17/02/2009

CLIENTELISMO COM A CULTURA

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

O empreguismo no governo de Maricá é tão grande que qualquer um fala pelo titular da pasta. As notícias e solicitações da Cultura, por exemplo, são divulgadas através de releases particulares, auto-promocionais, e aceitos pela mídia (?) maricaense. Afinal, qualquer um dentro das secretarias pode falar pelo titular ou espalhar e-mails sobre o que pessoalmente está fazendo? É assim que o "povo" governa? Se for assim, é o governo da Casa da Mãe Joana, onde qualquer um pode ser e fazer o que bem entende. Decidam-se. Quem governa a Cultura: o governo ou o coordenador de Poesia e Literatura (sic), que já está se autoproclamando porta-voz oficial com sua particular divulgação?

Como já tomou a frente da Cultura de Maricá, o tal coordenador de Literatura e Poesia da PMM está espalhando o convite pessoal para que "nossos poetas, contistas, cordelistas, novelistas, romancistas" possam futuramente ser incluídos no site oficial da Prefeitura. Muita gente já está divulgando o e-mail sem nem pensar o que faz uma coordenadoria ser responsável e divulgadora de trabalhos de uma secretaria e, pior, sem citar em nenhum momento o nome do secretário. Como de outras "divulgações", acabou por tomar praticamente para si a autoria de projetos.

Agora, se poetas, contistas, cordelistas (existem em Maricá?, ou são daquela turma da carteirinha?), novelistas, romancistas se prestarem a serem cadastrados para uma possível inclusão no site, como um "reconhecimento" do governo, devem se lembrar que cadastramento de poetas e escritores já era feito por Joseph Stalin, no sindicato soviético, e deu muito o que falar. A corrupção correu feia sem contar as denúncias de colegas que faziam qualquer coisa para aparecer, ganhar mordomias etc. Cadastramento é coisa de burocrata, que só serve para fazer uma carteirinha de contatos, potencialmente amigos e defensores, que podem ser manipulados. Em suma, é clientelismo descarado que só os idiotas não veem. Na primeira crítica, ou quando cair em desgraça com os poderosos da cultura, o cadastrado vai para a lista negra e é deletado. E deixa de ser "escritor" ou "poeta" da cidade. Só sobram os agraciados.

Por que a secretaria não cadastra, por exemplo, Domício da Gama? Só porque morreu e não tem e-mail, nem mesmo pode cantar loas ao governo? Já imaginaram Drummond, Saramago, Machado de Assis, vivos, se cadastrando como escritores ou poetas?

À incompetência, deveria se informar que artista não se cadastra, porque não é produto nem candidato a ganhar favores. O que mais o artista deve prezar são a liberdade e a independência.