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Nota Pública contra a Criminalização das Rádios Comunitárias.
Denunciamos a todos os cidadãos e cidadãs, às entidades e instituições
democráticas de nosso País e a nível internacional, o escandaloso
e truculento processo de criminalização e perseguição a que estão
sendo submetidos os(as) militantes das rádios comunitárias no Estado
do Pará e no Brasil.
Nos últimos anos, mais de 100 rádios comunitárias foram fechadas
no Pará e seus equipamentos aprendidos por operações da ANATEL em
conjunto com a Polícia Federal. O saldo dessas ações são dezenas
de processos criminais abertos contra ativistas que buscam democratizar
a informação e os meios de comunicação. As condenações já começam
a surgir, inclusive com pesadas penas pecuniárias que alcançam R$
10.000,00 por pessoa. Este movimento reacionário e autoritário demonstra
que, mesmo sendo perseguidas pelo Estado a partir do interesse do
coronelismo midiático, as rádios comunitárias conseguiram crescer
e se consolidar como instrumentos de comunicação das classes trabalhadoras
e populares na luta pela liberdade de expressão e comunicação.
Historicamente, os grandes grupos de comunicação do Brasil vangloriam-se
de possuir força política suficiente para atuar como um poder paralelo,
usando a força da informação e da comunicação para determinar os
destinos do nosso país. Um sistema de comunicação exclusivamente
comercial onde o povo não se vê, não se ouve e nem se identifica,
que só interessa à mídia do capital e do lucro.
A ABERT (Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão)
e outras representações nacionais e locais são os representantes
desse movimento de concentração da comunicação e da transformação
da informação em negócios. Até mesmo a crise do apagão aéreo está
atualmente sendo utilizada, pela grande mídia, nesse ataques às
rádios comunitárias.
Essa estratégia de estrangulamento das Rádios Comunitárias conta
com a criminalização como eixo principal, mas este combate se apresenta
com outras formas perversas e retrógradas de atuação. Nessa direção
denunciamos os procedimentos burocráticos pouco transparentes de
legalização das rádios e o engavetamento dos processos que vagarosamente
tramitam no Ministério das Comunicações, através dos quais as comunidades
intentam obter, em vão, a autorização para o funcionamento das rádios
comunitárias.
Ao lado disso, o Congresso Nacional - que concentra muitos latifundiários
da comunicação - tem construído leis para dificultar o acesso das
rádios comunitárias ao funcionamento regular, através da imposição
de muitos limites. A lei 9.612, de 19 de fevereiro de 1998, restringe
o raio de atuação a apenas 1km, o limite de míseros 25 watts de
potência, a proibição de veicular anúncios de pequenos comerciantes
e a indefinição, por outro lado, do conceito de apoio cultural,
entre outras coisas. Como se não bastasse, há ainda noticias de
concessões irregulares, com favorecimento para apadrinhados políticos
de deputados, senadores e governantes. Enfim, o excesso de burocracia
e demora na concessão das outorgas estimulou a desobediência civil
entre as comunidades, que precisam do serviço prestado pelas emissoras,
afinal, a comunicação é um direito humano consagrado em vários pactos
e tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Não bastasse
esse quadro, várias operações feitas pela ANATEL com o Apoio da
Polícia Federal são ilegais uma vez que está em vigor uma liminar
do STF que retira da ANATEL o poder de fechar rádios ou apreender
equipamentos.
O Ministério Público Federal e o Poder Judiciário deveriam e devem
apoiar a democratização da comunicação e da radiodifusão no Brasil,
investigando inclusive eventuais abusos praticados pela ANATEL,
e a omissão do Ministério das Comunicações nos processos de legalização
das rádios comunitárias. Dito isso, e profundamente indignados,
repudiamos todo esse sistema de repressão às rádios comunitárias,
reivindicamos políticas públicas e mudanças legislativas que propiciem
o efetivo exercício do direito à comunicação. Exigimos também uma
nova postura de nossas instituições, mantidas por cada uma e cada
um de nós, merecedores do direito à informação, cultura, lazer e
respeito por parte do Estado Brasileiro.
Ante o exposto, manifestamos nossa solidariedade a todas e todos
os companheiros que, lamentavelmente encontram-se condenados ou
respondendo a processos na Justiça Federal ou indiciados na Polícia
Federal, e exigimos:
· O fim das ações de repressão às rádios Comunitárias.
· O fim dos processos de criminalização dos(as) ativistas das Rádios
Comunitárias e Anistia às companheiras e companheiros condenados.
· Expedição imediata de licenças provisórias para as rádios que
estão com processo de legalização em tramitação.
· Abertura de editais para habilitação para novas rádios comunitárias.
· Desburocratização e agilização dos processos de legalização das
rádios comunitárias.
· Apoio e assessoramento técnico das rádios comunitárias.
· Apoio cultural, crédito e financiamento às rádios comunitárias.
· Devolução dos equipamentos apreendidos pelas operações da ANATEL
e PF nas mesmas condições em que foram apreendidos.
Belém, 20 de junho de 2007.
Assinam esta nota (aberta à novas adesões):
Rádio Comunitária Cidadania FM. Rádio Comunitária
Resistência FM.
Rádio Comunitária ERÊ. Rádio Comunitária
Metropolitana FM.
Rádio Revolução Pará FM. Rádio Capital FM.
Rádio KM23. Rádio
Sintonia FM.
Rádio Metrópole FM. Rádio Riomar FM.
Rádio Tropical FM (Marudá). Rádio Alternativa(Santa Maria)
Rádio Cidade Nova FM (Aurora do Pará) Rádio Estilo FM(Ananindeua)
Rádio Guajará FM (Ananindeua) Rádio Coração FM(Ananindeua)
Rádio Continental FM (Ananindeua) Rádio
Cabanos FM (Acará)
Rádio Tauá FM (Santo Antônio do Tauá) Rádio
Popular de Breves FM
Rádio Cristal FM (Barreiro) Rádio Mosqueiro
FM (Carananduba)
Rádio Guamá Rádio
Stúdio FM 103,7
Aldeia Cabana FM Rádio Comunitária FM Cabana
Rádio Tupinambá (Mosqueiro) Rádio Maria
Fumaça (Castanhal)
Radio Fulana São Paulo
Palmares FM (Parauapebas) Voz Camponesa (Castanhal)
Rede Aparelho Instituto Cultural Fala
SDDH - Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos
ABRAÇO - Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária
ARCA - Associação de Rádios Comunitárias da Amazônia
NAJUP Isa Cunha - Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular
Isa Cunha
CJP - Comissão Justiça e Paz da CNBB.
MST - Movimento de Trabalhadores Rurais Sem - Terra
CADEL - Centro Acadêmico de Direito Edson Luís.
AMOR – Associação Movimento Reggae
Vereadora Marinor Brito
Fórum em defesa da educação
Sociedade Cultural Boi Marronzinho
MPDC – Movimento Popular pelo Direito à Cidade
Associação de moradores unidos na luta
Sindicato dos Radialistas
Senador José Nery
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