|
DENGUE
Luiz J. Abrahão Jr.
I) INTRODUÇÃO:
A dengue, também conhecida como ¨febre quebra-ossos¨, é uma doença
infecto-contagiosa causada por um arbovírus do gênero Flavivírus,
pertencente à família Flaviridae (a mesma da febre amarela) e transmitida
pelo mosquito Aedes aegypti.
Quatro sorotipos do vírus da dengue são conhecidos, os sorotipos
1, 2, 3 e 4.
A doença é transmitida pela fêmea do mosquito Aedes aegypti (figura
1) que, uma vez infectada, (após picar um indivíduo doente ou seu
reservatório, os macacos), permanecerá contaminante por toda a sua
vida (em média 45 dias), podendo transmitir a doença para até trezentas
pessoas. Não há risco de contágio pelo contato direto com pessoas
doentes ou secreções, tampouco através de água ou alimentos.
O vírus é transmitido durante seu repasto (alimentação) que ocorre,
preferencialmente, no período do dia, pela contaminação entre a
saliva do mosquito e o sangue do hospedeiro.
O Aedes aegypti não resiste a ambientes frios e de elevada altitude
e seus ovos são capazes de resistir longos períodos no meio ambiente
(até um ano).
II) Epidemiologia:
A dengue é uma doença endêmica na África, Ásia Tropical, regiões
tropicais limítrofes do Pacífico, Caraíbas e América do Sul.
Sua incidência e distribuição vêm progressivamente crescendo nos
últimos 40 anos e estima-se que, a cada ano, vinte milhões de pessoas
sejam acometidas, resultando em 24.000 mortes / ano.
. A dengue possui padrão epidemiológico cíclico (inicia-se na época
das chuvas) e sazonal, com epidemias a cada 2-3 anos nas regiões
endêmicas, constituindo importante problema de saúde pública nos
países de clima tropical. O impacto econômico de uma epidemia por
dengue, embora difícil de calcular, representa uma importante sobrecarga
nos custos de saúde do país afetado. Em um estudo tailandês de 1995,
os custos diretos e indiretos com a epidemia atingiram US$ 51 milhões
/ ano.
Embora a dengue possa ocorrer em pessoas de todas as idades, possui
maior incidência em indivíduos com idade inferior a 15 anos.
No Brasil, o Aedes aegypti foi considerado erradicado em 1973.
No entanto, três anos após, o vetor reapareceu e, desde então, gradualmente,
se espalhou por todo o país.
A primeira epidemia no Rio de Janeiro foi registrada em 1986, pelo
sorotipo 1, e, desde então, a doença foi considerada endêmica no
Brasil. Em 1990 um novo sorotipo, o DEN 2 foi introduzido, e rapidamente
se espalhou por todo o país, atingindo seu maior pico de incidência
em 1998 (528.000 casos)
Em 2000, o sorotipo 3 foi introduzido, provavelmente pela movimentação
de pessoas na fronteira com a Venezuela, onde existem os quatro
tipo de vírus. Ainda não há registros de casos de Dengue pelo sorotipo
4 no Brasil.
A Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde
(SVS/MS) registrou, no período de janeiro a julho de 2007, 438.949
casos de dengue clássica, 926 casos de Febre Hemorrágica da Dengue
e a ocorrência de 98 óbitos.
Ao compararmos com o ano de 2006, observamos um aumento de 136.488
casos de dengue no País, sendo o mês de março aquele com o maior
número de notificações no período, correspondendo a 102.011 casos.
Importante destacar que este aumento no número absoluto de casos
está relacionado com a ocorrência de epidemias com altas taxas de
incidência em alguns Estados. Neste caso, destaca-se o ocorrido
nos Estados: Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio de Janeiro que notificaram
um excedente de 59.370, 39.391 e 18.181 casos, respectivamente.
No Estado do Rio de Janeiro, já foram registrados até março
de 2008 trinta e quatro mil, setecentos e oitenta e quatro novos
casos de dengue, com 23 mortes sendo 11 crianças. Um caso raro de
transmissão vertical (mãe para o bebê) foi confirmado.
III) DIAGNÓSTICO:
A infecção pelo vírus da dengue pode variar desde subclínica
(sem sintomas) até a síndrome do choque pela dengue, passando por
doença febril inespecífica, dengue clássica e dengue hemorrágica.
O período de incubação varia de 3 a 15 dias com média de 5 dias.
