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Os slogans de campanha
eleitoral são, no mínimo, curiosos e merecem atenção.
Querem ser vereadores. São jingles esquisitos, mas se vê em larga
escala por todo o Brasil.
- Vote em Bouças,
Esqueça de vez as malas.
Um candidato de nome
“Gê”
Diz sempre aos eleitores:
- Não vote em A, nem em Bê,
Não vacile na hora Agá,
Que quero me eleger!
Um candidato de nome
“Pé”
Não fique sentado vote em Pé
Em Piraí do Sul,
Com ele ninguém se mete,
Lady Zu é o seu nome
E diz que dá o que promete;
Todos sabem que ele é gay,
Já foi provado em enquete.
Débora Soft, cearense,
Quer o voto merecer,
Estrela de show de sexo
Diz que essa vai vencer;
Seu slogan, bem explícito:
- Vote com prazer!
Lá em Aracati,
Um candidato a prefeito:
- Com a minha fé,
Suas fezes e meus feitos,
A eleição vou ganhar,
A derrota não aceito.
São tantos candidatos se dizendo honestos, probos, trabalhadores
e comprometidos que até o demo desconfia. Já dizia o velho ditado:
“Quem elogia a si próprio não merece crédito”.
Os discursos risíveis
são os que mais chamam a atenção pela babaquice de suas conversas
e o vazio de suas propostas.
Há os coitados que
se mostram pobres analfabetos, que não conseguem decorar duas linhas
de textos, os que não sabem nem o que estão fazendo ali e os que
estão ali porque foram convencidos ou aliciados pela legenda.
Os metidos a intelectuais
são os piores no sentido crítico, pois nos enchem de currículos
e formação, propostas bonitas e que são puros enganadores (com propostas
de deputados).
A cara-durice
de muitos está explícita nos codinomes que adotam. Inúmeros deles
utilizam nomes de órgãos públicos, setor ou empresa onde trabalham
ou trabalharam como forma de dizer:”Olha, eu te ajudei a tirar um
raio –x , agora quero seu voto”.
São tristes almas
que, só porque trabalham com o público, agora se acham no direito
de cobrar votos, de pedir pagamentos por favores, tentando transformar
cargo de vereador em balcão de negócios a varejo.
Assim, o vendedor
de consórcio usa o nome da empresa que vendeu a moto, o atendente
de posto médico usa o nome do posto de saúde, o servidor de secretaria
de governo utiliza a sigla da pasta e assim vai...
Existem os bandidos
na força literal da palavra. Há um ex- assaltante a mão armada que
agora quer uma vaguinha na Câmara para representar o cidadão, o
contribuinte. Pode uma coisa dessas?
Pode, porque muitos
acham que ser político é ser bandido de gravata, com aval de seus
iguais e dos que votam com raiva dos ladrões de gravatas porque
acham que agora chegou a vez de assumir o ladrão de galinha, o vendedor
de droga, usurpador de terra, o pilantra com cara de simpático.
Há os candidatos
que nem falam de suas propostas. Põem um fundo musical com um forrozinho
e se mandam a beijar e abraçar (parentes, cabos eleitorais...),
levantar criança no colo.
A campanha é uma
curtição.
E você, já escolheu
que tipo de eleitor que você quer ser?
Aqui segue uma dica:
Senhores, como se
vê,
Não falta imaginação,
Não sei o que vai dar
Nesta próxima eleição,
Espero que o eleitor
Vote com a razão.
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