21/03/2007
Recebido por mail  de  Luiz da Silva Mattos
Homenagem ao Dia da Poesia
O último dos românticos

    O último dos românticos

 

Em tempos de outrora, o “Suplício de uma saudade” chorar fazia

quando era “Tarde de mais para esquecer” e lenço encharcado

por personagem materializada em soluços e lágrimas se desfazia.

 

A menina casadoira, virgem ao dizer o sim, despedia-se à viagem;

tomava o lugar na úmida e misteriosa lua, por abelhas, embebida,

deixando a mãe chorar em comoção de alegria, quiçá de tristeza.

 

Saudade de outrora! Romances, românticos, e dos romanceiros;

deusa dos lábios de mel e do boto-cor-de-rosa que fazia o seu papel.  

 

Caprichos ou sonhos levados à prosa por nós, artesãos da palavra,

de fantasiosos ou comezinhos fatos tirados de arrabalde suburbano,

em melodramas vivenciados ou passados nos bastidores da vida.

 

Sou aquele sonhador ainda embevecido em noite clara de lua-cheia,

levado às brumas do devaneio milenar pelo pastor da Estrela Vésper;

vale encantado, recesso da morada das Ursas: a Maior e a Menor.

 

Quisera encontrar um caminho que somente me falasse de amor!

Sentir o perfume que exala de rosas, margaridas e outras flores;

mulheres que deixam no rastro sinuoso do andar, encanto e magia;

encontrar sob o sereno da madrugada o seresteiro a falar de amor,

dedilhando em suas cordas apaixonadas, acordes, prantos e fantasia.

 

Nessa caminhada romanesca sem encontrar as quimeras perdidas,

recolho de mim, o que resta dos restos de um simplório devaneador

perdido nos passos de outro tempo.

 

Nada vejo aos balcões, que restam carcomidos, vencidos pelos anos

em que outrora pendiam flores e brotavam as lágrimas e suspiros,

amor e paixão quantas vezes irrealizados, mas fiéis no seu querer.

 

As luzes se apagaram; a ribalta silenciou o último dos românticos.

lsmattos