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A cada dia fico mais
surpresa com a quantidade de cientistas e estudos/trabalhos feitos
por eles no nosso país. Pessoas comuns como eu que só assistem aos
telejornais, realmente ficamos ao largo de vários acontecimentos.
Mas, é assustador que eminentes cientistas fiquem omissos diante
do ataque ecológico generalizado em nosso país.
Moro em Itaipuaçú/Marica/RJ há oito anos. Durante o verão de 2005/2006
fiquei com água retida no meu quintal. Procurando saber o motivo,
descobri que desceram as lagunas daqui sem nenhuma tecnologia e
abruptamente. O Canal de Ponta Negra oficialmente foi aberto pelo
DNOS em 1951 a pretexto de saneamento, mas o examinarmos a historia
podemos notar que esta informação não se sustenta. Mudaram o regime
lagunar de pluvial e fluvial para o de marés. Tentaram trocar a
caída natural que é naquela direção para o sentido de Itaipuaçu.
Nossas lagoas iam à direção de Jaconé e formando um canal atrás
de Ponta Negra e existia aonde hoje temos o campo de golfe do Roberto
Marinho que foi vendido a Brascan para a construção de um super
condomínio tudo em ritmo do Comperj/ Petrobrás. Está é a única área
em Marica aonde poderíamos fazer um abrigo para barcos de pesca
devido à profundidade (Carta Náutica DHN nº. 1506) e da proximidade
da pedra da Ponta Negra que faria a proteção contra ventos do sudoeste.
Atenção! Pesca é uma exigência da Convenção das Nações Unidas para
o Direito do Mar. Ou o que eles tentam esconder do povo sob o codinome
Amazônia Azul.
Nossa posição geográfica fazia com que as terras fossem muito ricas,
pois chegaram a plantar cana de açúcar e colher por 16 anos seguidos.
E devido ao fato de ser uma área sujeita as inundações de 10 em
10 anos, quando as águas desciam à riqueza mineral ficava na terra,
éramos uma Mesopotâmia ou mesmo poderíamos ser comparados às terras
produtivas as margens do Rio Nilo. Hoje a maior parte da população
de Marica mora em áreas que deveriam ser lagoas, regatos, manguezais
e banhados e arroio. Sei que alguns cientistas, políticos, governantes,
homens da justiça, e empresários correrão para dizer que Recife,
Rio, Nova Yorque são aterradas, para calar-me, mas estamos num local
onde ainda somos 110 mil moradores e podemos evitar uma situação
de perigo. Aqui o oceano bate de uma forma diferente de Recife,
Rio e de Nova Yorque. Existe um trabalho da Prof.ª Flavia Moraes
Lins de Barros sob o titulo "Vulnerabilidade e risco de erosão costeiro
no município de Marica", que explica que em 30 anos o nível da água
subiu 17,50 m, ou seja, em alguns lugares ela subiu mais.Explica
também que nas áreas onde não existem construções o risco é baixo.
Conforme o mais recente livro do Dr. Dieter Muehe "Erosão e progradação...",
aqui em Marica a área de progradação deverá ser em Zacarias ou Restinga
de Marica.. A situação de risco é conhecida e ninguém é inocente
aqui.
Nos trabalhos e referências históricas (Alfredo Moreira Pinto em
1896 e também em enciclopédias da época) descobrimos a existência
da Lagoa de Itaipua- assu que hoje se encontra em coma induzido.
Com a reforma da língua portuguesa em 1943 foi fácil camuflar informação
tão importante, não foi? Simplesmente jogando os livros fora. Mas,
hoje temos a ferramenta do GPR que pode nos mostrar a evolução da
planície costeira ao longo dos últimos milhares de anos (Holoceno
/Pleistoceno). A partir do uso da metodologia de sondagens e de
perfis com o GPR poderemos ter com razoável precisão os limites
que a linha da praia teve nos últimos milhares de anos e dar com
exatidão o lugar do sistema lagunar. E o tempo em que foi retirada
as águas. Com esta ferramenta todos terão que abaixar a cabeça e
aceitar nossa real situação e o que pode ser feito aqui. E o mais
importante preparar um esquema de prevenção e socorro em casa de
inundação. A turma da Terra do Nunca Soube Disso pode continuar
na contumaz indolência, mas nós que temos nosso patrimônio e vida
aqui já perdemos um tempo precioso.
