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Recebido
por mail de Mª. da Conceição Marques P. e
Santos
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AGRADECIMENTO
E CONVITE À RECOMPOSIÇÃO DA UNIDADE NA LUTA DOS LUTADORES E LUTADORAS
DE MARICÁ
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Após alguns poucos meses
de afastamento da luta sindical e do acesso a veículos de comunicação
visual, por indicação médica, devido a três cirurgias, incluindo a
de transplante de córnea e outras, venho ao TL agradecer as mensagens
e telefonemas de solidariedade que nos fortaleceram e nos fizeram
superar a sensação de impotência. Hoje, apesar de ainda não estar
totalmente recuperada, ousamos acessar a internet, buscando notícias
do nosso município no TL; site em que confiamos. Neste exato momento
sentimos mais ainda o peso desse tempo de afastamento; não que nos
consideremos insubstituíveis, mas sim, por não estarmos junto dos
lutadores e lutadoras que, mesmo em minoria, vêm denunciando, lutando
e resistindo na defesa do povo e do município . Também nos entristecemos
ao saber que o Movimento Pró-restinga, movimento que apoiamos e ajudamos
a construir, pode estar sendo usado por "pseudo-lideres comunitários"
ou até por "docentes ou da academia" a serviço do governo municipal.
Esse "infiltrado", "amigo de todos", serve como "olheiro" do governo
e, de forma bem sutil, semeia a desconfiança e a discórdia, fragiliza
o movimento e a organização da comunidade, defende apenas aos seus
interesses e aos de seus "comandantes", além de desviar os povos tradicionais
dos seus focos de luta - a luta em defesa da sua cultura, da sua identidade,
das suas origens, das suas terras, do seu direito ao trabalho e moradia
e da luta pela preservação de áreas, já protegidas por leis federais,
mas extremamente cobiçadas pela especulação imobiliária ou por prefeitos
que "sugarão" dos cofres da união verbas para Programas de preservação
ambiental que, mais tarde serão desviadas desses Programas para diversos
fins; principalmente quando estão próximos de ano eleitoral.
Estão desviando os verdadeiros focos da luta, usando os pescadores,
os índios e a restinga de Maricá como se fossem moeda de troca para
garantir um direito: a Preservação da Área de Proteção Ambiental de
Maricá (APA de Marica) e a proteção das comunidades tradicionais.
Em Niterói, é a luta dos indígenas guaranis M-ba, da aldeia Tekoa
Itarypu, em Camboinhas, contra empreiteiros que, apoiados por membros
da associação de moradores do bairro, conseguiram do prefeito anterior
de Niterói (do partido do atual prefeito de Marica) a autorização
para a construção de prédios e casas em uma das áreas mais valorizadas
de Niterói (fato denunciado no site e no jornal do SINDSPREV/RJ, através
do Sindsprev Comunitário, em abril de 2008 - http://www.sindsprevrj.org.br/jornal/secao.asp?area=24&entrada=2056
.
Em julho de 2008, também denunciamos o incêndio que abalou a aldeia-
http://www.sindsprevrj.org.br/jornal/secao.asp?area=19&entrada=2348
;
http://www.sindsprevrj.org.br/jornal/secao.asp?area=18&entrada=2362
).
Hoje, a prefeitura de Marica com apoio de aliados "quer" que os integrantes
dessa aldeia venham morar na restinga de Maricá. Vontade ou condição
imposta? Para que? Porque? e Por quem?
O foco em Marica é a luta em defesa da pesca artesanal e da restinga
de Maricá, situada na Área de Preservação Ambiental de Maricá (APA
de Maricá), na qual sobrevive há dois séculos a Comunidade Tradicional
dos Pescadores Artesanais de Zacarias, na resistência contra empreiteiros
capitalistas luso-espanhóis que queriam a todo custo construir um
mega-empreendimento nesse patrimônio público e de interesse mundial.
Cabe lembrar que esse grupo luso-europeu pagou viagem à Espanha de
autoridades dos poderes executivo e legislativo de Marica e do governo
do estado. Capitalistas europeus que, não satisfeitos em destruir
os recursos naturais dos seus países, "avançam na colonização" dos
países cujo clima de corrupção lhes é favorável, com o apoio de autoridades
e políticos municipais, estaduais e federais (traidores da confiança
e do voto do eleitor), que se corrompem por euros e dólares que "engordam"
o caixa das suas campanhas eleitorais e sustentam suas mordomias.
Os pescadores de Zacarias resistiram aos empreendedores e à ocupação
pelos guaranis e, agora a prefeitura oferecera uma outra área na restinga
na qual, com certeza, também sobrevive uma comunidade de pescadores
artesanais.
