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A medida de redução
no secretariado e a extinção de 70% dos cargos comissionados de
Maricá, consequência de ação do Ministério Público, deve ser o primeiro
grande passo para a extinção do marrequismo, criação semeada no
lameiro político local. Desde o início do ano muito se grasnava
sobre uma maravilha de futuro que se mostrou com o passar do tempo
dos mais negros, repressivos, dispendiosos e intimidantes já vistos
no município.
A sucessão de escândalos veio comprovar que o governo vivia em uma
eterna campanha eleitoral com o dinheiro público administrado como
financiamento de campanha. As ações indicavam claramente que havia
um movimento para apresentar maravilhas que não existiam e permitir
inclusive o surgimento de uma pré-candidatura. Não se deve esquecer
o lançamento nos dois últimos meses do panfleto “Tá Sabendo” e do
jornal(?) panfletário “Outras Palavras”, e o recente ressurgimento
da revista “Maricajá”, inclusive na internet - as duas últimas conhecidas
publicações produzidas pelo prefeito e a primeira dama.
O marrequismo, que em nove meses não pariu nenhuma obra, mostrou
que só é ótimo de garganta, gosta de intimidar (“Agora sou eu quem
manda”) através de aspones, e bom de fazer alianças, mesmo as mais
esdrúxulas, para conquistar posições. Seu interesse foi sempre tomar
de assalto a Prefeitura para entronar o menino pobre da Mombuca.
A megalomania – há uma enorme necessidade de se achar grande homem
público – só serviu para gastar dinheiro, convocar os amigos para
uma boquinha no governo e depois papear sobre as “maravilhas” nas
mesas dos bares amigos, enquanto soltava os “cachorros” para cima
de quem ousasse fazer qualquer crítica.
Mas em nenhum momento mostrou saber administrar financeira e politicamente,
até mesmo agora quando rebaixa as secretarias de Turismo e Cultura,
importantes setores de um município que se quer desenvolvido. As
secretarias de Segurança e de Pesca, Aquicultura, Agricultura e
Pecuária, outros dois setores que mereciam há muito maior atenção
e status, também foram rebaixadas, demonstrando a falta de visão
governamental do marrequismo.
Rebaixar nove dos 26 secretários e a disponibilidade das secretarias
de Direitos Humanos e Cidadania, conhecida como super secretaria,
e de Trabalho e Emprego, com uma economia de apenas R$ 13,5 mil
mensais, nos altos cargos, é uma forma de tentar encobrir os gastos
exorbitantes de nove meses de gestão e o prejuízo financeiro e moral
do município, que sofreu neste pouquíssimo tempo um retrocesso social
incalculável. Durante todo o período o secretariado comeu e bebeu
à farta com excelentes salários num município que tem a média salarial
de R$ 600, e agora sai lépido e fagueiro.
Ainda tem muito que cortar e ainda mais o que pagar. Afinal houve
um semestre de esbanjamento nunca visto. E o prejuízo do município
é incalculável tanto financeiro como moral com a perda de respeito
por incompetência. O resultado foi uma queda no movimento do município,
empresários, e até moradores antigos, deixando a região, outros
passando a investir fora por não verem qualquer ação efetiva de
desenvolvimento em Maricá. E o preço será pago por quem com o município
entregue ao mato, à lama, ao lixo, sem atração turística, sem um
plano de divulgação convincente sobre contenção da H1N1, agora com
altos índices de criminalidade e se tornando a vedete das páginas
policiais?
Quem pagará, por exemplo, os R$ 30 mil de turismo cultural, ou os
R$ 50 mil da Semana da Poesia, os R$ 600 mil de um carnaval que
não se viu, os R$ 30 mil de uma semana dos árabes, R$ 72 mil de
um passeio turístico de três dias, a festa para o BBB9, que virou
ídolo numa cidade que usa cultura como capacho, os salários dos
escalões inferiores atrasados e por aí vai? Infelizmente, quem deve
pagar é o pato do eleitor se não houver uma ação mais enérgica do
Ministério Público nas contas do município e nos contratos publicados
no Jornal Oficial do Município, sem licitação, com empresas fantasmas,
e nos novos contratos que estão saindo, porque a máquina continua
defecando escabrosidades.
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