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A qualidade de vida
em Maricá corre sérios riscos na próxima gestão do executivo e legislativo
a se continuar o feirão político em que os pré-candidatos vão oferecer
bananas, abacaxis, cobras e lagartos para trocar por votos.
Sem qualquer projeto, estão apelando para a antiqualha de ofertas.
Em particular, para a que mais enche os olhos do eleitor: o desenvolvimento,
a qualquer custo. Numa recente reportagem publicada no jornal O
Fluminense, e reproduzida no próprio jornal do pré-candidato Washington
Quaquá, observa-se que uma preocupação é prometer um turismo desenfreado
semelhante (mera coincidência?) ao já anunciado pelo Grupo Madri-Lisboa.
No encontro para pedir apoio do PSDB, do guru sociológico Fernando
Henrique Cardoso, o pré-candidato maricaense anunciou a Gegê Galindo,
que concorrerá à Prefeitura niteroiense, algumas metas que deixam
de cabelo em pé quem pensa em qualidade de vida no município, que
tem tudo para ser exemplo no mundo.
O pré-candidato pretende estimular a entrada de capital imobiliário,
obras na orla (quais serão?), privatização do fornecimento de água
e esgoto (o Grupo Madri-Lisboa já anunciou planos para conquistar
a privatização) e a ampliação do aeroporto municipal, sem falar,
entre outras, na construção de um túnel ligando Itaipuaçu e Itaipu
como se tal obra pudesse ser realizada com uma verruma e um pé nas
costas, e fosse de premente urgência. A entrada de capital imobiliário
significa apenas construção civil em larga escala, que resultará
na vinda de um batalhão operário para levantar as casas dos mais
ricos. E quem construirá a casa desses operários? E onde? A proposta
petista não fica atrás da promessa do Grupo Madri-Lisboa, que anunciou
para a APA de Maricá 40 mil empregos na construção do badalado resort,
campos de golfe, marinas e outros atentados ao meio ambiente. O
pré-candidato ainda prevê a ampliação do aeroporto municipal, que
em sua construção já resultou na destruição de um enorme trecho
do espelho de água, sem qualquer utilidade para "descongestionar"
o espaço aéreo maricaense. A obra só fez aumentar os estragos ambientais
que hoje somam o aterramento de uma grande área da lagoa; um canal
(fétido e lotado de detritos) para deságüe do rio Mombuca; e o surgimento
de uma bolsa de lagoa, que está servindo de mangue para o esgoto
levado pelo rio Camburi, atualmente em processo de aterramento.
A ampliação do aeroporto bem ao lado do matadouro (ninguém comenta
o crime de se ter uma matadouro desovando lixo orgânico na lagoa)
só fará endossar novos crimes ecológicos.
O desenvolvimento selvagem divulgado pelo petista maricaense no
encontro com o pré-candidato tucano mostra claramente a parcimônia
com que os políticos destilam propostas as mais mirabolantes para
encher os olhos do eleitorado caolho. Com tais políticas nem a vaca
poderá ir para o brejo, porque vão aceitar investimentos imobiliários
até para os brejos.
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