07/02/2008
 
Recebido por mail de Fred M.
AINDA SOBRE O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Uma geral pelo Fórum Social Mundial
01/02/08 - 00h 39m
De forma descentralizada, entidades da sociedade civil realizaram mais de 700 ações culturais e políticas em 72 países. O Brasil foi o país com mais manifestações: 156. No Rio de Janeiro, as atividades aconteceram na capital, em Nova Friburgo e em Maricá.
Por Claudia Abreu

O Dia de Ação Global, 26 de janeiro, foi marcado por atividades do Fórum Social Mundial em todo o mundo. De forma descentralizada, entidades da sociedade civil realizaram mais de 700 ações culturais e políticas em 72 países.

O Brasil foi o país com mais atividades realizadas: 156 ações. No ranking de ações coletivas, a Itália foi a segunda colocada, com 119, seguida dos EUA com 58 e França com 41. No Rio de Janeiro, as atividades foram realizadas na capital, em Nova Friburgo e em Maricá. O Aterro do Flamengo foi o local escolhido no Rio e em Maricá, Zacarias, bairro que abriga uma comunidade tradicional caiçara. O Sindipetro-RJ esteve presente nas duas cidades.

A Petrobrás patrocinou o FSM da capital. Em Maricá, as entidades organizadoras do evento rejeitaram o patrocínio por ser a empresa uma das maiores poluidoras do país.

Os dois eventos tiveram dinâmicas diferentes. Enquanto o do Aterro, no Rio de Janeiro, priorizou as atividades culturais e artísticas, o de Maricá elaborou uma carta unificada das entidades presentes, com uma série de propostas sobre qualidade de vida e meio ambiente.

Segundo Cândido Grzybowski, diretor do Ibase, uma das conquistas do Fórum Social Mundial foi tornar insignificante o Fórum de Davos. "Até o espaço na mídia não é mais o mesmo. Eles agora tentam apagar o incêndio que eles mesmos criaram, enquanto nós estamos festejando essa nova alternativa". Para Marcos Arruda, do PACS - Políticas Alternativas para o Cone Sul, o evento permite reflexões sobre novas formas de relação: "É importante resgatar o valor do trabalho.. quem está aqui é o trabalhador, desvalorizado pelo sistema neoliberal. Nós queremos mostrar que é possível uma outra economia, solidária."

A opinião sobre o Fórum no Rio foi dividida. Sônia Maria Maciel, professora da rede municipal, elogiou o evento, mas lamentou "è uma pena que o evento seja apenas em um dia, com toda esta estrutura montada". Já Wallace, da Rádio Comunitária Pop Goiaba, reclamou: "os Fóruns ajudaram a eleger governos e a formar massa crítica, mas não entendi o objetivo deste daqui." Alexandre Gabeira concorda: "Mais importante que esta bela estrutura é levar a sério nossos objetivos. Para quê estamos aqui? Pelo menos a confraternização está valendo..."

Quem quiser saber mais sobre o evento pode assistir aos dois programas especiais na TVC Rio (canal 6 da NET e www.tvcrio.org.br) nesta sexta, 31, 21h30, e no domingo, às 19h. No sítio www.wsftv.net é possível assitir vídeos sobre o Dia de Ação Global em várias partes do mundo. E no www.apn.org,br você pode ler e ouvir reportagens feitas durante o evento. Claudia de Abreu - Surgente nº 1122

Em Maricá, resistência à ocupação pedratória

O evento de Maricá aconteceu em uma lona de circo montada próximo à Associação de Pescadores de Zacarias. O evento foi ligado aos pescadores da região, sobretudo, pelo principal assunto do dia: a luta desse povo tradicional pela preservação da sua cultura, o que significa também a manutenção de sua principal fonte de renda, a natureza.

Na mesa de abertura das atividades, Maria da Conceição Santos, diretora do Sindisprev, definiu o povo da região como homens e mulheres guerreiros, que já lutaram pela não transformação da comunidade de pescadores em uma cidade, com a vinda de indústrias, urbanização e um número muito maior de habitantes, e agora lutam para preservar o local da especulação imobiliária.

A região, considerada Área de Preservação Ambiental (APA) da Restinga de Maricá, corre o risco de ser desconhecida como tal para permitir a construção de um complexo hoteleiro no local. Conforme denunciado na mesa de abertura, a prefeitura de Maricá e o governo do Estado do Rio de Janeiro estão coniventes com a instalação do resort

A partir desse dia de mobilizações começa a ser organizado um Fórum Social da Água em Maricá. A atividade, que lançará uma campanha mundial pelo direito à água e à biodiversidade, está prevista para março de 2008 e pretende ser uma atividade preparativa para o Fórum Mundial da Água, que provavelmente ocorrerá junto ao Fórum Social Mundial, em janeiro de 2009, em Belém do Pará.

Até lá, a luta de Maricá, mais especificamente do povo de Zacarias, continua. A "aldeia dos irredutíveis", como o antropólogo Marco Antonio Mello chamou a comunidade de Zacarias no livro Gente das Areias, é uma trincheira de resistência à especulação imobiliária. Fonte: O Surgente - Sindipetro-RJ

É ISSO AI MINHA GENTE,UNIDADE E ORGANIZAÇÃO NA LUTA....

FRED  M.