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ALGUNS
ANOS ATRÁS, UM DIA NA VIDA DE ZOFIA
In Memoriam
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| Zofia
tem mais de 80 anos, uma viúva polonesa que tem dificuldades
em se expressar em português e que ainda traz tatuada no braço,
a lembrança de um campo de concentração da 2ª guerra, local
onde entre outros diariamente doava sangue para soldados. Vindo
de uma origem abastada, já teve rendimentos pessoais que lhe
possibilitavam bancar a proteção animal, mas os gastos nisso
são muitos, e agora praticamente já não possui nenhum rendimento,
pois poucos anos atrás após a morte do marido, um advogado conseguiu
acabar com o que ela ainda possuía. Já teve com ela muito mais
de 300 animais, e atualmente cuida de aproximadamente 200 cães
e uns 30 gatos, todos animais que de algum modo foram descartados
na sua casa por irresponsáveis inconsequentes, casa essa
modesta e localizada num pequeno sítio, único bem imóvel que
lhe restou, e que já se encontra em risco devido muitas dívidas
de IPTU. |
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Dorme
no andar de cima de um beliche montado num canto da sala de
sua casa, uma sala mobiliada com muitos bancos e mesas de plástico,
que servem de cama para seus muitos animais. A cozinha, os dois
quartos e até o banheiro servem de enfermaria para animais doentes,
caixas d`água grande de fibra servem para guardar sacos e sacos
de ração, mas tambem servem de panela diariamente
nas épocas mais dificeis, quando sacos de ração barata
são dissolvidos ali em muita água, e após sua dissolução, transformados
numa sopa rala, que é jogada no chão numa área cimentada, para
os animais se alimentar. |
| Aos
trancos e barrancos consegue sozinha alimentar e tratar desses
animais todos, e apesar da humildade de todo o ambiente, a limpeza
impera, e várias vezes por dia Zofia lava com uma mangueira
a casa e o exterior. As vezes conta com algum empregado, empregados
esses que em maioria absoluta acabam abandonando o serviço inesperadamente,
e ainda carregando alguma coisa de "lembrança", ou deixando
lembranças, como um casal de empregados que sumiu e abandonou
aos cuidados dela os 3 filhos pequenos. O último empregado que
arrumou, sumiu levando até o fogão e o colchão onde dormia,
e Zofia agora está tentando conseguir alguma coisa para mobiliar
novamente o quarto de empregado, ao mesmo tempo em que faz seus
milagres para conseguir o alimento e remédio para seus animais.
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| Graças
à boa vontade de um dentista, conseguiu consertar seus dentes,
e mesmo usando sempre as mesmas velhas roupas, nunca deixa de
iluminar seu sorriso, passando um baton antes de atender alguém
na porta. Brinca que mantém sua saúde nessa idade, graças aos
muitos sacos de ração de quase 20kg, que diariamente manipula.
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Como
a maioria dos protetores, não gosta que divulguem seu endereço,
pois ninguém aparece para ajudar, e sim somente para furtivamente
jogar por cima da cerca mais algum animal ali dentro, fato que
lhe gera o desespero da descoberta acidental muito repetida,
dos restos desse animal recém-chegado, destroçado pelos que
já se encontram ali dentro. Todo final de mês é um desespero,
o dinheiro há muito já acabou, acaba-se a ração, precisa-se
remédios, e o número de animais sempre tendendo a aumentar.
São os outros protetores, que tambem endividados e sobrecarregados
de serviço, que colaboram para fazer frente às fases de maior
desespero. |
| Seu
sonho é transformar em fundação sua casa, para que seus animais
continuem sempre amparados, e no momento, para fazer frente
momentaneamente as despesas, procura quem queira comprar o jazigo
onde descansa seu marido, único bem que ainda lhe resta intacto
e livre de dívidas. |
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Novembro
2008 - Nem a enorme dificuldade de se movimentar lhe impedia
de tratar dos animais. Uma semana depois dessa foto, Zofia
teve um derrame e ficou 3 dias caida no chão, ate
ser encontrada pelos bombeiros. Seus animais deitaram em
volta dela e a mantiveram aquecida nos 3 dias. Um mês
depois faleceu no hospital de Bacaxá.
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2006
- A alegria no dia da inauguração da sede
do Instituto Zofia
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2004
- Desespero de todo dia: mais um cão encontrado abandonado
amarrado em sua porta
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Zofia
Zuzanna Matysiak
Polônia,19/02/1924 # Bacaxá, 25/12/2008
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