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CARTA DE MARICÁ
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe, livre e comum.*
Os movimentos sociais
e instituições, sócio-ambientais, populares e sindicais, reunidos
na Comunidade de Zacarias no município de Marica - RJ, nos dias
26 e 27 de janeiro de 2008 para marcar o dia de ação global do Fórum
Social Mundial com o lema UM OUTRO MUNDO SUSTENTÁVEL É POSSÍVEL
DECLARAM QUE ESTA AÇÃO
– Constatou que essa
área de conflito sócio ambiental é de dimensões internacionais,
onde o grupo Madri Lisboa/IDB do Brasil dedicado à especulação imobiliária,
ameaça destruir uma área de preservação ambiental, cujos recursos
naturais são patrimônio da humanidade, para nela implantar um mega
resort associado a outros empreendimentos, reflete nossa clara oposição
ao modelo neoliberal preconizado pelo Fórum Econômico Mundial, a
quem atribuímos a principal responsabilidade pelo desequilíbrio
global que ameaça todas as formas de vida;
– Cumpriu a importante
função de exemplificar como o avanço do processo de degradação da
natureza está associado à degradação da vida humana e de tudo o
que lhe é mais importante, resultando no agravamento dos conflitos
que começam assumir características de guerra social;
Comprometendo-se a:
NO PLANO LOCAL E REGIONAL
– Promover a luta pela
preservação da restinga de Marica como patrimônio inalienável da
humanidade;
– Promover uma ampla
campanha pela criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável
da Restinga e do Complexo Lagunar de Marica que tem como objetivo
básico preservar a natureza e, ao mesmo tempo, assegurar as condições
e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos
e da qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das populações
tradicionais, bem como valorizar, conservar e aperfeiçoar o conhecimento
e as técnicas de manejo do ambiente, desenvolvido por estas populações,
em conformidade com o texto da lei do Sistema Nacional de Unidades
de Conservação da Natureza – SNUC nº. 9.985, de 18 de julho de 2000
e decreto nº. 4.340, de 22 de agosto de 2002;
– Desenvolver ampla
campanha de investigação sobre a legítima propriedade na área de
Jaconé onde há suspeita da construção de um mega empreendimento
imobiliário pela BRASCAN, tendo em vista, a vocação da área para
a criação de um entreposto pesqueiro de interesse nacional. Essa
investigação deve ser estendida à Área de Proteção Ambiental de
Marica;
– Promover ampla investigação
nos processos de licenciamento nas áreas lagunares de Marica;
– Promover campanha
de denúncia contra os danos a serem causados pela entrada em operação
e produção da Bacia de Santos, que levará o aeroporto de Marica
a servir de base operacional de uso contínuo, com sobrevôos da APA,
alertando ainda quanto ao risco da construção de um cais metálico
(píer) na orla marítima, aumentando ainda mais a poluição ambiental
nessa região;
– Promover a participação
crítica e ativa da sociedade no processo de elaboração das agendas
21 dos municípios ameaçados pelo projeto de construção do COMPERJ
(Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), repudiando esse tipo
de empreendimento que, além dos danos irreversíveis de agravamento
da escassez de água e à biodiversidade na região, ferem normas internacionais
de proteção e gerenciamento de áreas costeiras;
– Promover a denúncia
de que os Planos de Compensação da Atividade Pesqueira, desenvolvidos
pela Petrobrás, na verdade têm caráter de reconhecimento de crime
ambiental premeditado, exigindo-se maiores cobranças em relação
a suas responsabilidades junto às comunidades nas áreas em que ocorrem
esses impactos;
– Promover a realização
de atos de repúdio aos Governos que promovem a manipulação de leis
e normas que regem a proteção de áreas de preservação ambiental
em beneficio de grupos econômicos depredadores. Nesse sentido, exigimos
que a ocupação de cargos de direção e deliberação dos órgãos de
licenciamento ambiental ocorra apenas por servidor público de carreira,
como forma de evitar favorecimentos;
– Promover ampla campanha
em solidariedade aos trabalhadores negros e negras do Rio de Janeiro,
contra as atitudes de cunho fascistas e racistas do governador do
estado, Sérgio Cabral Filho;
NO PLANO NACIONAL E
INTERNACIONAL
– Promover a conscientização
da sociedade de que os problemas ambientais representam questões
sociais estratégicas, com impactos diretos na economia que geram
reflexos danosos na saúde pública e soberania dos povos, exigindo
permanente estado de mobilização na defesa dos interesses da sociedade,
em especial das populações mais pobres;
– Desenvolver ampla
campanha de repúdio às Fundações Estatais de Direito Privado, ainda
que sob gestão do Estado, por compreendermos que todo e qualquer
processo que leve à privatização de serviços públicos devem ser
condenados, cuja prática já foi adotada pelo governador do Rio de
Janeiro, Sérgio Cabral Filho;
– Desenvolver ampla
