Ontem aconteceu um
“debate” sobre o projeto do resort promovido pela Frente Popular,
capitaneada por Quaquá. Começou com o seguinte texto: “Como o prefeito
argumentava que a oposição era contra o desenvolvimento pois estava
contra o resort, era então apresentado o projeto do resort como uma
coisa maravilhosa, fazendo parte da campanha, demonstrando que a oposição
não era contra o desenvolvimento.
Ficou difícil? Então espera que vem mais... As tais ilhas eram explicadas
como simples remanejamento de terra, coisa pouca, bobagem (o que,
aliás, já foi vetado pelo Ministério Público Federal). A marina pra
mil barcos então, tranquilíssimo... Um presentão este projeto, que
caiu dos céus no colo de Maricá! Mas não tinha nenhuma aparelhagem
pra mostrar o dvd que apresenta virtualmente o projeto, ou seja, como
os espanhóis e portugueses vêem o resort. Uma pena, pois tínhamos
o tal dvd prontinho pra passar pra platéia. E aí, a digníssima platéia
veria o que o pessoal da península ibérica realmente pretende fazer
com a nossa restinga. Calamidade é pouco.
E ainda veio o texto de que a Frente Popular só aceitaria no máximo
30% da restinga ocupada, o que é uma mentira, uma vez que em decreto
federal são “apenas” 20% a área concedida para ocupação, e no decreto
estadual “apenas” 10%. Uma vez que nenhum decreto municipal pode ser
mais restritivo que o estadual ou federal, então que conversa pra
boi dormir é essa?
E dizer que empregos cairão do céu pra Maricá... Já temos o Comperj,
o pólo petroquímico, que nos trará muitos e muitos empregos – e também
mais 200 mil habitantes pra se estapearem por água, saneamento básico,
transporte etc, mas que é força da Petrobrás e já está decidido...,
o pólo industrial de Marica, que também trará muitos e muitos empregos,
apesar de não ser nem um pouco amigo da cidade, uma vez que captará
água do rio antes da captação da Cedae, e também o pólo aeronáutico,
que... ainda não foi muito falado, mas que com certeza também trará
empregos.
Não empregos de limpador de latrina, como o resort, mas empregos mais
técnicos, que farão com que a população resolva sair do marasmo e
melhorar sua capacitação.
Foi muito bem lembrado que a Mata Atlântica é super devastada no nosso
país restando muito pouco dela atualmente, e que a Restinga faz parte
da Mata Atlântica, é o primeiro patamar, e que será destruída com
este malfadado projeto. Estou pouco me lixando se esta Frente é Popular
ou Impopular, seja qual for o nome dela, estou pouco me lixando pra
que partidos compõem ou não esta Frente, estou pouco me lixando pra
política partidária. O que sei é que a Restinga/APA de Marica corre
sérios riscos de ser finalmente destruída. E olha que ela é uma das
restingas mais preservadas ainda...
E por falar em “ainda”, ainda tem o lado arqueológico da coisa, com
sambaquis e outros achados arqueológicos nesta área de APA que são
de suma importância e também do conhecimento do Museu Nacional, que
com certeza também está a favor da preservação da Restinga e contra
sua degradação/resort.
E “ainda” tem também, como parte deste meio ambiente ameaçado, os
pescadores de Zacarias, trincheira maior da restinga, que tradicionalmente
ocupam as margens da lagoa por mais de dois séculos e que estão exatamente
no olho do furacão.E também cada cacto, cada bromélia, cambuim, pitanga,
caju, lagarto, coruja e todos os seres vivos que serão devastados
e varridos da Restinga se este projeto for adiante como é proposto,
com grandes gramados do campo de golfe, mansões, avenidas, prédios
comercial, marinas, etc.
Realmente, só mesmo sendo louco pra achar que toda esta ameaça é a
melhor coisa do mundo que pode acontecer pra nós, povo de Maricá.
Esse povo da península ibérica se acostumou a se portar como colonizador,
aquele que chega, toma conta do pedaço, pega o filé mignon dos tesouros
e deixa pra trás só destruição e farelos. Só que não estamos mais
no século XVI. Não somos mais colônia. Não queremos mais ser roubados.
Só queremos o que é nosso: o nosso lindo jardim, a restinga de Maricá!
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