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Captação de água é um dos desafios do projeto
Do Rio / Valor Econômico - 16/4/2007
A água é um dos principais problemas a serem resolvidos na área
ambiental na
implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj),
já que
trata-se de bem escasso entre os municípios da região. Existem
oito
alternativas em estudo para o fornecimento da água necessária para
construção e operação da refinaria, prevista para processar 150
mil
barris/dia de petróleo pesado a partir de 2012.
Carlos Minc, secretário de Ambiente do Estado, disse que entre
as
alternativas em análise estão o uso de água de poços e de rios
da região,
além do reaproveitamento da água que sai de estações de tratamento
de
esgoto. Outra opção é colher água da lagoa de Juturnaiba, que abastece
a
população da região dos lagos.
Minc disse que existe a possibilidade de a Petrobras captar água
de bacias
de contenção que poderão ser construídas com recursos da estatal
para evitar
o assoreamento da bacia leste da baía de Guanabara. "Poderão
ser uma, duas
ou até três alternativas combinadas", informou Minc. Segundo
ele, a solução
para o problema da água sairá do estudo e do relatório de impacto
ambiental
(EIA-Rima) a ser apresentado pela Petrobras à Fundação Estadual
de
Engenharia do Meio Ambiente (Feema), órgão ambiental do Estado.
O projeto prevê a concessão de cerca de 50 licenças. Caso a Petrobras
apresente o Eia-Rima em julho, como previsto, a Feema poderá conceder
a
licença de instalação do Comperj em quatro meses, quando poderiam
começar as
obras de terraplenagem. A questão da água também é uma das prioridades
discutidas no Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste
Fluminense (Conleste), do qual participam 11 municípios.
Criado em janeiro, o Conleste é um consórcio de desenvolvimento
regional que
busca discutir e planejar políticas públicas conjuntas levando
em conta a
instalação do Comperj. "As fronteiras municipais estão defasadas
em relação
à realidade", diz Álvaro Adolpho dos Santos, diretor-geral
do Conleste.
O consórcio definiu 13 projetos prioritários, incluindo temas como
saneamento, saúde, habitação, água, lixo, zoneamento urbano e transporte.
Um
dos planos do governo do Estado é investir em um trem de superfície
ligando
Itaboraí-São Gonçalo e Niterói. A Petrobras informou que a melhoria
da
infra-estrutura social nos municípios da área de influência do
Comperj conta
com o apoio do Ministério das Cidades, do BNDES e da Caixa Econômica
Federal
(CEF).
Segundo a estatal, as despesas com infra-estrutura e despesas sociais
serão
cobertas pelos governos estadual e federal. A Petrobras considera
essencial,
para a boa operação do Comperj, a construção do Arco Rodoviário,
que irá
desobstruir o tráfego nos acessos à capital do Estado. (FG)
Nova refinaria gera apreensão e otimismo em municípios do Rio
Francisco Góes
Guaxindiba é um bairro pobre de São Gonçalo, município com cerca
de 1 milhão
de habitantes, o segundo mais populoso do Estado, na região metropolitana
do
Rio de Janeiro. Na comunidade moram 8 mil pessoas sem acesso a
serviços de
água potável e tratamento de esgoto. Em Guaxindiba, que já foi
considerada
área de "desova" de cadáveres, a Petrobras planeja instalar
uma base de
apoio para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj),
o maior
investimento na carteira de projetos da estatal, orçado em US$
8,3 bilhões.
Há um ano, desde que a Petrobras anunciou que construiria o Comperj
em
Itaboraí , município vizinho a São Gonçalo, prefeitos e lideranças
comunitárias do leste fluminense passaram a ter a expectativa de
participar
de um novo ciclo de desenvolvimento na região. "Esperamos
que o Comperj
traga alguma coisa boa para a comunidade", diz Sílvio de Oliveira,
presidente da Associação dos Moradores e Amigos de Guaxindiba,
Vista Alegre
e Adjacências (Amaguava).
O otimismo é acompanhado de apreensão. O receio é que o projeto
provoque
explosão demográfica na região, com invasões de áreas e aumento
da
favelização. O fenômeno seria motivado pela oportunidade de novos
empregos,
o que criaria fluxos migratórios para os 11 municípios da área
de influência
da refinaria. A estimativa é que o Comperj crie mais de 200 mil
empregos,
entre diretos, indiretos e o efeito-renda (multiplicação da atividade
econômica como resultado da instalação do pólo). O número soma
os empregos
na fase de construção com as vagas a serem criadas após o início
da operação
da refinaria, em 2012.
A falta de ação integrada entre poder público e setor privado também
preocupa, porque pode reduzir os resultados sociais e econômicos
do
investimento da Petrobras e seus sócios, o grupo Ultra e o BNDES.
