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Enquanto
as autoridades municipais e seus aspones se divertem em confraternização,
cidadãos maricaenses sofrem sob as mazelas do descaso, do desrespeito
e do abandono. Uns aguardando atendimento no hospital municipal,
numa luta entre a vida e a morte, outros padecendo atolados na lama,
nos buracos e no lixo. Famílias de pescadores artesanais esperam
o milagre dos céus que revitalize as águas da nossa lagoa para que
possam dar o pão de cada dia a seus filhos. Os médicos aguardam
há 2 meses o pagamento do seu trabalho, suado e sofrido; são eles
e os demais profissionais de saúde que sentem na pele a própria
dor e a dor alheia, causadas pela falta de condições de trabalho
e de recursos materiais para prestar um atendimento digno. Os cidadãos
com deficiência ou mobilidade reduzida continuam sem o direito à
acessibilidade em toda cidade, principalmente o de acesso ao transporte.
Os professores que receberam a "esmola de 6%" viram a carta-compromisso,
assinada pelo ex-candidato e hoje rasgada pelo prefeito ao descumprir
reivindicações históricas como: a data-base, eleições diretas nas
escolas, reposição das perdas de 2008, etc. Trabalhadores humildes
que prestavam serviços à prefeitura foram demitidos da Multiprof
sem direitos trabalhistas; trabalhadores que deram seu voto àquele
que hoje, supostamente, deve estar desviando o salário deles para
os cargos comissionados ou então para substituir os demitidos por
cabos eleitorais, que serão "usados" nas eleições de 2010. A população
não sabe onde foram usados os mais de 7 milhões que, segundo o portal
da transparência do governo federal, foram transferidos pela União,
dos meses de janeiro a agosto, referentes aos royalties e compensações
financeiras pela exploração de petróleo, gás natural, recursos hídricos
e minérios. Um povo que deu o voto de confiança ao vereador para
que ele fiscalizasse, defendesse os interesses coletivos e legislasse
a favor do bem comum, mas que hoje, traído, vê uma maioria de Vereadores
aliada ao Poder Executivo, omissa e conivente com manobras do Executivo
que sob a alegação do "erro pela inexperiência", executa Atos que
nos fazem suspeitar de violação aos princípios da publicidade, legalidade,
impessoalidade, moralidade, eficiência e transparência nos processos
licitatórios e assinatura de contratos. A alegação do "erro pela
inexperiência" usada pelo prefeito mostra quão mentirosa foi sua
campanha ao se declarar competente para o cargo. Essa alegação também
nos soa como uma ofensa aos dois profissionais experientes e competentes
que foram nomeados para o cargos de procurador-geral do município
e o de assessor jurídico. Será que os pareceres emitidos pelos dois
juristas são tão frágeis a ponto de permitir que o gestor público
faça uso da surrada, pusilâmine e batida fundamentação do Artigo
24, da Lei 8.666/93 para a maioria dos contratos firmados pela prefeitura,
levando o governo municipal a tornar-se suspeito de improbidade
administrativa?
Pois é, "enquanto
o Secretariado degustava um saboroso churrasco e embalados ao som
de Fabio Madureira os convidados dançaram e se divertiram em momentos
de descontração e integração", muitos dos nossos irmãos
maricaenses desempregados não tinham o que por na mesa para seus
filhos e no hospital o som era dos gritos e gemidos de dor das vítimas
do descaso e dos acidentes causados pela lama e pelos buracos.
Comentário assinado por Ma. da Conceição M. Porto e Santos (Conceição
Marques)
Diretora do Sindsprev/RJ - Coordenadora do Sindsprev Comunitário
e do MTL, em Zacarias - Maricá Movimento Terra, Trabalho e Liberdade
- MTL
Moradora em Itaipuaçu - Jardim Atlântico - Maricá
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