11/10/2008

'PANELINHA' PODE TORRAR A CULTURA

........xxx.... Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

Nos últimos tempos, cultura se tornou um termo muito desgastado pelo uso contínuo para definir qualquer movimento. Os crimes, em nome da Cultura, são enormes e feitos sob a chancela de que têm como meta melhorar a qualidade de vida do povo.
Se vende cultura como o livro de sucesso, o livro de auto-ajuda, ou o livro escrito por uma socialite.

Também pode ser cultura desde a música enlatada promovida pelas grandes gravadoras ou o filmeco de terror produzido pela indústria estrangeira. Para piorar, não há quem deixe de colocar o bedelho na Cultura numa tentativa de aparecer, principalmente como "agentes culturais", tentando enganar todo mundo.
O resultado de tanta balbúrdia acaba por confundir muitos, inclusive gente séria e disposta a se engajar num movimento cultural. O povo, então, nem se fala, fica aturdido com tanta "cultura" à disposição.
Garimpar a cultura até dá trabalho, porque se cria um saco-de-gatos dos mais atordoantes. Os pregões culturais são os mais diversos e há sempre um espertinho querendo meter a mão para tirar seu pirão primeiro.

A luta tem sido sempre enorme, muitas vezes desgastante, para se tentar impedir o surgimento dos aproveitadores, sempre sob uma pele de cordeiros, mas com olhos de lobo no lucro promocional.
O prejuízo cultural, e do erário, com tantos tubarões é muito grande.
Os governos, em especial seus representantes, precisam estar muito atentos para evitar que alimentem com o dinheiro público tais aproveitadores da boa vontade governamental para se promoverem indiscriminadamente.

A Cultura, em maiúscula, é implantada e se desenvolve não com acrobacias mirabolantes, mas com dedicação, paciência e conhecimento, sempre atenta a atender melhor o povo. Portanto, é preciso muito cuidado para evitar que as "panelinhas' não acabem por servir de frigideira para torrar de vez as boas intenções.