13/11/2009
Mensagem recebida por mail
OS RATOS E A FORMIGUINHA
No tempo em que os bichos falavam, certa vez a rataria tomou conta de tudo. Os camundongos se faziam passar de seguranças e cobradores de impostos, ficando os ratos na administração do mundo animal. No Conselho, imperavam as ratazanas. Gordas, esbanjando poder, suando gordura de porcarias, que o gênero adora esgoto, comandavam o império. Faziam o que queriam de dentes arreganhados, assustando os passarinhos, cães e gatos, e tudo quanto era animal de bom trato, educado e culto. Era um mundo de fedentina. Não havia maneira de se reunir uma tropa de outros animais, todos ameaçados pelas dentuças infectas da rataria.

Certo dia, um descuidado camundongo, que se prestava para tudo a fim de não fazer nada e receber as sobras, resolveu bancar ratazana para uma formiguinha-fogo. Resolveu logo pisar a bichinha, inofensiva, que fazia o que milhões de gerações antes dela fizeram: trabalhar. Não contava com o desprezo da formiguinha-fogo, pouco se lixando para dentes ou ameaças. Tascou seu ferrão, mínimo é bem verdade, na pata do insolente, que não queria deixá-la fazer seu trabalho. Foi o suficiente para o camundongo metido a besta se dar conta de que com formiga não se brinca, ainda mais quando está sempre a trabalhar.

Deu no que deu. A formiguinha, sem saber bem o que estava fazendo, pôs a boca no trombone para as amigas. E a rataria não contava que animais tão desprezíveis, porque trabalhavam, poderiam acabar com seu poder. Só tremeram mesmo quando viram aquela multidão de formigas avançar para suas pernas, não temer dentuças ou fedor, e morder mais do que o fogo. As formigas foram mordendo e passando por cima de todos os ratos. Quem pôde fugiu - alguns dizem que houve até rato voador -, mas a maioria mesmo ficou massacrada, mordida, bem mordida, coberta de formigas. Nunca mais houve outro império de ratos, ao menos naquele tempo.