Essa estratégia, muito usada por capitalistas, neoliberais e seus
aliados apresenta diferentes nuances e atores mas os objetivos são
os mesmos de sempre: desviar a atenção da população, das entidades,
dos movimentos sociais e das comunidades dos reais focos da situação
de conflito - a luta contra a corrupção, contra os crimes ambientais,
contra a discriminação, luta pelos direitos constitucionais das comunidades
tradicionais, defesa das terras e do patrimônio público etc; a luta
do do povo pobre contra os poderosos e seus aliados; a luta de lutadores
e lutadoras que dão o seu suor e suas vidas, desafiando o capital
para sobreviverem.
Qual o real interesse do poder executivo maricaense ao oferecer aos
índios guaranis uma área da restinga, dita propriedade privada, área
de conflito, que vem sendo denunciada ao Ministério Público Federal
e em organismos internacionais? Apoiada em que lei a prefeitura de
Maricá oferece terras protegidas por leis, que não são de sua propriedade
e, tenta afastar o povo indígena guarani de Camboinhas da área que
por direito constitucional a eles pertence, cuja demarcação já recebeu
o apoio formal da Funai e da Funasa? Com que direito o poder público
municipal submete a uma situação de conflito comunidades de pescadores
artesanais de Zacarias ou a de São José e o povo indígena guarani
de Niterói, usando a nossa restinga como se fosse "os espelhinhos"
que os colonizadores portugueses usavam para encantar os índios? Porque
será que pessoas que estão diretamente relacionadas ao poder executivo
municipal, que nunca se incomodaram em defender os pescadores artesanais,
nem a restinga e muito menos os índios guaranis, vêm do nada, aparecendo
em movimentos sociais e na imprensa? Afinal o que está sendo escondido
da população maricaense?
Evidente está que há interesses encobertos pela farsa montada pelo
poder executivo municipal e seus aliados de campanha:
Desviar a atenção dos focos de conflito para que, sorrateiramente,
possam cumprir os acordos realizados com os empresários e empreiteiros
durante a campanha eleitoral de 2008, preparando o campo para novos
acordos para a campanha eleitoral do ano que vem. Criar instabilidade
nas comunidades de povo tradicional e de resistência que lutam pela
garantia dos seus direitos constitucionais, submetendo esse povo,
tão discriminado e expulso de suas terras a perder a sua identidade,
seu patrimônio e sua cultura. Pressionar as entidades e os movimentos
sociais que apóiam essas lutas, na tentativa de cooptá-las e enfraquecê-las.
Estratégia do poder executivo e seus aliados para enfraquecer a recomposição
da esquerda dentro do município e, simultaneamente, fortalecer os
nomes dos seus futuros candidatos a deputados estaduais e federais
na campanha de 2010.
Estratégia para fragilizar a mobilização e a organização das entidades,
das associações e dos movimentos sociais que defendem a autonomia
e independência e que não se adequam à posição de servidão ao governo
e aos interesses do grande capital. E por aí vai...
Assim sendo, conclamamos as entidades, as associações e os movimentos
sociais, que não se "dobram" à posição de servidão ao poder e aos
interesses dos capitalistas, para uma tarefa ousada - recompor a unidade
na ação e na luta com o MTL e com o SINDSPREV/RJ, levantando as bandeiras
e projetos já aprovados nas assembléias dos pescadores, realizadas
pela Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias
(ACCLAPEZ) e, nas assembléias do Conselho Comunitário de Maricá (CCM),
anunciando que os que querem realmente mudar a qualidade de vida em
todos os distritos, em todos os bairros e comunidades do nosso município
estão mais vivos do que nunca.
Retomar a luta, resgatar o Movimento Pró-restinga, denunciando qualquer
oportunista infiltrado que vise apenas cooptar aliados para seus projetos
e interesses, como também denunciar qualquer ato praticado pelo Movimento
que vá contra as deliberações dos pescadores em seus fóruns fazem
parte das nossas tarefas.
O compromisso do MTL e do SINDSPREV Comunitário é apoiar, com autonomia
e independência dos governos e dos patrões, a luta dos oprimidos e
excluídos, unindo os trabalhadores do campo, das águas e da cidade,
em conjunto com lutadores e lutadoras que não se intimidam diante
do poderio e ameaças do grande capital.
São raros os mestre e acadêmicos que possuem sensibilidade para sentir
o sofrimento e a dor dos que não tem o que dar de comer aos seus filhos,
dos que não tem um teto para abrigar os seus filhos, dos que não têm
trabalho para sobreviver; portanto, chega de discursos e avancemos
na prática, sem submissão, com coragem, dignidade e unidade.
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Ma. da Conceição
Marques P. e Santos, militante do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade
(MTL), diretora do SINDSPREV/RJ, coordenadora do Projeto Sindsprev
Comunitário, integrante do Movimento Pró-restinga, representante
do SINDSPREV/RJ no Conselho Comunitário de Maricá (CCM) e procuradora
regional da Defensoria Social.
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