01/11/2009
Recebido por mail de Ma. da Conceição M. Porto e Santos
COMENTÁRIO PUBLICADO À MATÉRIA SECRETARIA-DE-DESENVOLVIMENTO-REUNE-OS-AMIGOS-PARA-CONFRATERNIZAO-MENSAL

Enquanto as autoridades municipais e seus aspones se divertem em confraternização, cidadãos maricaenses sofrem sob as mazelas do descaso, do desrespeito e do abandono. Uns aguardando atendimento no hospital municipal, numa luta entre a vida e a morte, outros padecendo atolados na lama, nos buracos e no lixo. Famílias de pescadores artesanais esperam o milagre dos céus que revitalize as águas da nossa lagoa para que possam dar o pão de cada dia a seus filhos. Os médicos aguardam há 2 meses o pagamento do seu trabalho, suado e sofrido; são eles e os demais profissionais de saúde que sentem na pele a própria dor e a dor alheia, causadas pela falta de condições de trabalho e de recursos materiais para prestar um atendimento digno. Os cidadãos com deficiência ou mobilidade reduzida continuam sem o direito à acessibilidade em toda cidade, principalmente o de acesso ao transporte. Os professores que receberam a "esmola de 6%" viram a carta-compromisso, assinada pelo ex-candidato e hoje rasgada pelo prefeito ao descumprir reivindicações históricas como: a data-base, eleições diretas nas escolas, reposição das perdas de 2008, etc. Trabalhadores humildes que prestavam serviços à prefeitura foram demitidos da Multiprof sem direitos trabalhistas; trabalhadores que deram seu voto àquele que hoje, supostamente, deve estar desviando o salário deles para os cargos comissionados ou então para substituir os demitidos por cabos eleitorais, que serão "usados" nas eleições de 2010. A população não sabe onde foram usados os mais de 7 milhões que, segundo o portal da transparência do governo federal, foram transferidos pela União, dos meses de janeiro a agosto, referentes aos royalties e compensações financeiras pela exploração de petróleo, gás natural, recursos hídricos e minérios. Um povo que deu o voto de confiança ao vereador para que ele fiscalizasse, defendesse os interesses coletivos e legislasse a favor do bem comum, mas que hoje, traído, vê uma maioria de Vereadores aliada ao Poder Executivo, omissa e conivente com manobras do Executivo que sob a alegação do "erro pela inexperiência", executa Atos que nos fazem suspeitar de violação aos princípios da publicidade, legalidade, impessoalidade, moralidade, eficiência e transparência nos processos licitatórios e assinatura de contratos. A alegação do "erro pela inexperiência" usada pelo prefeito mostra quão mentirosa foi sua campanha ao se declarar competente para o cargo. Essa alegação também nos soa como uma ofensa aos dois profissionais experientes e competentes que foram nomeados para o cargos de procurador-geral do município e o de assessor jurídico. Será que os pareceres emitidos pelos dois juristas são tão frágeis a ponto de permitir que o gestor público faça uso da surrada, pusilâmine e batida fundamentação do Artigo 24, da Lei 8.666/93 para a maioria dos contratos firmados pela prefeitura, levando o governo municipal a tornar-se suspeito de improbidade administrativa?

Pois é, "enquanto o Secretariado degustava um saboroso churrasco e embalados ao som de Fabio Madureira os convidados dançaram e se divertiram em momentos de descontração e integração", muitos dos nossos irmãos maricaenses desempregados não tinham o que por na mesa para seus filhos e no hospital o som era dos gritos e gemidos de dor das vítimas do descaso e dos acidentes causados pela lama e pelos buracos.

Comentário assinado por Ma. da Conceição M. Porto e Santos (Conceição Marques)
Diretora do Sindsprev/RJ - Coordenadora do Sindsprev Comunitário e do MTL, em Zacarias - Maricá Movimento Terra, Trabalho e Liberdade - MTL
Moradora em Itaipuaçu - Jardim Atlântico - Maricá