11/09/2009

A PRAÇA, SE É DE DEUS, É DO POVO

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

O governo agora está investindo na conquista das lideranças espirituais. Declaradamente ateu, mas profissionalmente à toa, acena com uma maravilha dos diabos, numa praça redonda como moeda (de Judas) para adorar o Livro Sagrado. Se foi um crime recortar a tradicional Praça da Bíblia, próxima ao rio, ao invés de urbanizá-la como merecia, e todos silenciaram, não será agora que as lideranças vão cometer um crime maior aceitando tal construção em Araçatiba. Se esperam que o espaço seja solo sagrado, devem lembrar que, como a praça é pública, nada impede que a área seja aproveitada futuramente para show profanos regados à bebida, muito apreciados pelo atual governo.

As lideranças no município devem estar atentas para mais essa oferta endiabrada do governo, que será cobrada certamente com votos para a pré-candidata. É bom dar a César o que é de César e deixar as tentações endiabradas por mais sagradas que possam parecer. Em troca de uma praça homenageando a Bíblia, com verba federal conseguida pela super secretária, que nem mais devia ser citada, de forma muito clara está explícito o retorno pedido pela Prefeitura. "O sucesso da praça é o sucesso do governo", foi o que declarou a própria idealizadora do projeto ligada a uma subsecretaria de Diversidade Religiosa (sic).

A religião é uma ordenação de ética e moral, fundamentos desconhecidos em governos. Aceitar, aplaudir e incentivar a construção de uma praça para homenagear a Bíblia pode ser gesto de boa intenção, mas está manobrado sutilmente pelo Diabo, que vai cobrar com juros extorsivos. Quem estender a mão à proposta encantadora da serpente pode desde já se considerar mais um na legião dos infernos. Afinal não é de belezas, com o apoio governamental, que se faz o caminho para Deus. Para render respeito à Bíblia basta a sua leitura e o cumprimento de seus mandamentos sem ser necessário o dinheiro público.

Os líderes devem reconhecer que há clara divisão entre o que é de Deus e o que é do Diabo. Gustav Briegleb (1881-1943), pioneiro do rádio evangélico e ministro presbiteriano, muito bem tratou das relações de Igreja com Estado quando nos anos 20, em Los Angeles, usou a palavra, até no púlpito, para combater a corrupção na Prefeitura daquela cidade californiana ao mesmo tempo que dava ensinamentos éticos e morais. Foi um exemplo de cidadão e de religioso que não deve ser esquecido por não se render aos afagos governamentais. Briegleb ficou muito conhecido por defender o caso de Christine Collins, que acabou por mostrar as atrocidades na Polícia de Los Angeles, e por conseqüência no próprio governo.

Como ontem, também se faz necessária liderança religiosa que seja social e cidadã, participe da melhoria de vida para todos e nunca se renda a promessas aliciadoramente infernais de governantes sejam quais forem ou aceite construções com o dinheiro público para render respeito a Deus.