Lejeune de Oliveira escreveu "sobre um canal, ao lado da lagoa,
com abertura de 80 metros, cujas águas vazavam para o mar por uma
boca de 120 metros de largo. Quando as águas lacustres encontravam-se
com as oceânicas, ondas eram formadas, numa extensão superior a
1 km, que engendrando, assim, um arco de arrebentação, com um raio
de aproximadamente 250 metros. Os números fornecidos pelas fórmulas
de hidráulica são impressionantes. 92 bilhões de litros d'água era
o volume a ser despejado no oceano. Nos cinco primeiros dias de
barra aberta, cerca de 55 bilhões de litros eram escoados, numa
constante e intensa descarga de cerca de 130 mil litros por segundo.
Depois, a Lagoa passava a oscilar de acordo com as marés, durante
um período que durava entre vinte dias e um mês, quando eram renovados
os 37 bilhões de litros d'água restantes". Este dado é de 1955 e
fala da barra que era aberta pelos pescadores de Marica e é descrita
pelos viajantes do século XIX.
"O sistema passou a ter ligações a céu aberto com o mar, efetuadas
em seu extremo ocidental através do antigo Canal da Costa. O primeiro
cumpria a função de inlet, e o segundo, de outlet. As águas salgadas
passaram a entrar e sair através do Canal de Ponta Negra, enquanto
as águas doces e salobras excedentes passaram, ou pelo menos deveriam
ter passado, a ser escoadas pelo Canal da Costa". Trecho retirado
do trabalho dos profs. Marco Antonio as Silva Mello e Carlos Abraão
Moura Valpassos.
Importante dizer que o governo de estado fez um convenio com a Alemanha
em 1999 para o Projeto Planagua, um levantamento de nossas bacias
hidrografias, pelo menos aqui em Marica ele não bate. Nele a bacia
hidrográfica de Marica tem 330 km², uma bacia: conta com o espelho
d'água, que é o que vem os e chamamos lagoa, rios, brejos e toda
parte úmida ou aquela parte que sofre interferência e podemos notar
isto quando chove e depois que estia e a maré sobe podemos ver que
o nível das poças de água também sobem". Se em 1955 a bacia tinha
230 km² para um espelho de 46 km ², se a memória não me enganar
; como em 2001 ela teria 330 km² para um espelho d'água de 37 km²
, se a memória também não estiver falha. Será que eles vão dizer
que a bacia cresceu por que a água do espelho enfiou-se solo permanente
. Tenho de dizer que a área do município está certa 362 km ². Se
temos uma bacia desta porque falta água em vários lugares. Será
que é para dizer que podemos ser invadidos por toda sorte de empreendimentos?
Agora com a Amazônia Azul, ou melhor, CNUDM ou ainda o Direito do
Mar: existe uma chance do mundo cientifico brasileiro olhar para
Marica. O Comperj será aqui perto, em Itaboraí. Então, estão acabando
com o que resta de terras aqui para promover, segundo eles, o progresso.
Existem vários fatos para serem tratados aqui, mas tocarei logo
no que interessa ao país: todos estão falando que o Brasil ganhou
mais plataforma marítima em 2007, mas ninguém fala nas nossas obrigações
e de que nada ganhamos existe um tratado internacional e nós temos
a guarda e o usufruto das 270 milhas de plataforma marinha.
No momento irei falar sobre a cadeia alimentar dos oceanos. Segundo
o Prof. Antonio Adauto Fonteles do LABOMAR/UFC, "tamanho não é documento".
Temos um litoral de 8500 km de extensão, mas dependemos das lagunas
costeiras para podermos cumprir o GERCO (Lei 5300 de 2004). Sei
que um de nossas obrigações no CNUDM é não quebrar a cadeia alimentar,
e aqui vamos de vento em popa na rota de destruição do sistema lagunar.
Isto já vem de muitas décadas, mas agora com a grande ocupação,
presumo que estamos à beira de uma catástrofe, como uma inundação
pluvial. Isto sem falar no futuro rompimento do cordão arenoso.
Continuamos a agir como se nada estivesse acontecendo, como se nosso
tamanho fosse uma garantia e não o é. Segundo o prof. Antonio Fonteles:
do delta do Parnaíba até Abrolhos a situação não é das melhores.
