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Parece uma regrinha
óbvia e tola. Qualquer criança sabe disso, mas a julgar pelos índices
de endividamento e inadimplência, os adultos sabem menos que crianças.
É bastante fácil avançar o sinal. O garotão "precisa" trocar de
carro porque não dá para passear com a namorada naquela lata velha,
assim como para a mãe daqueles adolescentes que estão pedindo para
deixá-los a uma quadra da escola, ou o executivo cujos amigos desconfiam,
pelo estado do carro, que ele está falido e não o convidam mais
para jantar com medo de constrangê-lo (na verdade é medo que ele
não pague conta). Isso tudo, mais aquela maravilhosa propaganda
na televisão tomaram uma decisão importante na sua vida. Você vai
trocar de carro. O fato de você não ter dinheiro para tanto não
lhe parece tão importante, afinal, foi para isso que no oitavo dia
Deus criou o crédito, e dois anos de prestações pesadas passam rápido.
Assim é com tudo. Trocar de casa, renovar o guarda roupa, a viagem
sonhada, o barco, enfim, na medida em que o mundo evolui, as opções
aumentam, e são cada vez mais diversificadas e nós não podemos ficar
de fora, né? Existem exércitos de profissionais obstinados cujo
único objetivo é criar coisinhas irresistíveis aos nossos sentidos
para tomar nosso rico dinheirinho. Designers capazes de fazer um
abridor de garrafas parecer sexy. Perfumistas que podem nocautear
os mais fleumáticos, arquitetos que nos fazem sonhar com o paraíso
e por aí vai.
Existe toda uma "filosofia de pára-choques de caminhão" pronta para
encaminhar-nos rumo à tentação.
Mais vale um gosto que um vintém. - A vida pode ser muito sem gosto
sem vintém.
Viagem é investimento, não é despesa.- Financie esta viagem e ela
será bastante longa.
O que é do gosto regala a vida - É verdade, mas tudo tem seu preço.
Para os meus, o melhor - Segurança é o melhor.
Deus tem mais para dar que o diabo pra tirar. - Deus para dar só
existe um, mas diabos para tirar é o que não falta.
Desta vida nada se leva - Talvez a fama de caloteiro e as maldições
dos herdeiros.
Quem dá aos pobres empresta a Deus. - Quem dá aos pobres, dá adeus.
É dando que se recebe. - Em se tratando de dinheiro, a frase está
com a ordem invertida.
É difícil analisar estes aspectos, gastar e poupar, sem passar,
pelo menos rapidamente, pelo conjunto de técnicas e estratégias
orientadas para fazer-nos consumir: o Marketing.
Muita gente, pelo menos quem não é do ramo, confunde marketing com
propaganda, que é uma peça importantíssima nesse jogo, mas apenas
uma das ferramentas utilizadas pelo Marketing. O marketing começa
bem antes da propaganda ir ao ar. Começa lá atrás, na pesquisa que
vai dizer o que queremos comprar. Ninguém fabrica um automóvel,
por exemplo, para depois convencer o consumidor a gostar e talvez
comprar. Não é assim que funciona. O automóvel só entra em linha
de montagem se a fábrica tiver certeza, depois de inúmeras pesquisas,
que aquele produto terá uma excelente aceitação do público consumidor
a que se destina. Sim, o produto se encaixa num perfil de consumidor,
ficando ainda mais difícil a recusa.
O próximo passo é dar ao consumidor todas as facilidades para adquirir
aquela maravilha que a propaganda fez brilhar ante seus olhos e
ouvidos através de televisão, rádio, jornais, malas diretas, Internet,
telemarketing. Aí temos, no caso do exemplo do automóvel, várias
alternativas à desistência ou adiamento da compra por falta de recursos
naquele momento: Leasing, consórcio, cartão de crédito, cheque pré-datado,
financiamento a perder de vista, carência, parcelamento da entrada.
Para inúmeros outros bens existem os planos de fidelidade, tentando
anular esta preciosa ferramenta econômica que é a procura por preços
melhores. O marketing sempre procura estabelecer um custo-mudança.
Como se pode notar, não é fácil resistir a tanto apelo que o marketing
faz. Isso é feito desta mesma forma para eleger candidatos a cargos
eleitorais. Chama-se marketing eleitoral ou marketing político.
Antigamente os candidatos levavam suas propostas aos eleitores e
tentavam convencê-los de suas idéias. Atualmente, a pesquisa diz
o que o eleitor quer ouvir, e amolda-se o candidato. Depois de eleito,
é outra história! O marketing eleitoral consegue transformar um
jumento num cavalo de corrida.
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