E agora,
Quaquá?
a festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu.
e agora, Quaquá?
o porto afundou
o avião não decolou
o árabe se foi
o asfalto amoleceu
o buraco aumentou
a poesia se bebeu
o sonho não aconteceu
muita gente morreu.
tudo mofou,
a cidade na lama ficou
e agora, Quaquá?
fazer o quê
sem o Lindinho?
não tem dinheiro
não tem apoio
não tem bebida
não tem verba
você que zomba dos outros,
que protesta por protestar
não tem mais o que falar
não sabe onde apanhar
você está cercado
você está guardado
se esconder?
fugir? sumir?
para onde?
e agora, Quaquá,
a gente se encheu
a demagogia transbordou
a cidade berra:
Fora Quaquá !
(Parafraseando Carlos Drummond
de Andrade)