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Uma geral pelo Fórum Social Mundial
01/02/08 - 00h 39m
De forma descentralizada, entidades da sociedade civil realizaram
mais de 700 ações culturais e políticas em 72 países. O Brasil foi
o país com mais manifestações: 156. No Rio de Janeiro, as atividades
aconteceram na capital, em Nova Friburgo e em Maricá.
Por Claudia Abreu
O Dia de Ação Global, 26 de janeiro, foi marcado por atividades
do Fórum Social Mundial em todo o mundo. De forma descentralizada,
entidades da sociedade civil realizaram mais de 700 ações culturais
e políticas em 72 países.
O Brasil foi o país com mais atividades realizadas: 156 ações. No
ranking de ações coletivas, a Itália foi a segunda colocada, com
119, seguida dos EUA com 58 e França com 41. No Rio de Janeiro,
as atividades foram realizadas na capital, em Nova Friburgo e em
Maricá. O Aterro do Flamengo foi o local escolhido no Rio e em Maricá,
Zacarias, bairro que abriga uma comunidade tradicional caiçara.
O Sindipetro-RJ esteve presente nas duas cidades.
A Petrobrás patrocinou o FSM da capital. Em Maricá, as entidades
organizadoras do evento rejeitaram o patrocínio por ser a empresa
uma das maiores poluidoras do país.
Os dois eventos tiveram dinâmicas diferentes. Enquanto o do Aterro,
no Rio de Janeiro, priorizou as atividades culturais e artísticas,
o de Maricá elaborou uma carta unificada das entidades presentes,
com uma série de propostas sobre qualidade de vida e meio ambiente.
Segundo Cândido Grzybowski, diretor do Ibase, uma das conquistas
do Fórum Social Mundial foi tornar insignificante o Fórum de Davos.
"Até o espaço na mídia não é mais o mesmo. Eles agora tentam apagar
o incêndio que eles mesmos criaram, enquanto nós estamos festejando
essa nova alternativa". Para Marcos Arruda, do PACS - Políticas
Alternativas para o Cone Sul, o evento permite reflexões sobre novas
formas de relação: "É importante resgatar o valor do trabalho..
quem está aqui é o trabalhador, desvalorizado pelo sistema neoliberal.
Nós queremos mostrar que é possível uma outra economia, solidária."
A opinião sobre o Fórum no Rio foi dividida. Sônia Maria Maciel,
professora da rede municipal, elogiou o evento, mas lamentou "è
uma pena que o evento seja apenas em um dia, com toda esta estrutura
montada". Já Wallace, da Rádio Comunitária Pop Goiaba, reclamou:
"os Fóruns ajudaram a eleger governos e a formar massa crítica,
mas não entendi o objetivo deste daqui." Alexandre Gabeira concorda:
"Mais importante que esta bela estrutura é levar a sério nossos
objetivos. Para quê estamos aqui? Pelo menos a confraternização
está valendo..."
Quem quiser saber mais sobre o evento pode assistir
aos dois programas especiais na TVC Rio (canal 6 da NET e www.tvcrio.org.br)
nesta sexta, 31, 21h30, e no domingo, às 19h. No sítio www.wsftv.net
é possível assitir vídeos sobre o Dia de Ação Global em várias partes
do mundo. E no www.apn.org,br você pode ler e ouvir reportagens
feitas durante o evento. Claudia de Abreu - Surgente nº 1122
Em Maricá, resistência à ocupação pedratória
O evento de Maricá aconteceu em uma lona de circo montada próximo
à Associação de Pescadores de Zacarias. O evento foi ligado aos
pescadores da região, sobretudo, pelo principal assunto do dia:
a luta desse povo tradicional pela preservação da sua cultura, o
que significa também a manutenção de sua principal fonte de renda,
a natureza.
Na mesa de abertura das atividades, Maria da Conceição Santos, diretora
do Sindisprev, definiu o povo da região como homens e mulheres guerreiros,
que já lutaram pela não transformação da comunidade de pescadores
em uma cidade, com a vinda de indústrias, urbanização e um número
muito maior de habitantes, e agora lutam para preservar o local
da especulação imobiliária.
A região, considerada Área de Preservação Ambiental (APA) da Restinga
de Maricá, corre o risco de ser desconhecida como tal para permitir
a construção de um complexo hoteleiro no local. Conforme denunciado
na mesa de abertura, a prefeitura de Maricá e o governo do Estado
do Rio de Janeiro estão coniventes com a instalação do resort
A partir desse dia de mobilizações começa a ser organizado um Fórum
Social da Água em Maricá. A atividade, que lançará uma campanha
mundial pelo direito à água e à biodiversidade, está prevista para
março de 2008 e pretende ser uma atividade preparativa para o Fórum
Mundial da Água, que provavelmente ocorrerá junto ao Fórum Social
Mundial, em janeiro de 2009, em Belém do Pará.
Até lá, a luta de Maricá, mais especificamente do povo de Zacarias,
continua. A "aldeia dos irredutíveis", como o antropólogo Marco
Antonio Mello chamou a comunidade de Zacarias no livro Gente das
Areias, é uma trincheira de resistência à especulação imobiliária.
Fonte: O Surgente - Sindipetro-RJ
É ISSO AI MINHA GENTE,UNIDADE E ORGANIZAÇÃO NA LUTA....
FRED M.
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