26/02/2007
Recebido por mail   de  Luiz da Silva Mattos
Ao Mestre Darcy Ribeiro, com carinho

 

Neste momento em que reivindicamos ao Governo Federal e Estadual, à Petrobrás, à Vale do Rio Doce, ao Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Unibanco, Santander e outras empresas públicas e privadas, dentre as quais as Organizações Globo, cujo grande Jornalista e Empresário Roberto Marinho, igualmente se deleitava em sua Fazenda ainda hoje em Maricá, seja formado um consórcio à instalação de uma Escola Técnica de nível médio e uma Universidade Estadual ou Federal em Maricá, cujos patronos sejam os dois expoentes da Cultura Nacional. 

Que me perdoe o atraso, Mestre, mas ainda assim, rendo-lhe a homenagem deste que o tem como Norte, levando a sua Bandeira desfraldada e iluminada, pois jamais me resignarei, jamais serei subserviente, jamais serei submisso e passivo, contra o meu País e o Povo que tanto amo.

Provavelmente, a maioria do Povo de Maricá desconhece a sala de eventos culturais, cujo patrono é o Eminente Brasileiro Darcy Ribeiro, localizada à esquerda do andar térreo da antiga Cadeia, hoje a Casa de Cultura. O Patrono não poderia ser outro, senão tal Personalidade, o gênio que deixou o nosso plano em 17 de fevereiro, a 10 (dez) anos atrás. Além de toda a genialidade e cultura, destacava-se pela simplicidade e humildade, voltada e totalmente dedicada ao Povo Brasileiro; à nossa Terra.

Ainda recordo a emoção sentida à primeira vez que fui ao evento “Ônibus das oito”, naquela sala, hoje Darcy Ribeiro, a ouvir e ler textos em verso e prosa, no exercício de Cidadania. A emoção foi mais sentida ao conhecer uma não menos afetuosa, digna e dedicada poetisa, parente consangüínea do Ilustre antropólogo e fundador da Universidade de Brasília, sem falar do Parlamentar, dos poucos que honraram com mérito, o Povo que o elegeu Senador.

Darcy Ribeiro nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, e veio a falecer em 1997 em Brasília,  porém adotou Maricá sua Terra, em sua casa, projeto de Niemeyer, em formato de uma oca indígena. Conta-se que o ilustre Cidadão de Maricá havendo-se internado em face de um tumor cancerígeno, fugiu do hospital após o 21º dia, recolhendo-se ao recesso do lar, onde lutou contra a morte, qual revolucionário que sempre o foi e fiel ao seu pensamento quando disse: “só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca".

Ao nosso enfoque, o grande revolucionário que dele ressentimos a ausência, está na grande revolução que humildemente defendemos em nossos artigos publicados no Jornal Território Livre, www.marica.com.br/territoriolivre.htm e no site www.maricanet.com.br/artigos/. Isso, guardadas as devidas distâncias entre o ilustre acadêmico e a nossa opaca personalidade. Contudo, o nosso Mestre observava o homem como centro da vida. Em seu valor central o ser humano, ou seja, numa perspectiva antropocêntrica, o homem é o centro ou a medida do Universo, sendo-lhe por isso destinada todas as coisas. Destarte, havemos de conceber o Universo em termos de experiências ou valores humanos.

Tal qual a sua fé, também acreditamos na reestruturação política e social do homem por conta da reestruturação de cada um de per si que há de retrogradar no caminho percorrido e rever os valores alterados negativamente, até por conta de interesses de países ou potências super-desenvolvidas, em tirar as riquezas de países não-desenvolvidos, assim fomentando conflitos sociais e econômicos, em face de oferecer “ajuda” ou “favores” por meio de política intervencionista.  

“Admirado inclusive pelos adversários, Darcy exerceu vários cargos públicos, como ministro-chefe da Casa Civil do presidente João Goulart, vice-governador do Rio de Janeiro e senador. Membro da Academia Brasileira de Letras, Darcy foi exilado e teve cassados os direitos políticos durante a ditadura militar. Viveu em vários países da América Latina, conduzindo programas de reforma universitária. Escreveu dezenas de ensaios e livros, entre eles os romances "Maíra", "O mulo", "Utopia selvagem" (1982) e "Migo" (1988). Seu último trabalho foi "O povo brasileiro", de 1995. Darcy não tinha medo da morte. O que o "fazedor de coisas" abominava era a idéia de não mais realizar, dizer adeus aos "fazimentos". E não mais poder divertir o mundo ao seu redor com lições bem-humoradas de amor à vida, como as frases que usava para explicar seus arroubos intelectuais. "Mais vale errar se arrebentando do que preparar-se para nada", dizia o poeta Darcy.”

Porque tal como ele, desfraldo a Bandeira Humanitária, buscando e promovendo a grande Revolução Social, a partir da Educação e da Cultura, em face da dignidade e da qualidade de vida do nosso Povo. Enfim, Buscar e promover a Paz e a Felicidade, estabelecendo a verdadeira Cidadania, todavia, não descartava a educação, como dizia, o único meio para alcançar essa transformação social. "Sem um povo educado, não há como fazer o País crescer". Destarte, não se afastava e nem se esmorecia em defesa de uma sociedade justa e solidária na firmeza de uma educação de bases sólidas. Uma sociedade participativa e consciente de seus direitos, mas imbuída nos deveres e obrigações. Democrata-socialista, dedicado à salvaguarda e ao desenvolvimento da Pátria que tanto amou.

Dez anos se passaram, temos um País vendido e sem soberania; tomado pelo caos, esfacelado pelos poderes institucionais que foram substituídos pela institucionalização da corrupção, pelo desvio, pela imoralidade, pela ineficiência e pela ineficácia que advém do Planalto. Falta à Nação a matéria prima: O Homem... Principalmente falta Brasileiro.

Sua Bandeira continua a tremular à verdadeira Excelência de um Cidadão Brasileiro que tinha o vigor do pensamento, reconhecido etnólogo e antropólogo. Romancista e ensaísta, antes de tudo um sábio professor e um notável educador.

Verdadeiro expoente da intelectualidade Brasileira, mas ao reconhecido sedutor e amante restava-lhe o prazer em passeios de charrete em seu sítio de Maricá, sempre acompanhado de mulheres enamoradas.

Ainda que transbordasse em intelectualidade e sabedoria, é sabido que no parlamento, Senador que foi, pouco usava a tribuna e fazia apartes, porém verdadeiramente foi um dos poucos que mais honrou o Senado Federal desde a sua instalação na República Brasileira. Todavia, quando discursava, era tal qual o canto da cotovia: todos silenciavam e o ouviam.

Além do que mencionamos, a obra do imortal e eminente Brasileiro é vastíssima, destacando-se na Educação, Antropologia e Sociologia. A ele devemos os ideais da Universidade Norte Fluminense, os CIEPS (Centros Integrados de Ensino público); a Biblioteca Pública Estadual, a Casa França-Brasil, a Casa de Cultura Laura Alvim, o Centro infantil de Cultura de Ipanema e o Sambódromo que revolucionou o carnaval como fonte de receita. Sendo que durante o ano, acolheria crianças em 200 salas de aula. Ainda o fundador do Museu do Índio e o criador do Parque Indígena do Xingu. Elaborou para a Unesco um estudo do impacto da civilização sobre os grupos indígenas brasileiros no século XX e colaborou com a Organização Internacional do Trabalho na preparação de um manual sobre os povos aborígines de todo o Mundo.

lsmattos