Ora, se estamos numa área considerada boa temos que preservar nosso
sistema lagunar, um criatório natural que já inspirou vários trabalhos
e está em diversos relatórios sobre áreas a serem preservados. Continuamos
a comprometer o lençol freático, como se isto não fizesse parte
do sistema lagunar e não fosse, portanto mexer nos oceanos. A ressurgência
na região de Cabo Frio já esta comprometida pelas mudanças climáticas.
Tudo está interligado, por isso tantos debates sobre energias limpas,
pois a queima de combustíveis fosseis têm ajudado a acelerar o processo
de degelo nos pólos. Mas o que está perto de nós e bem embaixo de
nosso narizes fazemos que não é importante. Nos meses de julho,
agosto e setembro vários cardumes percorriam nossa costa procurando
enseadas, baias, lagoas e rios para dessorarem, com a barra fechada
quebramos a cadeia. No verão passado a única baleia que veio aqui,
foi um filhote que morreu. Ainda temos as tartarugas e os golfinhos,
pássaros...
Em relatórios do IBGE o estado do Rio de Janeiro foi o primeiro
lugar em pesca do Brasil e Marica contribuía com 30% do total, somente
na pesca artesanal. Se voltarmos a pesca artesanal, não só aqui
mas em todo o litoral e a lei prevê isto, vamos cumprir a meta.
Mas, ao invés disto a ordem é acabar com os pescadores e fazer das
áreas, loteamentos para atender ao Comperj.
Não é só em Marica ou mesmo no Rio o descalabro, mas no nordeste:
criamos camarões do Pacifico e Tilapias africanas, ou seja, espécies
invasoras que já provocam um desequilibro na cadeia alimentar por
não terem predadores naturais. Aqui estamos sendo ameaçados com
um mega empreendimento imobiliário que tem um resort na área da
APA de Marica, que segundo cientistas não poderia sofrer ocupação,
pois já se sabe o efeito nocivo disto, ou seja, provocaria uma rápida
erosão. Esta área já foi declarada NON-AEDIFICANDI, decreto nº.
7320 de 1984. Não posso esquecer de lembrar que este tipo de atraque
é permanente em Marica, a própria restinga da Lagoa de Marica sofreu
em 1975 a mortandade de 200 toneladas de pescado em poucos dias
nem a ditadura pode esconder isto. A mortandade permaneceu por mais
três anos, isto está registrado. O projeto foi encomendado ao escritório
do arquiteto Lucio Costa e iria chamar-se Cidade da São Bento da
Lagoa.
Porque um Juiz Federal 5ª VARA. Dr. Américo da Luz daria parecer
em 1978? A noticia sobre o despacho saiu nas edições do dia 25/08-78
O globo e 26/08/78 Jornal do Brasil: suspendendo a ordem de despejo
dada ao povo da Zacarias (pescadores) por entender de que se tratava
de um "massacre ecológico". Responsabilizou por negligência e omissão
os governos: municipal, estadual e federal respectivamente pelos
órgãos: FUNDREM, FEEMA, CECA, IBDF, SUDEPE, DNOS e a EMBRATUR. Também:
Lucio Thomé Feteira e as empresas (corretores): Augusto B.F do Valle
e J. Pimenta S.A. Advogados: Eduardo de Almeida e Louis Piereck
de Sá. O advogado do Feteira era Francisco de Oliveira que em 1955
deixou a prefeitura de Marica para ser o procurador do Lucio Thomé
Feteira. Certamente na posição de prefeito ele já era o procurador
ou foi prefeito por que era procurador.
Creio que só a informação direta ao povo para podermos resolver
este impasse. A Petrobrás já avisou que fará despesa num PDR. Ora
se a própria Petrobrás tem o CENPES estudando tudo isto e já usa
energia sustentável em vários campos e ela mesma investe em ações
ambientais e culturais por que parece que estamos relegados ao esquecimento,
escárnio e desprezo. Varias Agendas 21 estão sendo feitas oficialmente
para esclarecer a população, mas isto não está sendo feito. Falam
que vai ajudar a escassear a água? Falam que vai poluir o ar? Afinal
o que vai ser fabricado no Comperj? Plástico! Mas o que eles mais
falam é na quantidade de empregos, mas não definem para onde vai
à mão de obra depois que a armadilha for construída?
