|
Neste
momento em que reivindicamos ao Governo Federal e Estadual, à Petrobrás,
à Vale do Rio Doce, ao Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Unibanco,
Santander e outras empresas públicas e privadas, dentre as quais
as Organizações Globo, cujo grande Jornalista e Empresário Roberto
Marinho, igualmente se deleitava em sua Fazenda ainda hoje em Maricá,
seja formado um consórcio à instalação de uma Escola Técnica de
nível médio e uma Universidade Estadual ou Federal em Maricá, cujos
patronos sejam os dois expoentes da Cultura Nacional.
Que
me perdoe o atraso, Mestre, mas ainda assim, rendo-lhe a homenagem
deste que o tem como Norte, levando a sua Bandeira desfraldada e
iluminada, pois jamais me resignarei, jamais serei subserviente,
jamais serei submisso e passivo, contra o meu País e o Povo que
tanto amo.
Provavelmente,
a maioria do Povo de Maricá desconhece a sala de eventos culturais,
cujo patrono é o Eminente Brasileiro Darcy Ribeiro, localizada à
esquerda do andar térreo da antiga Cadeia, hoje a Casa de Cultura.
O Patrono não poderia ser outro, senão tal Personalidade, o gênio
que deixou o nosso plano em 17 de fevereiro, a 10 (dez) anos atrás.
Além de toda a genialidade e cultura, destacava-se pela simplicidade
e humildade, voltada e totalmente dedicada ao Povo Brasileiro; à
nossa Terra.
Ainda
recordo a emoção sentida à primeira vez que fui ao evento “Ônibus
das oito”, naquela sala, hoje Darcy Ribeiro, a ouvir e ler textos
em verso e prosa, no exercício de Cidadania. A emoção foi mais sentida
ao conhecer uma não menos afetuosa, digna e dedicada poetisa, parente
consangüínea do Ilustre antropólogo e fundador da Universidade de
Brasília, sem falar do Parlamentar, dos poucos que honraram com
mérito, o Povo que o elegeu Senador.
Darcy
Ribeiro nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, e veio a falecer
em 1997 em Brasília, porém adotou Maricá sua Terra, em sua casa,
projeto de Niemeyer, em formato de uma oca indígena. Conta-se que
o ilustre Cidadão de Maricá havendo-se internado em face de um tumor
cancerígeno, fugiu do hospital após o 21º dia, recolhendo-se ao
recesso do lar, onde lutou contra a morte, qual revolucionário que
sempre o foi e fiel ao seu pensamento quando disse: “só há duas
opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar
nunca".
Ao
nosso enfoque, o grande revolucionário que dele ressentimos a ausência,
está na grande revolução que humildemente defendemos em nossos artigos
publicados no Jornal Território Livre, www.marica.com.br/territoriolivre.htm
e no site www.maricanet.com.br/artigos/.
Isso, guardadas as devidas distâncias entre o ilustre acadêmico
e a nossa opaca personalidade. Contudo, o nosso Mestre observava
o homem como centro da vida. Em seu valor central o ser humano,
ou seja, numa perspectiva antropocêntrica, o homem é o centro ou
a medida do Universo, sendo-lhe por isso destinada todas as coisas.
Destarte, havemos de conceber o Universo em termos de experiências
ou valores humanos.
Tal
qual a sua fé, também acreditamos na reestruturação política e social
do homem por conta da reestruturação de cada um de per si que há
de retrogradar no caminho percorrido e rever os valores alterados
negativamente, até por conta de interesses de países ou potências
super-desenvolvidas, em tirar as riquezas de países não-desenvolvidos,
assim fomentando conflitos sociais e econômicos, em face de oferecer
“ajuda” ou “favores” por meio de política intervencionista.
“Admirado
inclusive pelos adversários, Darcy exerceu vários cargos públicos,
como ministro-chefe da Casa Civil do presidente João Goulart, vice-governador
do Rio de Janeiro e senador. Membro da Academia Brasileira de Letras,
Darcy foi exilado e teve cassados os direitos políticos durante
a ditadura militar. Viveu em vários países da América Latina, conduzindo
programas de reforma universitária. Escreveu dezenas de ensaios
e livros, entre eles os romances "Maíra", "O mulo",
"Utopia selvagem" (1982) e "Migo" (1988). Seu
último trabalho foi "O povo brasileiro", de 1995. Darcy
não tinha medo da morte. O que o "fazedor de coisas" abominava
era a idéia de não mais realizar, dizer adeus aos "fazimentos".
E não mais poder divertir o mundo ao seu redor com lições bem-humoradas
de amor à vida, como as frases que usava para explicar seus arroubos
intelectuais. "Mais vale errar se arrebentando do que preparar-se
para nada", dizia o poeta Darcy.”
Porque
tal como ele, desfraldo a Bandeira Humanitária, buscando e promovendo
a grande Revolução Social, a partir da Educação e da Cultura, em
face da dignidade e da qualidade de vida do nosso Povo. Enfim, Buscar
e promover a Paz e a Felicidade, estabelecendo a verdadeira Cidadania,
todavia, não descartava a educação, como dizia, o único meio para
alcançar essa transformação social. "Sem um povo educado, não
há como fazer o País crescer". Destarte, não se afastava e
nem se esmorecia em defesa de uma sociedade justa e solidária na
firmeza de uma educação de bases sólidas. Uma sociedade participativa
e consciente de seus direitos, mas imbuída nos deveres e obrigações.
Democrata-socialista, dedicado à salvaguarda e ao desenvolvimento
da Pátria que tanto amou.
Dez
anos se passaram, temos um País vendido e sem soberania; tomado
pelo caos, esfacelado pelos poderes institucionais que foram substituídos
pela institucionalização da corrupção, pelo desvio, pela imoralidade,
pela ineficiência e pela ineficácia que advém do Planalto. Falta
à Nação a matéria prima: O Homem... Principalmente falta Brasileiro.
Sua
Bandeira continua a tremular à verdadeira Excelência de um Cidadão
Brasileiro que tinha o vigor do pensamento, reconhecido etnólogo
e antropólogo. Romancista e ensaísta, antes de tudo um sábio professor
e um notável educador.
Verdadeiro
expoente da intelectualidade Brasileira, mas ao reconhecido sedutor
e amante restava-lhe o prazer em passeios de charrete em seu sítio
de Maricá, sempre acompanhado de mulheres enamoradas.
Ainda
que transbordasse em intelectualidade e sabedoria, é sabido que
no parlamento, Senador que foi, pouco usava a tribuna e fazia apartes,
porém verdadeiramente foi um dos poucos que mais honrou o Senado
Federal desde a sua instalação na República Brasileira. Todavia,
quando discursava, era tal qual o canto da cotovia: todos silenciavam
e o ouviam.
Além
do que mencionamos, a obra do imortal e eminente Brasileiro é vastíssima,
destacando-se na Educação, Antropologia e Sociologia. A ele devemos
os ideais da Universidade Norte Fluminense, os CIEPS (Centros Integrados
de Ensino público); a Biblioteca Pública Estadual, a Casa França-Brasil,
a Casa de Cultura Laura Alvim, o Centro infantil de Cultura de Ipanema
e o Sambódromo que revolucionou o carnaval como fonte de receita.
Sendo que durante o ano, acolheria crianças em 200 salas de aula.
Ainda o fundador do Museu do Índio e o criador do Parque Indígena
do Xingu. Elaborou para a Unesco um estudo do impacto da civilização
sobre os grupos indígenas brasileiros no século XX e colaborou com
a Organização Internacional do Trabalho na preparação de um manual
sobre os povos aborígines de todo o Mundo.
|