18/05/2009

LIVROS, PRA QUÊ?

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

O anúncio de que, em 2010, serão distribuídos 16 mil laptops aos estudantes da rede pública mostra com todas as letras e números o retrocesso da cultura e a educação em Maricá. Há um descaramento público ao anunciar um gasto que vai superar os R$ 8 milhões para mostrar uma fajuta inclusão digital.
Num município com escolas a recuperar, biblioteca municipal enfurnada em um buraco, quase desconhecida e desaparelhada, falta de bibliotecas escolares, o governo do PT quer enfiar goela abaixo do contribuinte que estará fazendo um avanço social. Tenta tapar com o gasto milionário, que sem dúvida será superfaturado, o desmazelo com que trata a educação, a cultura e os jovens do município.
O Brasil está tomado por inúmeros projetos sociais de incentivo à leitura e ao livro até nas menores prefeituras. No entanto o desinformado governo de Maricá, sempre na retaguarda do desenvolvimento, nem mesmo em campanha falou em livro. A Secretaria de Cultura propagandeou um projeto de transformar a cidade numa poesia. Gastou R$ 60 mil sem que em nenhum momento o livro tivesse a mínima participação, quando os bares foram os mais favorecidos na defesa da poesia.
O Dia Nacional do Livro Infantil, em homenagem a Monteiro Lobato, passou em branco pela cultura petista, mas homenagearam árabes, políticos, BBB9 e outros mais, pouco se lixando para Lobato. E isso numa administração que se vangloria de contar com tantos professores, até poetas e artistas, o que põe em xeque a qualidade e competência dessa gente.
Sob nova direção importada de Niterói, a biblioteca municipal não aceita também doação, preferindo ficar com o acervo que tem e não será ampliado, porque o governo não destina verbas para livro, contrariando lei estadual. O que se faz em favor do livro e da leitura, no município, depende de iniciativa particular mesmo dentro de escolas. Nem a fábrica de idéias da Secretaria de Gestão de Metas, que deveria, reunindo a nata da genialidade, criar ações de projeção internacional, bem adequadas ao padrão megalomaníaco do prefeito, não consegue ir além da reles cópia de projetinhos que sequer saem do papel.
A secretaria nem pensou em um banco do livro para recolher doações, fazer a triagem e redirecionar os volumes não apenas para a própria biblioteca municipal. O núcleo poderia fornecer livros para a criação de bibliotecas escolares, abastecer as já existentes, e preparar acervos para bibliotecas em comunidades, além de desenvolver oficinas de recuperação, instalação de museus didáticos sobre o livro, etc. Se evitaria que tantos livros sejam destruídos no município pelo fogo, jogados no lixo ou vendidos aos papeleiros para virar papel higiênico.
Com bem menor gasto do que os milhões dos laptops, pode-se desenvolver o que ONGs, empresários e pessoas físicas já fazem há muito sem gastos, porque não podem se dar a tal luxo, favorecendo jovens e adultos com os livros. O desenvolvimento do projeto só custará mesmo muito trabalho, dedicação e real interesse social, sem qualquer ganho promocional ou financeiro pessoal. O maior empenho será em trabalho. Resta saber se o governo municipal está disposto a trabalhar em favor da sociedade ou gastar em engrandecimento próprio.