22/08/2007

OSTOMIZADOS DE MARICÁ
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........xxx......Mensagem de Engº Spencer Ferreira # spencer@ostomizados.com

A RAMPA DOS JOSÉS
   
O seu amor à poesia, a literatura, as artes e a cultura em geral o tinham transformado em uma pessoa querida por todos aqueles que o conheciam. Assim, era constantemente convidado  a participar dos eventos culturais de sua cidade.
Isso se repetiu naquela tarde.
Mais uma vez, ele fora convidado a participar de uma roda de leitura em um prédio da cidade, tombado pelo patrimônio histórico.
Diante desse prédio, com os olhos lacrimejando o nosso poeta ouvia o som das palmas. Seus verdadeiros amigos o aplaudiam e o convidavam para entrar.
Tomado de emoção, diante de gesto tão receptivo, por segundos, chegou a esquecer que vivia a mais democrática das realidades físicas - era portador de uma deficiência física provocada por um acidente de trânsito.
Seu corpo só se mantinha de pé e só lhe era possível caminhar com o auxílio de um par de muletas.
Ele não se abatia diante de tão forte realidade!
Mantinha-se de pé, ereto e altivo!
Entendia que sua vida não podia ser conduzida pelas limitações do seu corpo. A sua existência tinha que refletir os anseios de sua alma e os reflexos de sua mente.
   
Disfarçando tanta emoção, mantinha os olhos fechados e pensava:
E agora?
Como farei para compartilhar com meus amigos as minhas poesias e os meus escritos?
Como vencerei aqueles degraus que me impediram de entrar nessa casa, em data anterior?
   
José, José olhe a sua frente. Ouviu alguém gritar ao longe.
Veja a surpresa que lhe preparamos!
Lá, diante de seus olhos, estava uma pequena rampa feita de madeira que podia ser colocada de dia e retirada de noite.
Uma solução simples, barata, viável e de fácil construção.
   
Uma solução de grande abrangência na cidade, que ajudaria a cerca de 6.500 deficientes físicos com dificuldades para caminhar e subir escadas, muitos Josés e Marias que quisessem adentrar aquela Casa de Cultura de Maricá.
   
Assim, José venceu mais uma barreira e cumpriu mais uma missão. A sua luta ajudou a unir os homens e mulheres de bem da nossa cidade.
   
Juntos e imbuídos dos mesmos ideais podemos e vamos construir uma cidade e um mundo melhor para todos nós.
Um mundo onde a prática da humanidade seja uma constante, uma realidade, um exemplo para as nossas crianças e jovens, tão carentes de impressões públicas positivas que os ajudem a se transformar nos homens e mulheres de bem do amanhã.