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O último dos
românticos
Em tempos de outrora,
o “Suplício de uma saudade” chorar fazia
quando era “Tarde de
mais para esquecer” e lenço encharcado
por personagem materializada
em soluços e lágrimas se desfazia.
A menina casadoira,
virgem ao dizer o sim, despedia-se à viagem;
tomava o lugar na úmida
e misteriosa lua, por abelhas, embebida,
deixando a mãe chorar
em comoção de alegria, quiçá de tristeza.
Saudade de outrora!
Romances, românticos, e dos romanceiros;
deusa dos lábios de
mel e do boto-cor-de-rosa que fazia o seu papel.
Caprichos ou sonhos
levados à prosa por nós, artesãos da palavra,
de fantasiosos ou comezinhos
fatos tirados de arrabalde suburbano,
em melodramas vivenciados
ou passados nos bastidores da vida.
Sou aquele sonhador
ainda embevecido em noite clara de lua-cheia,
levado às brumas do
devaneio milenar pelo pastor da Estrela Vésper;
vale encantado, recesso
da morada das Ursas: a Maior e a Menor.
Quisera encontrar um
caminho que somente me falasse de amor!
Sentir o perfume que
exala de rosas, margaridas e outras flores;
mulheres que deixam
no rastro sinuoso do andar, encanto e magia;
encontrar sob o sereno
da madrugada o seresteiro a falar de amor,
dedilhando em suas
cordas apaixonadas, acordes, prantos e fantasia.
Nessa caminhada romanesca
sem encontrar as quimeras perdidas,
recolho de mim, o que
resta dos restos de um simplório devaneador
perdido nos passos
de outro tempo.
Nada vejo aos balcões,
que restam carcomidos, vencidos pelos anos
em que outrora pendiam
flores e brotavam as lágrimas e suspiros,
amor e paixão quantas
vezes irrealizados, mas fiéis no seu querer.
As luzes se apagaram;
a ribalta silenciou o último dos românticos.
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