campanha contra as terceirizações nas áreas meio e fim dos serviços
públicos prestados à população, denunciando os riscos da crescente
precarização e fragmentação das relações de trabalho e consumo;
– Promover a mobilização
de todas as comunidades em defesa da revitalização do Rio São Francisco
e contra o projeto criminoso de transposição que tem por objetivo
favorecer o agronegócio com recursos públicos, em detrimento da
agricultura familiar e das populações carentes do nordeste. Neste
sentido, faz-se necessária a integração das diversas campanhas ambientais;
– Promover a mobilização
da sociedade no sentido de revertermos o quadro atual do uso dos
recursos naturais, predominantemente econômico, como no caso do
consumo da água em que 70% de seu consumo concentra-se no agronegócio
e 20% na indústria, restando apenas 10% para todos os demais usos,
inclusive o consumo humano;
– Promover a compreensão
da água, biodiversidade, energia e lixo como os principais desafios
do século XXI, exigindo-se ampla mobilização em defesa de políticas
públicas integradas sob controle da sociedade, com vistas a evitarmos
os graves colapsos que se anunciam em termos de escassez, fome,
proliferação de doenças e miséria que justificam crise generalizada,
perda de direitos, ações militares e até futuras guerras;
– Promover a defesa
de mecanismos participativos e sob controle social para utilização
dos recursos do mar como mecanismo de defesa das águas costeiras
e a preservação de suas espécies, criando-se mecanismos de proteção
e promoção da pesca artesanal como atividade predominante nessas
áreas;
– Reivindicar um caráter
civil à presença brasileira no Haiti, para que o país não seja um
campo de treinamento de forças repressivas. Propor missões de solidariedade
técnico-científicas, no sentido de recuperar os graves danos ambientais
e sociais causados pelo descaso internacional. Alertar ao governo
brasileiro da oportunidade histórica que tem à frente: prestar auxílio
ao país mais fragilizado de nosso continente e, por conseqüência,
fortalecer as bases democráticas na América Latina;
– Promover a defesa
da água e da biodiversidade como direitos humanos fundamentais,
lançando uma ampla campanha pela emenda constitucional que garanta:
1) O fornecimento gratuito de 45 litros de água dia de água tratada
por habitante; 2) predomínio do interesse social no processo de
desenvolvimento, tornando de caráter deliberativo a participação
pública em projetos de licenciamento ambiental;
– Denunciar, nacional
e internacionalmente, a devastação cometida por grupos Espanhóis
no Brasil, em especial o Grupo Madrid Lisboa e seus associados como
o grupo IDB do Brasil, pelas ameaças à área de proteção ambiental
de Marica, resgatando o histórico de crimes ambientais que relacionem
suas práticas ao crime organizado internacional;
- Denunciar amplamente
todas as grandes corporações que promovem danos à sociedade e à
natureza, comunicando a todos os agentes econômicos e financeiros
– nacionais e internacionais – seus atos lesivos à governança corporativa;
– Propor junto a INTERPOL
a criação de uma divisão de repressão a crimes contra a natureza
e o patrimônio cultural e histórico;
– Condenar todo e qualquer
pagamento da dívida externa dos países pobres, tendo em vista considerarmos
nada dever a quem nada nos deu;
– Trabalhar a proposta
de criação da Organização Latino Americana de Proteção à Água e
à Biodiversidade, na perspectiva de realização do Fórum Social Mundial
da Água, integrando a programação do Fórum Social Mundial em janeiro
de 2009, em Belém do Pará, convocando – desde já – todos nossos
parceiros a se mobilizarem nesse sentido;
Calendário de Ações
23 de fevereiro– Marica
– Plenária Preparatória da Campanha pela Água e Biodiversidade como
direitos humanos inalienáveis com a presença de representantes da
DEFENSORIA DA ÁGUA, SINDSPREV COMUNITÁRIO-RJ, Conselho Comunitário
de Marica, Comitê Pó Haiti – Brasil, entre outras entidades com
objetivo de organizar as atividades de lançamento e propor a elaboração
de uma cartilha sobre o tema da campanha “Água e biodiversidade
como direito humano” e da PEC;
21 de março – Atividade
em Petrópolis, em conjunto com SINDSPREV-RJ;
22 de março – Dia Mundial
da Água - Ato público de lançamento da campanha “Água e biodiversidade
como direito humano” e do texto sobre o Projeto de Emenda Constitucional
de INCIATIVA POPULAR em defesa da água e a biodiversidade como direito
humano fundamental e inalienável, na sede do SINDSPREV/RJ;
23 de março: Visita
das entidades a Marica e a terceira aula da oficina Chico Mendes
de Comunicação Visual;
A implementação deste
calendário fica sob a responsabilidade da comissão organizadora
da campanha: “Água e biodiversidade como direito humano”, da qual
fazem parte: SINDSPREV/RJ, Defensoria da Água, Comitê Pró Haiti
e Conselho Comunitário de Marica.
Marica, 27 de janeiro
de 2008
(*) Verso do Hino da
Internacional
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