Sobre o CNUDM tenho que dizer que uma luta de mais de 50 anos poderá
ser perdida, não adianta tantos cientistas se a ação ou obras se
restringem aos encontros e discursões sem que as pessoas da coletividade
tomem conhecimento. Faço parte da pequena parcela que tem acesso
a computador e se não fosse por isto, não saberia o quanto nosso
país tem gente capacitada. Sei que quem não cuidar do seu litoral
e quebrar a convenção perderá o direito de explorar o próprio litoral,
tendo que ceder este direito à outra nação. Será o mesmo que nadar
e morrer na praia. Já em 2002 o Brasil foi obrigado a contratar
navios de bandeiras estrangeiras para cumprir a cota de pesca.
Com tantos trabalhos prenunciando os lugares das futuras erosões,
tínhamos que já estar fazendo as obras de contenção para aumentar
o grau de segurança as lagoas e não brincar com quebra mar para
facilitar o banho. Esquisito é um quebra mar para "evitar a entrada
de água nas lagoas", pois realmente ela não entra! Hoje a água que
entra pelo Canal de Ponta Negra não chega ao final da Lagoa de Guarapina.
O restante do sistema recebe água do mar por percolação ao longo
da costa e dependendo das mares.
Tenho ido a reuniões e quando abrem paras as perguntas faço sobre
o Gerenciamento costeiro, mas eles fazem uma volta e não respondem.
Pelo GERCO Lei 5300 de 2004 os municípios com até 50 km da orla
são assistidos por ela, ou seja, fazem parte do zoneamento costeiro
e tem mapa disto no site da FEEMA, o Sr. João Batista responde por
isto no Rio site do MMA, quando perguntado na Audiência , respondeu
com a Lei 6766. Quando perguntei ao Secretário Minc ele gastou oito
minutos para responder-me e não conseguiu responder com a verdade,
fez alusão" Lei do Codel e falou que foi uma lei que não pegou".
Ora, a Lei 6766 é de uso e ocupação do solo, a do Codel foi anterior
a 2004 e as duas não podem ir de encontro a uma convenção internacional,
nem mesmo a nossa Lei Mor. Mas, logo apareceu um companheiro dele
pra dizer que o que a "Sra. queria falar era sobre a Lei 5300 de
2004 e que a Feema estava respeitando os 50 m". Povo brasileiro
morador em Maricá: os 50 m que o douto falou referem se ao afastamento
da orla de lagunas levando-se em conta a maré alta que interfere
no nível delas, os 50 km que ele sabe que era ao que a senhora se
referia são contados a partir da orla continente adentro. Pergunta:
quais forças ocultas vão liberar as licenças? Por que um cientista
para assinar terá que rasgar o diploma e o homem da lei que compactuar
com isto estará indo contra a Constituição, Segurança e Soberania
Nacional. Não sou eu que o diz mas a Lei.
Temos leis que nós protegem, mas a justiça é cega e anda de pés
descalços : não vê, não vai a todos os lugares e não protege a quem
dorme confiante de que nada acontecerá. Se pensas que se der algo
errado poderás procurar justiça para uma posterior indenização,
te oriento a fazer uma pesquisa sobre os grandes acidentes químicos
no planeta.
Hoje o assunto tem sido o complexo imobiliário que tem um resort
dentro e que pretendem construir na restinga e sempre para atender
ao tal Comperj que é da Petrobrás que em 1975 também teve o nome
usado pelo português Feteira em papeis que mandava jogar na cidade,
mas naquele tempo ele dizia que os navios iriam entrar por Ponta
Negra e sair pro Itaipuaçu. Mas, também foi dito que a Westinghouse
seria sócia no empreendimento com 45%. Que negócios ela teve com
o português? Ou, que tipos de resíduos, ou venenos ou forças ocultas
provocaram a mortandade de peixes em 1975, 1976, 1977 e 1978? Por
que não foi feito um estudo, e se foi porque a população não foi
informada.? Alegaram que foi uma planta que os tratores do Feteira
jogaram na lagoa quando foram mexer para construir o loteamento
em 1975.
"Deitado eternamente em berço esplendido". Por quanto tempo estaremos
deitados em berço esplendido? Esparramados nos paises da costa oeste
da América do Sul e batendo os pés na tal rica plataforma marítima?
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