04/09/2009

MARREQUISMO, UM JEITO SUJO DE GOVERNAR

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

A medida de redução no secretariado e a extinção de 70% dos cargos comissionados de Maricá, consequência de ação do Ministério Público, deve ser o primeiro grande passo para a extinção do marrequismo, criação semeada no lameiro político local. Desde o início do ano muito se grasnava sobre uma maravilha de futuro que se mostrou com o passar do tempo dos mais negros, repressivos, dispendiosos e intimidantes já vistos no município.

A sucessão de escândalos veio comprovar que o governo vivia em uma eterna campanha eleitoral com o dinheiro público administrado como financiamento de campanha. As ações indicavam claramente que havia um movimento para apresentar maravilhas que não existiam e permitir inclusive o surgimento de uma pré-candidatura. Não se deve esquecer o lançamento nos dois últimos meses do panfleto “Tá Sabendo” e do jornal(?) panfletário “Outras Palavras”, e o recente ressurgimento da revista “Maricajá”, inclusive na internet - as duas últimas conhecidas publicações produzidas pelo prefeito e a primeira dama.

O marrequismo, que em nove meses não pariu nenhuma obra, mostrou que só é ótimo de garganta, gosta de intimidar (“Agora sou eu quem manda”) através de aspones, e bom de fazer alianças, mesmo as mais esdrúxulas, para conquistar posições. Seu interesse foi sempre tomar de assalto a Prefeitura para entronar o menino pobre da Mombuca. A megalomania – há uma enorme necessidade de se achar grande homem público – só serviu para gastar dinheiro, convocar os amigos para uma boquinha no governo e depois papear sobre as “maravilhas” nas mesas dos bares amigos, enquanto soltava os “cachorros” para cima de quem ousasse fazer qualquer crítica.

Mas em nenhum momento mostrou saber administrar financeira e politicamente, até mesmo agora quando rebaixa as secretarias de Turismo e Cultura, importantes setores de um município que se quer desenvolvido. As secretarias de Segurança e de Pesca, Aquicultura, Agricultura e Pecuária, outros dois setores que mereciam há muito maior atenção e status, também foram rebaixadas, demonstrando a falta de visão governamental do marrequismo.

Rebaixar nove dos 26 secretários e a disponibilidade das secretarias de Direitos Humanos e Cidadania, conhecida como super secretaria, e de Trabalho e Emprego, com uma economia de apenas R$ 13,5 mil mensais, nos altos cargos, é uma forma de tentar encobrir os gastos exorbitantes de nove meses de gestão e o prejuízo financeiro e moral do município, que sofreu neste pouquíssimo tempo um retrocesso social incalculável. Durante todo o período o secretariado comeu e bebeu à farta com excelentes salários num município que tem a média salarial de R$ 600, e agora sai lépido e fagueiro.

Ainda tem muito que cortar e ainda mais o que pagar. Afinal houve um semestre de esbanjamento nunca visto. E o prejuízo do município é incalculável tanto financeiro como moral com a perda de respeito por incompetência. O resultado foi uma queda no movimento do município, empresários, e até moradores antigos, deixando a região, outros passando a investir fora por não verem qualquer ação efetiva de desenvolvimento em Maricá. E o preço será pago por quem com o município entregue ao mato, à lama, ao lixo, sem atração turística, sem um plano de divulgação convincente sobre contenção da H1N1, agora com altos índices de criminalidade e se tornando a vedete das páginas policiais?

Quem pagará, por exemplo, os R$ 30 mil de turismo cultural, ou os R$ 50 mil da Semana da Poesia, os R$ 600 mil de um carnaval que não se viu, os R$ 30 mil de uma semana dos árabes, R$ 72 mil de um passeio turístico de três dias, a festa para o BBB9, que virou ídolo numa cidade que usa cultura como capacho, os salários dos escalões inferiores atrasados e por aí vai? Infelizmente, quem deve pagar é o pato do eleitor se não houver uma ação mais enérgica do Ministério Público nas contas do município e nos contratos publicados no Jornal Oficial do Município, sem licitação, com empresas fantasmas, e nos novos contratos que estão saindo, porque a máquina continua defecando escabrosidades.