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A RAMPA DOS JOSÉS
O seu amor à poesia, a literatura, as artes e a cultura em geral
o tinham transformado em uma pessoa querida por todos aqueles que
o conheciam. Assim, era constantemente convidado a participar
dos eventos culturais de sua cidade.
Isso se repetiu naquela tarde.
Mais uma vez, ele fora convidado a participar de uma roda de leitura
em um prédio da cidade, tombado pelo patrimônio histórico.
Diante desse prédio, com os olhos lacrimejando o nosso poeta ouvia
o som das palmas. Seus verdadeiros amigos o aplaudiam e o convidavam
para entrar.
Tomado de emoção, diante de gesto tão receptivo, por segundos, chegou
a esquecer que vivia a mais democrática das realidades físicas -
era portador de uma deficiência física provocada por um acidente
de trânsito.
Seu corpo só se mantinha de pé e só lhe era possível caminhar com
o auxílio de um par de muletas.
Ele não se abatia diante de tão forte realidade!
Mantinha-se de pé, ereto e altivo!
Entendia que sua vida não podia ser conduzida pelas limitações do
seu corpo. A sua existência tinha que refletir os anseios de sua
alma e os reflexos de sua mente.
Disfarçando tanta emoção, mantinha os olhos fechados e pensava:
E agora?
Como farei para compartilhar com meus amigos as minhas poesias e
os meus escritos?
Como vencerei aqueles degraus que me impediram de entrar nessa casa,
em data anterior?
José, José olhe a sua frente. Ouviu alguém gritar ao longe.
Veja a surpresa que lhe preparamos!
Lá, diante de seus olhos, estava uma pequena rampa feita de madeira
que podia ser colocada de dia e retirada de noite.
Uma solução simples, barata, viável e de fácil construção.
Uma solução de grande abrangência na cidade, que ajudaria a cerca
de 6.500 deficientes físicos com dificuldades para caminhar e subir
escadas, muitos Josés e Marias que quisessem adentrar aquela Casa
de Cultura de Maricá.
Assim, José venceu mais uma barreira e cumpriu mais uma missão.
A sua luta ajudou a unir os homens e mulheres de bem da nossa cidade.
Juntos e imbuídos dos mesmos ideais podemos e vamos construir uma
cidade e um mundo melhor para todos nós.
Um mundo onde a prática da humanidade seja uma constante, uma realidade,
um exemplo para as nossas crianças e jovens, tão carentes de impressões
públicas positivas que os ajudem a se transformar nos homens e mulheres
de bem do amanhã.
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