mordomias etc. Cadastramento é coisa de burocrata, que só
serve para fazer uma carteirinha de contatos, potencialmente amigos
e defensores, que podem ser manipulados. Em suma, é clientelismo
descarado que só os idiotas não veem. Na primeira crítica, ou quando
cair em desgraça com os poderosos da cultura, o cadastrado vai para
a lista negra e é deletado. E deixa de ser "escritor" ou "poeta"
da cidade. Só sobram os agraciados.
Por que a secretaria não cadastra, por exemplo, Domício da Gama?
Só porque morreu e não tem e-mail, nem mesmo pode cantar loas ao
governo? Já imaginaram Drummond, Saramago, Machado de Assis, vivos,
se cadastrando como escritores ou poetas?
À incompetência, deveria se informar que artista não se cadastra,
porque não é produto nem candidato a ganhar favores. O que mais
o artista deve prezar são a liberdade e a independência.
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