24/10/2007
É DEMOCRÁTICO QUE DEFENDAM POSIÇÕES DIFERENTES, MAS RESPEITEM A COMUNIDADE DE ZACARIAS
Mensagem de Maria da Conceição M. P. e Santos (SINDSPREV/RJ)

O empreendimento residencial de luxo não terá como sustentar à quantidade de empregos prometida, sem usar o recurso do rodízio, pois as obras acabarão um dia. Está evidente que esse número é colocado porque eles somam aos que sairão os que entrarão. Como brasileiros, temos a obrigação de defender nosso patrimônio social, cultural, histórico e ambiental e nossa soberania nacional, sendo irresponsáveis críticas levianas e antipatrióticas em sites, maculando a imagem de nosso povo tradicional. Chamar de favela à Comunidade de pescadores artesanais de Zacarias, civilização secular, com sua história, sua cultura e sua luta de resistência em defesa daquele patrimônio é no mínimo irresponsável, além de ser um crime de discriminação contra uma comunidade tradicional nativa de Maricá, que há muito tempo deixou de ser “massa de manobra”, pois a prática dos conhecidos políticos de Maricá lhes deu amadurecimento e formação para separarem “o joio do trigo”.

Lamentável é àquele que não luta pela manutenção de seu patrimônio, vendendo sua dignidade a promessas capitalistas de falso desenvolvimento e emprego. Leiam o escândalo da "Operação Malaya", a “Operação moeda verde” ou a “Operação carta marcada”. Leiam sobre as conseqüências ocorridas e as que vêm ocorrendo nas cidades e nos países que seguem esse modelo capitalista de ocupação nas áreas de proteção ambiental, sobretudo sobre construções em áreas suscetíveis à erosão. Leiam os reflexos futuros desse desenvolvimento, com a ocupação do entorno das cidades, o empobrecimento ainda maior da população, os prejuízos financeiros causados pela erosão e o número de vítimas conseqüentes dessa irresponsabilidade que hoje chamam de "desenvolvimento" a todo custo. Parem de pensar no próprio umbigo e no quanto seu terreno e sua casa valorizarão e pensem realmente nas gerações do futuro sim, visto que vocês provavelmente não estarão vivos para sofrer na própria pele as conseqüências do crime que cometem hoje contra as gerações do amanhã, aquecimento global, falta de água potável, extermínio de nosso povo tradicional, extinção de espécimes importantíssimos para a humanidade que mantém o equilíbrio ambiental e a sobrevivência do homem, etc.

Senhores leiam e estudem, mas acima de tudo vão realmente conhecer com os olhos e coração de brasileiros, toda, eu disse TODA a área que estão entregando ao estrangeiro, nos seus mais de 8 milhões de metros quadrados e aí quem sabe, estarão aptos a iniciarem esse debate. Posso até dizer: Resort sim, NA RESTINGA NÃO!

Maria da Conceição M. P. e Santos (SINDSPREV/RJ), moradora em Itaipuaçu - Maricá