22/06/2007

O MANDAMENTO ESQUECIDO

........xxx......Mensagem de Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

 O quinto mandamento, escrito a fogo em pedra, não é apenas uma determinação que possa ser julgada pelo Direito como faz parecer. Bem mais extensa é sua abrangência. Os governantes se esquecem, ou se fazem de esquecidos para que não lhe pese na alma mais um mandamento nunca cumprido. Já chega dizer o Santo Nome em vão, que usam e abusam no dia-a-dia, e ainda mais em época de eleição. É um verdadeiro abre-te-sésamo para lembrar aos eleitores sua condição religiosa.

Nenhum político admite que matou, mas mata diariamente. Primeiro começa matando as boas iniciativas populares e empresariais, que podem tornar o mundo melhor até para ele e sua família. Matam as esperanças dos seus próprios eleitores, quando rejeitam, alegando muito constantemente interesses partidários, propostas altamente desenvolvimentistas.

Um político mata quando não usa de todos os meios disponíveis para evitar que haja pobreza, fome, desemprego, falta de assistência médica. É um genocídio que se recusam a admitir que provocam.

Em cada bala perdida, acionam o gatilho, quando nunca se esforçaram, de verdade, para acabar com a violência. Todas as formas de combate à violência dependem unicamente de decisão política em todos os níveis, mas nunca houve uma aliança forte para tomar tais decisões. Um movimento de tanta abrangência pode matar a galinha dos ovos de ouro. Como conquistar votos quando a violência não for mais a grande indústria eleitoral?

No Brasil, os problemas sociais, que dependem apenas de decisão política, matam mais por dia do que todas as guerras e guerrilhas atuais.

O quinto mandamento também é relativo ao meio ambiente. Termos como progresso e desenvolvimento são armas letais, em mãos políticas, contra o futuro das próprias gerações. Garantem monetariamente os familiares para legar aos mesmos apenas uma natureza de cinza, seca, fome e doenças.

Animais e plantas não são apenas os alvos da matança. Secam lagoas, rios e mangues; poluem praias; queimam florestas; vendem pedaços de floresta, mangues, rios, lagoas, que são de todos, em hasta pública. Nem cuidam de preservar o que se tem de água, nem estabelecem políticas para tratar de esgotos adequadamente. Assassinam a natureza a cada esgoto in natura lançado em rios e lagoas.

Promovem o assoreamento, permitem a retirada de areia das margens dos rios. Fecham os olhos para o aterro, tornando rios e lagoas uns filetes ou pequenas poças para futuro empreendimento imobiliário, ou campos de pelada. Deixam de lado a limpeza das águas, que têm seus espelhos reduzidos pelo lixo, matando peixes, destruindo o alimento de pássaros e outros animais.

Os crimes do quinto mandamento não são com os políticos, pois cidadãos respeitáveis não fazem mal a ninguém, só querem o bem da comunidade. Protegidos pelas imunidades, ungidos, contritos, rezam para um futuro melhor a custa de todos os crimes.

Maiores e mais freqüentes infratores da Lei, os políticos escapam, aqui, de sua aplicação por temporárias salvaguardas, que abençoam suas obras assassinas com água benta. Se com tanta contumácia rasgam constituições, decretos, leis terrenos, uma Lei secular divulgada por um Moisés, num deserto, bem que pode sofrer um rasgão que não terá mal nenhum. Afinal, para que existe imunidade parlamentar?

Amém!