31/03/2008
ESCLARECIMENTOS SOBRE DENGUE
Mensagem de  Grupo de Artistas de Maricá GAM
 gamnoticias@yahoo.com.br

DENGUE
Luiz J. Abrahão Jr.

 I) INTRODUÇÃO:

A dengue, também conhecida como ¨febre quebra-ossos¨, é uma doença infecto-contagiosa causada por um arbovírus do gênero Flavivírus, pertencente à família Flaviridae (a mesma da febre amarela) e transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Quatro sorotipos do vírus da dengue são conhecidos, os sorotipos 1, 2, 3 e  4.

 A doença é transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti (figura 1) que, uma vez infectada, (após picar um indivíduo doente ou seu reservatório, os macacos), permanecerá contaminante por toda a sua vida (em média 45 dias), podendo transmitir a doença para até trezentas pessoas.  Não há risco de contágio pelo contato direto com pessoas doentes ou secreções, tampouco através de água ou alimentos.

O vírus é transmitido durante seu repasto (alimentação) que ocorre, preferencialmente, no período do dia, pela contaminação entre a saliva do mosquito e o sangue do hospedeiro.

O Aedes aegypti não resiste a ambientes frios e de elevada altitude e seus ovos são capazes de resistir longos períodos no meio ambiente (até um ano).

 II) Epidemiologia:

  A dengue é uma doença endêmica na África, Ásia Tropical, regiões tropicais limítrofes do Pacífico, Caraíbas e América do Sul.

Sua incidência e distribuição vêm progressivamente crescendo nos últimos 40 anos e estima-se que, a cada ano, vinte milhões de pessoas sejam acometidas, resultando em 24.000 mortes / ano.

. A dengue possui padrão epidemiológico cíclico (inicia-se na época das chuvas) e sazonal, com epidemias a cada 2-3 anos nas regiões endêmicas, constituindo importante problema de saúde pública nos países de clima tropical. O impacto econômico de uma epidemia por dengue, embora difícil de calcular, representa uma importante sobrecarga nos custos de saúde do país afetado. Em um estudo tailandês de 1995, os custos diretos e indiretos com a epidemia atingiram US$ 51 milhões / ano.

Embora a dengue possa ocorrer em pessoas de todas as idades, possui maior incidência em indivíduos com idade inferior a 15 anos.

No Brasil, o Aedes aegypti foi considerado erradicado em 1973. No entanto, três anos após, o vetor reapareceu e, desde então, gradualmente, se espalhou por todo o país.

A primeira epidemia no Rio de Janeiro foi registrada em 1986, pelo sorotipo 1, e, desde então, a doença foi considerada endêmica no Brasil. Em 1990 um novo sorotipo, o DEN 2 foi introduzido, e rapidamente se espalhou por todo o país, atingindo seu maior pico de incidência em 1998 (528.000 casos)

Em 2000, o sorotipo 3 foi introduzido, provavelmente pela movimentação de pessoas na fronteira com a Venezuela, onde existem os quatro tipo de vírus. Ainda não há registros de casos de Dengue pelo sorotipo 4 no Brasil.

        A Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) registrou, no período de janeiro a julho de 2007, 438.949 casos de dengue clássica, 926 casos de Febre Hemorrágica da Dengue e a ocorrência de 98 óbitos.

Ao compararmos com o ano de 2006, observamos um aumento de 136.488 casos de dengue no País, sendo o mês de março aquele com o maior número de notificações no período, correspondendo a 102.011 casos. Importante destacar que este aumento no número absoluto de casos está relacionado com a ocorrência de epidemias com altas taxas de incidência em alguns Estados. Neste caso, destaca-se o ocorrido nos Estados: Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio de Janeiro que notificaram um excedente de 59.370, 39.391 e 18.181 casos, respectivamente.       

      No Estado do Rio de Janeiro, já foram registrados até março de 2008 trinta e quatro mil, setecentos e oitenta e quatro novos casos de dengue, com 23 mortes sendo 11 crianças. Um caso raro de transmissão vertical (mãe para o bebê) foi confirmado.

 III) DIAGNÓSTICO:

  A infecção pelo vírus da dengue pode variar desde subclínica (sem sintomas) até a síndrome do choque pela dengue, passando por doença febril inespecífica, dengue clássica e dengue hemorrágica.