Um dos
impactos econômicos mais importantes para a região seria a atração
de
investimentos na terceira geração petroquímica - pequenas e médias
empresas
que criam empregos, mas que costumam se localizar perto dos mercados
consumidores. Não há garantias de que a terceira geração se instale
no
entorno do Comperj.
"Falta articulação institucional para criar ambiente propício
à atração de
empresas da terceira geração petroquímica. Se não formos capazes
de somar
esforços, as empresas poderão se instalar em São Paulo", diz
André Urani,
diretor-executivo do Instituto de Estudos do Trabalho e da Sociedade
(Iets).
Ao analisar dados estatísticos de Itaboraí ("pedra escondida
na água", em
tupi-guarani) e São Gonçalo, o pesquisador Maurício Blanco Cossio,
do Iets,
diz que os dois municípios não estão conseguindo transformar os
indicadores
satisfatórios que possuem em educação em melhoria da renda per
capita,
segundo dados do Índice de Desenvolvimento Humano, (IDH), de 2000.
Cossio
avalia que isso ocorreu por falta de oportunidades de trabalho,
o que pode
mudar com o crescimento da indústria de petróleo e gás na região.
Paulo Haddad, consultor e ex-ministro do Planejamento e da Fazenda
no
governo Itamar Franco, afirma que o desafio é internalizar benefícios
de
grandes projetos de investimento nas áreas onde eles se situam.
Ele cita o
caso dos dez maiores municípios do país em termos de PIB per capita,
segundo
dados do IBGE.
Seis dos dez primeiros municípios da lista são ligados à atividades
da
indústria petrolífera, mas quase todos têm baixa concentração populacional,
o que dificulta a distribuição da riqueza para um maior número
de pessoas. É
o caso do primeiro município do ranking, São Francisco do Conde,
no
Recôncavo baiano, com cerca de 30 mil habitantes, que abriga a
segunda maior
refinaria em capacidade do país, a Landulpho Alves.
Haddad considera que, em áreas remotas do país, grandes projetos
de
investimento criam benefícios que são internalizados pelas populações
locais. Em regiões metropolitanas, a apropriação destes benefícios
pelos
municípios vizinhos das capitais se torna mais difícil. A Petrobras
disse,
por meio de sua assessoria, que trabalha para reduzir ou compensar
os
impactos da implantação do Comperj.
Uma das ações da estatal para evitar o fluxo migratório desordenado
é
fortalecer a capacitação de mão-de-obra local. Em São Gonçalo funcionará
um
dos 11 centros de integração, que vão capacitar cerca de 30 mil
profissionais por meio de 78 tipos de cursos gratuitos. Segundo
a Petrobras,
os alunos formados nestes centros poderão trabalhar no Comperj,
mas se não
forem chamados serão candidatos a empregos em outras empresas.
"O Comperj vai marcar a volta aos anos de glória econômica
do passado", diz
o prefeito de Itaboraí, Cosme Salles (PT). Salles espera que, depois
dos
ciclos da laranja, do café e da cerâmica, Itaboraí seja beneficiada
pela
bonança do petróleo. Hoje, a economia do município se apóia no
comércio, na
pecuária e na indústria ceramista, atividade que reúne mais de
cem empresas
que fabricam tijolos e vasos.
Em 2007, Itaboraí deverá arrecadar R$ 200 milhões, orçamento que
poderá
crescer quatro ou cinco vezes a partir de 2012 quando o Comperj
entrar em
operação, prevê Salles. Com 221 mil habitantes, a cidade ocupa
a 66ª posição
no IDH entre os 91 municípios fluminenses. O Produto Interno Bruto
(PIB) do
município é de R$ 1,1 bilhão, segundo dados do IBGE, de 2004. Naquele
ano,
com população menor do que a atual, o PIB per capita de Itaboraí
era de R$
5.451,41.
"A refinaria vai ser o resgate de São Gonçalo", afirma
a prefeita do
município, Maria Aparecida Panisset. Ela comanda um município com
receita
anual de cerca de R$ 300 milhões, mas com grandes comunidades carentes,
incluindo o Jardim Catarina, "o maior loteamento da América
Latina", segundo
a prefeita. Mais de 50% da população do município não tem acesso
à rede de
esgoto. Na 22ª colocação do IDH fluminense, segundo dados de 2000,
São
Gonçalo tem PIB de R$ 5,2 bilhões e renda per capita de R$ 5.481,01.
"Temos só R$ 23,50 por pessoa por ano para investimento",
diz Maria
Aparecida, eleita pela coligação "Reconstruindo São Gonçalo"
(PFL-PSDC-PRTB). Na visão da prefeita,
o Comperj poderá recuperar
investimentos perdidos no passado, quando muitas empresas foram
embora ou
fecharam as portas, caso das indústrias de sardinha do Gradim,
bairro da
periferia de São Gonçalo, à beira da baía de Guanabara.
