|
A criação de mais
um dia nacional no calendário comemorativo da cultura no país, incluindo
mesmo uma Semana de Leitura, talvez seja para muitos governantes,
em particular da esfera municipal, apenas mais uma data no papel
assim como as leis relativas ao setor. Sempre bem dispostos a anunciar
projetos ou badalar outras datas de visibilidade eleitoreira, quando
podem fazer literalmente festa, nem ligam para dias em que não dão
samba ou armam barraquinha como pretexto de homenagem.
Quando um setor como o do livro, que já possui escassa visibilidade
na própria mídia - veja-se a divulgação de outros eventos culturais
em proporção aos relativos à leitura -, é necessário o aumento do
calendário livreiro no país. Quanto mais datas comemorativas tivermos
em relação ao livro, mais estaremos visualizando o produto, mais
estaremos incentivando a leitura, mais estaremos efetivamente colocando
a cultura na mão do povo.
É preciso urgentemente rever valores inoculados por anos por quem
só tem interesse em produtos descartáveis. O Dia Nacional da Leitura
serve para pensarmos um pouco sobre que sociedade pretendemos implantar
no país: se a dos que exploram semi-alfabetizados, analfabetos funcionais,
simples robôs, ou de pessoas aculturadas, funcionais, dispostas
a produzir e consumir os produtos culturais quando os serviços,
entre eles o mercado livreiro, serão um dos mais atrativos setores
num mundo em que a qualidade de vida incluirá a cultura.
(Texto acima é o editorial da edição de outubro de "+ Leitura",
que no fim de semana estará sendo distribuído em Maricá, com manchete
destacando a primeira vez que o país comemorará o Dia Nacional da
Leitura e a Semana Nacional da Leitura, instituídos este ano por
projeto do senador Cristovam Buarque)
|