Pode se manifestar apenas como uma doença febril aguda, geralmente
com manchas avermelhadas pelo corpo ou, na sua forma clássica, com
início abrupto de febre alta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos
olhos, dores musculares e nas juntas, manchas avermelhadas, náuseas
e vômitos e redução no número de glóbulos brancos e plaquetas, e,
ocasionalmente, pequenas manifestações hemorrágicas (sangramento
nasal, gengival e urinário).
A forma hemorrágica da dengue ocorre nos pacientes expostos
a infecções seqüenciais por um dos 4 subtipos de vírus, ou seja,
somente após a primeira infecção.
Caracteriza-se por febre alta, sangramentos, aumento do fígado
e, excepcionalmente, queda da pressão e choque. Queda do número
de plaquetas e elevação do número de glóbulos vermelhos a distingue
da forma clássica. O período crítico ocorre de 2 a 7 dias após o
início da febre, quando pode haver evolução, em um pequeno número
de casos, para queda da pressão e choque, fatais se não tratados.
A confirmação diagnóstica é realizada por meio da sorologia
(ELISA) IgM e IgG para os vírus da dengue.
VI) TRATAMENTO:
Não há tratamento específico para dengue e as medidas empregadas
devem ser de suporte, como repouso, hidratação e medicamentos antitérmicos
e analgésicos (exceto derivados do ácido acetil salicílico, o AAS),
preferencialmente, o paracetamol (que deve ser usado judiciosamente
uma vez que doses excessivas podem ser danosas para o fígado).
Nas formas graves, o paciente deve ser internado para reposição
de líquidos por via venosa, eletrólitos e eventualmente de sangue
e derivados.
V) PREVENÇÃO:
O desenvolvimento de uma vacina para dengue é extremamente difícil,
uma vez que o vírus possui quatro subtipos e a imunização por apenas
um ou dois subtipos tornaria o indivíduo suscetível às formas graves
da doença.
A prevenção deve se basear no controle do mosquito e na Vigilância
Epidemiológica.
O controle do mosquito, individualmente, é realizado pela eliminação
dos habitats naturais das larvas com medidas listadas na tabela
1.
Recomendações
para prevenção da dengue (Ministério da Saúde) vejam clickando aqui.
Recentemente foi anunciada pela imprensa uma armadilha caseira
(a mosquitoeira genérica ou mosquitérica) para o mosquito da dengue,
inventada pelo pesquisador da UFRJ o Prof. Maulori Cabral, confeccionada
com uma garrafa pet de 1,5 ou dois litros; uma tesoura; uma lixa
de madeira nº 180; um rolo de fita isolante preta; um pedaço (7
x 7 cm ) de tecido chamado micro tule, também conhecido como véu-de-noiva;
quatro grãos de alpiste ou uma pelota de ração felina. As instruções
para confecção podem ser consultadas no link: http://rjtv.globo.com/Jornalismo/RJTV/0,,MUL347258-9101,00.html
VI) Verdades e mentiras sobre a Dengue:
- Repelentes: é uma boa solução para permanecer em locais
que tenham mosquitos. Para dentro de casa, haveria necessidade de
usá-lo o tempo todo, o que poderia levar a toxicidade pelo repelente.
- Inseticidas: podem ajudar a afastar o mosquito, porém seu
efeito é transitório.
- Vela de andiroba: seu cheiro realmente afasta os mosquitos,
mas só se estiver em um ambiente totalmente fechado, e somente enquanto
a vela estiver acesa.
- Vitamina B12: faz com que o organismo exale um odor forte
que afasta os mosquitos mas, assim como o alho, exige elevadas doses
para exercer este efeito e para que o odor seja percebido.
Fontes consultadas:
- Febre hemorrágica da dengue: diagnóstico, tratamento, prevenção
e controle. Organização Mundial de Saúde, Genebra, 1997.
- Dengue. http://pt.wikipedia.org/wiki/Dengue
- Jarbas Barbosa da Silva Jr., Joao Bosco Siqueira Jr., Giovanini
E. Coelho, Paulo T.R. Vilarinhos, and Fabiano G. Pimenta Jr. from
the National Epidemiology Center (CENEPI) / FUNASA / Ministry of
Health of Brazil.
- Dengue. Ministério da Saúde do Brasil. http://www.combatadengue.com.br/sobreadengue/comocombater.php
|