O período de incubação varia de 3 a 15 dias com média de 5 dias.

Pode se manifestar apenas como uma doença febril aguda, geralmente com manchas avermelhadas pelo corpo ou, na sua forma clássica, com início abrupto de febre alta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e nas juntas, manchas avermelhadas, náuseas e vômitos e redução no número de glóbulos brancos e plaquetas, e, ocasionalmente, pequenas manifestações hemorrágicas (sangramento nasal, gengival e urinário).

           A forma hemorrágica da dengue ocorre nos pacientes expostos a infecções seqüenciais por um dos 4 subtipos de vírus, ou seja, somente após a primeira infecção.

Caracteriza-se por febre alta, sangramentos, aumento do fígado e, excepcionalmente, queda da pressão e choque. Queda do número de plaquetas e elevação do número de glóbulos vermelhos a distingue da forma clássica. O período crítico ocorre de 2 a 7 dias após o início da febre, quando pode haver evolução, em um pequeno número de casos, para queda da pressão e choque, fatais se não tratados.

           A confirmação diagnóstica é realizada por meio da sorologia (ELISA) IgM e IgG para os vírus da dengue.

VI) TRATAMENTO:

  Não há tratamento específico para dengue e as medidas empregadas devem ser de suporte, como repouso, hidratação e medicamentos antitérmicos e analgésicos (exceto derivados do ácido acetil salicílico, o AAS), preferencialmente, o paracetamol (que deve ser usado judiciosamente uma vez que doses excessivas podem ser danosas para o fígado).

Nas formas graves, o paciente deve ser internado para reposição de líquidos por via venosa, eletrólitos e eventualmente de sangue e derivados.

 V) PREVENÇÃO:

  O desenvolvimento de uma vacina para dengue é extremamente difícil, uma vez que o vírus possui quatro subtipos e a imunização por apenas um ou dois subtipos tornaria o indivíduo suscetível às formas graves da doença.

A prevenção deve se basear no controle do mosquito e na Vigilância Epidemiológica.

O controle do mosquito, individualmente, é realizado pela eliminação dos habitats naturais das larvas com medidas listadas na tabela 1.

      

                Recomendações para prevenção da dengue (Ministério da Saúde) vejam clickando aqui.

       Recentemente foi anunciada pela imprensa uma armadilha caseira (a mosquitoeira genérica ou mosquitérica) para o mosquito da dengue, inventada pelo pesquisador da UFRJ o Prof. Maulori Cabral, confeccionada com uma garrafa pet de 1,5 ou dois litros; uma tesoura; uma lixa de madeira nº 180; um rolo de fita isolante preta; um pedaço (7 x 7 cm ) de tecido chamado micro tule, também conhecido como véu-de-noiva; quatro grãos de alpiste ou uma pelota de ração felina.  As instruções para confecção podem ser consultadas no link: http://rjtv.globo.com/Jornalismo/RJTV/0,,MUL347258-9101,00.html

VI) Verdades e mentiras sobre a Dengue:  

      - Repelentes: é uma boa solução para permanecer em locais que tenham mosquitos. Para dentro de casa, haveria necessidade de usá-lo o tempo todo, o que poderia levar a toxicidade pelo repelente.

      - Inseticidas: podem ajudar a afastar o mosquito, porém seu efeito é transitório.

      - Vela de andiroba: seu cheiro realmente afasta os mosquitos, mas só se estiver em um ambiente totalmente fechado, e somente enquanto a vela estiver acesa.

      - Vitamina B12:  faz com que o organismo exale um odor forte que afasta os mosquitos mas, assim como o alho, exige elevadas doses para exercer este efeito e para que o odor seja percebido.

Fontes consultadas:

- Febre hemorrágica da dengue: diagnóstico, tratamento, prevenção e controle. Organização Mundial de Saúde, Genebra, 1997.

- Dengue. http://pt.wikipedia.org/wiki/Dengue

- Jarbas Barbosa da Silva Jr., Joao Bosco Siqueira Jr., Giovanini E. Coelho, Paulo T.R. Vilarinhos, and Fabiano G. Pimenta Jr. from the National Epidemiology Center (CENEPI) / FUNASA / Ministry of Health of Brazil.

- Dengue. Ministério da Saúde do Brasil.  http://www.combatadengue.com.br/sobreadengue/comocombater.php