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Há meses se falou
que o governo pretendia calar a imprensa e ressuscitar as publicações
da família Quaquá, numa forma de adestrar a população para os grandes
feitos governamentais. Depois do fracasso de lançar um jornal "novo"
para mascarar um envolvimento governamental, hoje estamos vendo
ressurgir "Outras Palavras", num formato de folheto eleitoreiro,
mas se anunciando como o maior jornal do município - 20 mil exemplares.
Agora a revista "Maricajá" será retirada das cinzas. A volta acontecerá
esta semana na Expo Maricá, produzida pela DM Comunicação, editora
do jornal Noticiário RJ, que tem no seu setor jurídico o consultor
geral da Prefeitura.
A revista, "a maior e mais importante publicação turística da nossa
cidade", é outra mídia que o governo, no mesmo estilo grandiloqüente,
ressuscita, inclusive com site, para dominar as informações no município
usando e abusando do dinheiro público. Será que sobrarão trocados
depois dos exorbitantes gastos com as duas publicações domésticas
do prefeito sendo relançadas? O governo estará gastando à vontade
com a distribuição do jornal e da revista, através dos "vermelhinhos"
panfletários, e com um site extra. É muito dinheiro público em propaganda
alimentando a empresa da própria família governamental.
O lançamento ocorre pouco tempo depois que uma reunião com os jornalistas
acertou o pro labore (R$ 1 mil) que devem receber para divulgar
os releases governamentais, e não como deveria ser para pagar propaganda
institucional. Acontece que não há em nenhum veículo propaganda
institucional, porque o governo não tem ainda uma propaganda desse
tipo, nos formatos adequados para mídia impressa e eletrônica. No
entanto, estão contando as migalhas que devem receber, porque lotam
páginas, inclusive na internet, com as auto elogiosas (e escandalosas)
matérias do governo.
E para aqueles esquecidos do alerta de que o governo viria com toda
a força para dominar os meios de informação, em favor próprio, é
bom relembrar que o projeto ainda não está completo. A criação de
uma rádio popular, com a vinda de gente de fora do Estado, inclusive,
continua nos planos. A rádio pode surgir ainda mais rapidamente,
uma vez que a própria empresa DM também é especialista em criar
programas radiofônicos. Assim o esquema publicitário vai abarcar
todas as mídias sem que, no futuro, a imprensa privada sequer ganhe
a casca da banana (só as amigas). A mídia municipal será inteiramente
do governo (leia-se "la famiglia" Quaquá i tutti capi) sem que haja
qualquer voz discordante no melhor estilo dos regimes totalitários
e dos coronéis políticos.
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