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O
quinto mandamento, escrito a fogo em pedra, não é apenas uma determinação
que possa ser julgada pelo Direito como faz parecer. Bem mais extensa
é sua abrangência. Os governantes se esquecem, ou se fazem de esquecidos
para que não lhe pese na alma mais um mandamento nunca cumprido.
Já chega dizer o Santo Nome em vão, que usam e abusam no dia-a-dia,
e ainda mais em época de eleição. É um verdadeiro abre-te-sésamo
para lembrar aos eleitores sua condição religiosa.
Nenhum político admite
que matou, mas mata diariamente. Primeiro começa matando as boas
iniciativas populares e empresariais, que podem tornar o mundo melhor
até para ele e sua família. Matam as esperanças dos seus próprios
eleitores, quando rejeitam, alegando muito constantemente interesses
partidários, propostas altamente desenvolvimentistas.
Um político mata quando
não usa de todos os meios disponíveis para evitar que haja pobreza,
fome, desemprego, falta de assistência médica. É um genocídio que
se recusam a admitir que provocam.
Em cada bala perdida,
acionam o gatilho, quando nunca se esforçaram, de verdade, para
acabar com a violência. Todas as formas de combate à violência dependem
unicamente de decisão política em todos os níveis, mas nunca houve
uma aliança forte para tomar tais decisões. Um movimento de tanta
abrangência pode matar a galinha dos ovos de ouro. Como conquistar
votos quando a violência não for mais a grande indústria eleitoral?
No Brasil, os problemas
sociais, que dependem apenas de decisão política, matam mais por
dia do que todas as guerras e guerrilhas atuais.
O quinto mandamento
também é relativo ao meio ambiente. Termos como progresso e desenvolvimento
são armas letais, em mãos políticas, contra o futuro das próprias
gerações. Garantem monetariamente os familiares para legar aos mesmos
apenas uma natureza de cinza, seca, fome e doenças.
Animais e plantas não
são apenas os alvos da matança. Secam lagoas, rios e mangues; poluem
praias; queimam florestas; vendem pedaços de floresta, mangues,
rios, lagoas, que são de todos, em hasta pública. Nem cuidam de
preservar o que se tem de água, nem estabelecem políticas para tratar
de esgotos adequadamente. Assassinam a natureza a cada esgoto in
natura lançado em rios e lagoas.
Promovem o assoreamento,
permitem a retirada de areia das margens dos rios. Fecham os olhos
para o aterro, tornando rios e lagoas uns filetes ou pequenas poças
para futuro empreendimento imobiliário, ou campos de pelada. Deixam
de lado a limpeza das águas, que têm seus espelhos reduzidos pelo
lixo, matando peixes, destruindo o alimento de pássaros e outros
animais.
Os crimes do quinto
mandamento não são com os políticos, pois cidadãos respeitáveis
não fazem mal a ninguém, só querem o bem da comunidade. Protegidos
pelas imunidades, ungidos, contritos, rezam para um futuro melhor
a custa de todos os crimes.
Maiores e mais freqüentes
infratores da Lei, os políticos escapam, aqui, de sua aplicação
por temporárias salvaguardas, que abençoam suas obras assassinas
com água benta. Se com tanta contumácia rasgam constituições, decretos,
leis terrenos, uma Lei secular divulgada por um Moisés, num deserto,
bem que pode sofrer um rasgão que não terá mal nenhum. Afinal, para
que existe imunidade parlamentar?
Amém!
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