|
Hoje eu vi a cara
do Presidente do meu país e o reconheci pela primeira vez.
Talvez por ser presidente eu devesse dizer rosto, mas hoje pela
primeira vi a cara dele como um nordestino igual aos que conheci
em Afogados da Ingazeira no sertão e em Vivência na zona da mata
de Pernambuco. Espero que o choque o torne a vida em que corremos
perigo. Nunca votei nele, pois da única vez que me convenceu estava
em Pernambuco e não pude fazê-lo. Mas, este jeito eu conheço bem:
ali esta a dor sentida e verdadeira. Deve ter lembrado das palavras
da sua mãe contando o sofrimento dos nordestinos e por que veio
com a família para o Sul. E ao ver os catarinenses deve ter lembrado
que em Pernambuco era pela falta de água e ali pelo excesso. Algumas
vezes a expressão facial diz o que vai à alma.
Na foto num helicóptero da FAB a ver o solo de Santa Catarina inundado
estava o Presidente: mudanças climáticas? Procela? Por certo! Mas,
o que ninguém diz é que as intervenções do DNOS na década de 40
e sem manutenção potencializam o risco , mesmo sendo área de enchentes
muitos governos escamoteiam as informações. Até agora apenas falaram
em um estudo feito pelo DNOS entre 1986 e 1990, o órgão foi extinto
em 1989, e logo vai parecer gente com projetos para acabar com enchentes
numa área que nunca poderia ter sido ocupada da forma que foi. Com
certeza vão correr e logo teremos mais um PAC totalmente equivocado
. Mas, isto tem de ter um basta!
Primeiro se deve socorrer as vitimas e começar imediatamente a levantar
o que foi feito e de forma foi; as curvas de nível o nível hidrográfico
e tudo aquilo que os engenheiros sabem muito bem. A área é de Gerenciamento
Costeiro? Aonde tem terras da União para fazer o translado da população,
pois não vai adiantar gastar só por que vai aparecer numerário,
como disseram aqui no Estado do Rio de Janeiro num projeto numa
área de 762 km ² na Baixada Fluminense aonde vários municípios têm
um altíssimo grau de risco de repetir a tragédia de Santa Catarina
e com uma probabilidade tão alta que não há como se administrar
este risco .
No PAC dos Rios Iguaçu, Sarapuí e Botas: varias favelas em área
conquistada ao manguezal da Baía de Guanabara e com o retificado
Rio Sarapuí a ameaçar constantemente com suas águas poluídas, estes
rios foram navegáveis. Mas, ninguém fala, apenas dizem que encheu
quando faz vitimas e muitas vezes fatais. Ainda tem o Aterro Sanitário
de Gramacho com parte em cima de aterro dentro da baía e em cima
da calha natural do Rio Sarapuí. O ex-presidente da FEEMA e o atual
Ministro do Meio Ambiente, todos com formação e condição de saber
o que existe por trás de tudo apenas aparecem falando sobre acidentes
geotécnicos e sobre Gramacho degradar a baia quando cair dentro
dela e desabar sob o rio e provocar enchentes em Duque de Caxias.
O que isto? Afinal será que eles fazem parte da área de meio ambiente
ou são ligados a alguma funerária?
Como se não bastasse isto: foi a licença do Sr. Axel Grael que deu
inicio as 50 licenças do Comperj em Itaboraí , numa área de Gerenciamento
Costeiro e com os rios retificados , assim ficaremos sem água e
eles sabem, pois o assunto já foi discutido e aparece em ATA do
Comitê da Baía de Guanabara . A própria Petrobras sabe muito bem
sobre o GERCO e a CNUDM e não lembrou disto? O Presidente veio ao
Rio para dar inicio a impermeabilização de parte do Aqüífero Macacu
e a implantação de mais este "equivoco" vai provocar enchentes em
local sem histórico. Mas, a Petrobras dona deste equivocado projeto,
um folder fala em colocar o Brasil na era do plástico, também promove
outro ataque dentro da Baía de Guanabara numa ampliação da REDUC
em Duque de Caxias. A REDUC já derramou óleo sucessivas vezes na
baía, em 2000 foi no mesmo duto de 1997, e jornais deram conta de
que existe estudo dando conta de que ela tem de sair dali, mas a
Petrobras faz o que quer e ninguém faz esta conta ou faz? Não é
o povo que ganha! A REDUC e Gramacho estão no caminho de saída das
águas pluviais e fluviais: as enchentes nunca foram naturais. Quantas
estacas a Petrobras vai colocar no fundo da baía?
"Presidente! Mande os seus assessores correrem a pesquisar a verdade
que se esconde por trás de muitas situações de risco deste país,
onde só o povo é inocente. Talvez em breve estejas no Rio Grande
do Sul ou no Rio de Janeiro e vais chorar com os filhos desta terra".
"Presidente! Tem uma situação muito suspeita: se não pode estar
ali, se vamos ficar sem água, se as pessoas morrem ou perdem tudo
que têm, se não existe lei protegendo esta situação como podemos
explicar o inexplicável? E não é somente na Baixada não. Como conseguem
legitimar o que não pode ser? O que se esconde? E o povo? Quem tem
representado o povo? Quem assina por ele"?
Trecho de uma tese:
UMA INSTITUIÇÃO MÍTICA DA REPÚBLICA BRASILEIRA
Arthur Soffiati*
"Embora atuando em todo território nacional, foi nos Estados do
Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul que a ação do DNOS revelou-se
mais intensa. Curioso notar que, também no Rio Grande do Sul, as
obras do órgão sofreram contestação ainda mais forte. Pela Portaria
nº. 10/79, o Secretário Estadual de Saúde e do meio Ambiente proibiu
toda e qualquer obra de drenagem dentro dos limites do Banhado Grande,
levando-se em conta que o DNOS, entre 1970 e 1975, reduziu sua superfície
de 450 km2 para apenas 50 km***".
Quando se configura a má fé? A omissão? A negligência?
|