10/06/2008

O MARICAENSE VAI PRO BREJO, SE AINDA EXISTIR BREJO

........xxx......Mensagem de Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

A qualidade de vida em Maricá corre sérios riscos na próxima gestão do executivo e legislativo a se continuar o feirão político em que os pré-candidatos vão oferecer bananas, abacaxis, cobras e lagartos para trocar por votos.

Sem qualquer projeto, estão apelando para a antiqualha de ofertas. Em particular, para a que mais enche os olhos do eleitor: o desenvolvimento, a qualquer custo. Numa recente reportagem publicada no jornal O Fluminense, e reproduzida no próprio jornal do pré-candidato Washington Quaquá, observa-se que uma preocupação é prometer um turismo desenfreado semelhante (mera coincidência?) ao já anunciado pelo Grupo Madri-Lisboa. No encontro para pedir apoio do PSDB, do guru sociológico Fernando Henrique Cardoso, o pré-candidato maricaense anunciou a Gegê Galindo, que concorrerá à Prefeitura niteroiense, algumas metas que deixam de cabelo em pé quem pensa em qualidade de vida no município, que tem tudo para ser exemplo no mundo.

O pré-candidato pretende estimular a entrada de capital imobiliário, obras na orla (quais serão?), privatização do fornecimento de água e esgoto (o Grupo Madri-Lisboa já anunciou planos para conquistar a privatização) e a ampliação do aeroporto municipal, sem falar, entre outras, na construção de um túnel ligando Itaipuaçu e Itaipu como se tal obra pudesse ser realizada com uma verruma e um pé nas costas, e fosse de premente urgência. A entrada de capital imobiliário significa apenas construção civil em larga escala, que resultará na vinda de um batalhão operário para levantar as casas dos mais ricos. E quem construirá a casa desses operários? E onde? A proposta petista não fica atrás da promessa do Grupo Madri-Lisboa, que anunciou para a APA de Maricá 40 mil empregos na construção do badalado resort, campos de golfe, marinas e outros atentados ao meio ambiente. O pré-candidato ainda prevê a ampliação do aeroporto municipal, que em sua construção já resultou na destruição de um enorme trecho do espelho de água, sem qualquer utilidade para "descongestionar" o espaço aéreo maricaense. A obra só fez aumentar os estragos ambientais que hoje somam o aterramento de uma grande área da lagoa; um canal (fétido e lotado de detritos) para deságüe do rio Mombuca; e o surgimento de uma bolsa de lagoa, que está servindo de mangue para o esgoto levado pelo rio Camburi, atualmente em processo de aterramento. A ampliação do aeroporto bem ao lado do matadouro (ninguém comenta o crime de se ter uma matadouro desovando lixo orgânico na lagoa) só fará endossar novos crimes ecológicos.

O desenvolvimento selvagem divulgado pelo petista maricaense no encontro com o pré-candidato tucano mostra claramente a parcimônia com que os políticos destilam propostas as mais mirabolantes para encher os olhos do eleitorado caolho. Com tais políticas nem a vaca poderá ir para o brejo, porque vão aceitar investimentos imobiliários até para os brejos.