A refinaria, argumenta, também poderá melhorar a qualidade de vida
dos
moradores do município, que fica a 37 quilômetros do Rio (Itaboraí
está um
pouco mais longe, a 48 quilômetros). A proximidade com a capital
os
transforma em municípios dormitórios.
Maria Aparecida prevê que a receita do município deverá crescer
impulsionada
pelos investimentos do Comperj, entre os quais a construção de
uma base para
armazenagem de produtos líquidos da refinaria, ainda em fase de
planejamento, em Guaxindiba, onde a estatal tem um terreno de 230
mil metros
quadrados. Glauber Teixeira, que trabalha no Centro de Referência
da
Assistência Social (Cras), em Guaxindiba, diz que "se o Comperj
for bem
planejado, trará progresso. Caso contrário, vai trazer mais crescimento
desordenado e favelização."
Preços de imóveis têm alta de até 50%
Porto das Caixas, distrito de Itaboraí famoso por uma imagem de
Jesus
crucificado, que teria vertido sangue em 1968, será responsável
pela
retomada econômica do município. "Itaboraí vai recomeçar por
onde acabou",
diz Luiz Antonio Mascarello, pároco de Porto das Caixas, povoado
com cerca
de 6 mil habitantes onde fazendas estão sendo desapropriadas para
abrigar o
núcleo do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Mascarello diz que foi em Porto das Caixas que Itaboraí começou,
na segunda
metade do século XIX, a partir da fundação da Vila de Santo Antônio
de Sá.
Não há registros sobre a origem do nome Porto das Caixas, mas provavelmente
se deve ao fato de que produtos de regiões vizinhas eram embarcados
no porto
fluvial local, rumo à capital do Império. De freguesia próspera,
Porto das
Caixas passou a povoado decadente depois que a febre amarela dizimou
a
população.
Na década de 70, o distrito foi freqüentado por um número crescente
de
romeiros que queriam pagar promessas ou ver o Cristo crucificado,
uma peça
de um 1,30 metro de altura presa a uma cruz de 2 metros.
Agora, Porto das Caixas, com sua capela construída sobre as ruínas
de uma
igreja de 1595, onde está a imagem do Jesus crucificado, volta-se
para a
chegada da refinaria da Petrobras. Mascarello avalia que o investimento
pode
ser bom para a comunidade local desde que as pessoas se preparem
para ter
chances de emprego. Mas o pároco mostra preocupação com a possibilidade
de o
município sofrer com a migração de pessoas de outras regiões à
procura de
trabalho. "Temos uma escola estadual e um posto de saúde precário.
O que
vamos fazer se chegarem à região 10 mil ou 40 mil pessoas?"
A especulação imobiliária, também mostra seus efeitos em Itaboraí.
A
desapropriação da fazenda Macacu (523 alqueires), elevou os preços
de
propriedades na vizinhança. A fazenda, visitada pelo presidente
Lula em
junho do ano passado, no lançamento da pedra fundamental do Comperj,
abrigará parte do pólo.
Em Macacu estão as ruínas do convento São Boa Ventura de Macacu,
fundado em
1649, que deverá ser recuperado. No convento estudou frei Galvão,
que será
canonizado na visita do papa Bento XVI a São Paulo, em maio. No
total, a
área abrangida pelo decreto presidencial para fins de desapropriação
do
Comperj alcança 45 milhões de metros quadrados.
"Houve um aumento de cerca de 50% nos preços de fazendas próximas
às áreas
que estão sendo desapropriadas", diz Márcio Elber, diretor
da Solimóvel
Soluções Imobiliárias, de Itaboraí. Na cidade, um apartamento de
três
quartos, que há um ano valia R$ 150 mil, hoje não custa menos de
R$ 200 mil,
33% a mais, diz Elber.
O prefeito de Itaboraí, Cosme Salles, prevê que o município pode
enfrentar
uma explosão demográfica com o Comperj. "Existem cerca de
90 mil lotes de
terra ( loteamentos privados) vazios em Itaboraí", diz o prefeito.
Estes
loteamentos, aprovados há mais de 30 anos, não têm infra-estrutura.
Salles
não acredita que Itaboraí vá enfrentar um processo de favelização
semelhante
ao de Macaé, no norte fluminense, onde a riqueza dos royalties
do petróleo
provocou crescimento desordenado e a invasão de áreas. "As
poucas áreas da
União e do município em Itaboraí estão ocupadas", compara
Salles. (FG)
Vamos
participar, a comissão é aberta a participação de todos e
todas. Munhoz p/ Comissão Municipal ao COMPERJ de Maricá.
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