Espanhóis fazem
a limpa lá (e vêm sujar aqui)
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O governo
espanhol, com a previsão de subida do nível do mar em 15 cm até 2050,
está promovendo uma limpeza urbanística em suas costas. A destruição
do litoral foi notícia nesta quarta-feira nos grandes jornais a ponto
de El País anunciar uma série de reportagens sobre a destruição do
litoral (veja).
Segundo os jornais, o governo propõe uma Estratégia de Sustentabilidade
da Costa, “promovendo uma moratória urbanística”.
Em Múrcia, primeira região abordada por El País, a Manga del Mar Menor,
uma restinga que delimita a maior lagoa salgada do Mediterrâneo, desde
os anos 60 construtores e governos não fizeram outra coisa que edificar
em seus 36 km de extensão. “Numerosas obras, edificações, terraços
e jardins dentro do domínio marítimo e terrestre” numa área que desde
1988 é de uso público.
Segundo o jornal, apesar do governo local não permitir construções
a menos de 500 metros do mar, há mais de 50 edifícios com oito a dez
andares. A moratória serviria para conter um novo projeto já em andamento
de uma grande urbanização com lago artificial e três torres de 24
andares. “Os espigões alteram o fluxo natural da areia: retiram de
um lado e acumulam em outro”.
A proposta agora é desapropriação. Uma vez que o governo pretende
recuperar o uso público de 8 mil km de costa espanhola. A mudança
radical na política costeira daquele país deve resultar numa “limpeza”
que permitirá que em 2012 os espanhóis e turistas possam transitar
a pé ou de bicicleta por todo litoral.
A limpeza deve ocorrer também para despoluir a área. No Mar Menor,
a contaminação por esgotos sanitários e nitratos produziu nos últimos
anos uma proliferação de algas sem precedentes na Europa.
A questão mais polêmica, em Múrcia, é a Marina de Cope, projeto com
apoio do governo da região num parque natural desapropriado em 2001,
com 11 mil unidades residenciais, 22 mil unidades hoteleiras, cinco
campos de golfe, marina para 2 mil barcos e investiu 3,8 bilhões de
euros (aproximadamente R$ 1,9 bilhão). |
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No jornal El
Mundo, o destaque é a recuperação total do domínio público
marítimo-terrestre que resultará apenas este ano em 665 demolições
em toda costa espanhola contra as 1.200 já realizadas nos últimos
três anos. Segundo o secretário-geral de Território e Biodiversidade,
os governos municipais e o setor turístico mudaram de mentalidade
e vêem a atitude governamental como uma busca de excelência das águas
e maior qualidade de vida.
Os espanhóis estão investindo muito, segundo El Mundo, para ter de
volta suas áreas degradadas pela urbanização e empreendimentos hoteleiros.
Foram feitas no atual governo desapropriações de 1.123 hectares por
30 milhões de euros. Há ainda em transitação a compra de 96 hectares
por 60 milhões de euros e de outros 1.500 hectares avaliados em 13
milhões de euros. |
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