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Nos últimos tempos,
cultura se tornou um termo muito desgastado pelo uso contínuo para
definir qualquer movimento. Os crimes, em nome da Cultura, são enormes
e feitos sob a chancela de que têm como meta melhorar a qualidade
de vida do povo.
Se vende cultura como o livro de sucesso, o livro de auto-ajuda,
ou o livro escrito por uma socialite.
Também pode ser cultura desde a música enlatada promovida pelas
grandes gravadoras ou o filmeco de terror produzido pela indústria
estrangeira. Para piorar, não há quem deixe de colocar o bedelho
na Cultura numa tentativa de aparecer, principalmente como "agentes
culturais", tentando enganar todo mundo.
O resultado de tanta balbúrdia acaba por confundir muitos, inclusive
gente séria e disposta a se engajar num movimento cultural. O povo,
então, nem se fala, fica aturdido com tanta "cultura" à disposição.
Garimpar a cultura até dá trabalho, porque se cria um saco-de-gatos
dos mais atordoantes. Os pregões culturais são os mais diversos
e há sempre um espertinho querendo meter a mão para tirar seu pirão
primeiro.
A luta tem sido sempre enorme, muitas vezes desgastante, para se
tentar impedir o surgimento dos aproveitadores, sempre sob uma pele
de cordeiros, mas com olhos de lobo no lucro promocional.
O prejuízo cultural, e do erário, com tantos tubarões é muito grande.
Os governos, em especial seus representantes, precisam estar muito
atentos para evitar que alimentem com o dinheiro público tais aproveitadores
da boa vontade governamental para se promoverem indiscriminadamente.
A Cultura, em maiúscula, é implantada e se desenvolve não com acrobacias
mirabolantes, mas com dedicação, paciência e conhecimento, sempre
atenta a atender melhor o povo. Portanto, é preciso muito cuidado
para evitar que as "panelinhas' não acabem por servir de frigideira
para torrar de vez as boas intenções.
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