03/11/2009

MARICÁ: TERRA DE PINOCCHIOS MANDADOS

........ Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

Mandar mensagem por terceiros não é atitude digna de quem se vangloria de ter sido eleito pela maior parte da população. Até mesmo os mais insignificantes ditadores mostram a cara; enfrentam os críticos; não fogem de quem critica nem muito menos fogem do povo. Mas aqui o prefeito (bem escondidinho) prefere transferir a sua defesa aos secretários, e cada um aumenta ainda mais o desastre. Agora foi a vez do secretário de Assuntos Federativos anunciar até mais factóides com "Obras obras e mais obras vão começar" (www.jornalenter.com.br/fabiano%20filho/artigo1.html), que até vai mais além e aponta como de "oposição" as críticas feitas por eleitores!!!.

O texto indefensável do secretário é de que foram necessários 11 meses, mais do que uma gestação, para arrumar a casa. Mas que arrumação seria essa que pariu tantas escabrosidades desde o primeiro mês? Ou o secretário se esquece da sangria nos cofres públicos com viagens de turismo, festas para árabes, festas de confraternização, que acontecem mensalmente entre os funcionários comissionados, transbordamento da máquina administrativa, aumento contratos sem licitação e por aí vai. E isso porque o governo, segundo o secretário, só captou de recursos federais cerca de R$ 10 milhões, mas o Portal Transparência revela distribuição de quase R$ 30 milhões até agosto, sem contar os royalties de R$ 8 milhões. Imagina-se o que não farão quando conseguirem os sonhados quase R$ 100 milhões (segundo anúncio governamental no início do ano estariam para chegar logo, logo).

Na busca de fantasiar o rombo, o mesmo secretário anuncia que em dezembro começarão a surgir as obras, numa escala sem precedentes e... sem dinheiro. Ou seja, quando começa o recesso, e praticamente o país pára até depois do Carnaval, quando as cidades da região aproveitam o turismo para mostrar suas mudanças urbanísticas durante o ano, Maricá vai entrar em obras para empoeirar o lazer do turista descuidado que se aventurar a aparecer aqui!

Sem mais o que inventar para conter a revolta do povo, estão aproveitando as fantasias descritas no Plano Plurianual, que pouca gente tem acesso no papel, para soltar agora como realizações do momento.

O secretário se diz "incomodado com a acidez destilada que alguns articulistas e leitores claramente de oposição", mas se esquece que as críticas têm fundamento, são feitas por pessoas que não dependem da política, e os leitores não são de oposição, porque não pertencem a partidos, apenas têm a infelicidade de pagar impostos que correm para bolsos alheios e irresponsáveis. No entanto, o secretário considera o contribuinte como oposição, esquecendo que é esse "oposicionista" que paga seu salário de comissionado.

O secretário, que parece adorar a palavra "ódio", acredita serem as críticas "absoluta falta de informação sobre as atitudes do governo Quaquá", quando todas as informações partem do próprio governo em suas declarações fantasiosas à imprensa ou nas diabruras administrativas que publica no JOM. Será falta de informação do povo o lixo acumulado nas ruas? Ou o recolhimento irregular ? Será falta de informação o estado precário do hospital municipal, onde faltam funcionários, médicos, e até medicamentos e material para atendimento hospitalar? Será falta de informação o desmantelamento parcial da super secretaria? Será falta de informação que o governo se escondeu das câmeras de tevê? Será falta de informação os anúncios constantes no JOM de contratos milionários, sem licitação, para festas, turismo dos mais diversos tipos, compra de material em quantidades nunca vistas nem mesmo no Rio de Janeiro? Será falta de informação o crescimento do número de ações trabalhistas contra o governo? Será falta de informação o aumento na violência com o município quase diariamente sendo manchete policial nos jornais?

Não há quem queira debater com quem sai profetizando maravilhas impossíveis até mesmo por qualquer mágico de história em quadrinhos, mas todos querem esclarecimentos sobre as mentiras que o governo estampa a todo momento. Se houvesse o mínimo de interesse em debater "dentro do campo das idéias e da política", seria bem outro o artigo. No mínimo, mais inteligente e competente até em mentir.