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Cadeirante desde os 20 anos de idade, Luiz Cláudio Pontes, hoje
com 43, foi um dos atletas portadores da tocha Parapan-americana
na solenidade de abertura dos Jogos Parapan-americanos Rio 2007,
domingo passado, na Arena Multiuso do Rio, na Barra da Tijuca. A
preocupação dele à frente da superintendência é quebrar os preconceitos
que ainda existem na sociedade com as pessoas com deficiência e,
principalmente, ampliar as condições plenas de acesso a todo tipo
de dependências, sejam elas desportivas, de trabalho e serviços.
- A realização dos Jogos Parapan-americanos no Rio de Janeiro é
a oportunidade de mostrar à sociedade que existe o esporte para
deficientes e estes devem contar com apoio e infra-estrutura. Os
Jogos servem de incentivo para que pessoas com qualquer tipo de
deficiência física e ou sensorial busquem não apenas seus direitos
enquanto cidadãos, mas particularmente servir como terapia mental,
sensorial e física – explicou Pontes.
Para o superintendente de Políticas para Pessoas com Deficiência,
que atualmente cursa o 6º período de Educação Física nas Faculdades
Integradas Maria Theresa, o trabalho mais imediato neste momento
é o de difundir e garantir os direitos dos portadores de deficiências
físicas.
- Hoje os Jogos Parapan-americanos estão nos mostrando que tudo
funciona bem e sem dificuldades maiores para os deficientes. Nossa
principal preocupação é depois dos Jogos. Os acessos nas arenas,
por exemplo, serão mantidos? Os meios de transportes, como os ônibus
preparados para os deficientes, obesos, idosos e gestantes vão continuar
circulando? – indagou.
Neste particular, Pontes e a superintendência acompanham de perto
a tramitação do Decreto 5296/2004, da Lei 10.098/2000, que define
diretrizes no sentido de que toda a frota nacional de coletivos
– municipais e interestaduais - seja adequada para o uso de deficientes
até 2014.
- O Brasil é um grande exportador de ônibus preparados com piso
baixo para atender confortavelmente portadores de deficiência física,
mas ao mesmo tempo um país pouco consumidor desse que é um item
importantíssimo para o deficiente: o transporte universal e locomoção
– salientou o superintendente.
Na manhã desta terça-feira, na Arena Multiuso do Rio, Pontes assistiu
ao jogo Brasil 34 X 57 México, pelo torneio feminino de basquete
em cadeira de rodas. Apesar do resultado não favorável à equipe
brasileira, o importante, segundo ele, foi a participação cada vez
maior de deficientes em todas as modalidades parapan-americanas,
o público presente e a conquista de medalhas pelos atletas brasileiros.
Enquanto no prédio da Secretaria de Segurança, onde o medalhista
de prata Alexandre Gouveia trabalha e é erguido dezenas de vezes
pelo sistema mecânico dos elevadores, nos Jogos Parapan-americanos,
este papel foi invertido:
saíram as engrenagens e entraram os músculos. Na última segunda-feira,
na arena do Complexo Esportivo Riocentro, as fontes da força foram
os braços do próprio ascensorista, um dos 15 halterofilistas brasileiros
convocados para a competição.
- Fiz um bom resultado e representei meu país com vontade e raça.
É importante também conseguir uma vaga nos Jogos Paraolímpicos de
Pequim 2008 e aumentar a delegação brasileira – planejava Gouveia,
atualmente sexto colocado no ranking brasileiro e que, em outubro,
vai tentar a classificação no Campeonato Brasileiro de Halterofilismo.
- Estou correndo atrás. Treino três vezes por semana. Até outubro
vou intensificar os treinamentos para garantir minha vaga – completou
o atleta de 27 anos que disputou a categoria até 56 kg.
Alexandre Whitaker, medalha de ouro no halterofilismo, categoria
masculina peso leve, após levantar 177,5 kg, ocupa a nona colocação
no ranking mundial, classificatório para os Jogos Paraolímpicos
de Pequim.
- Esta conquista foi fruto do trabalho de toda minha equipe. Nosso
objetivo era conseguir chegar a 200 kg, já que minha marca pessoal
é de 192 kg, mas não foi desta vez. Agora vou tirar uma semana de
folga. Chega de dieta e de treino nesse período. Depois vou me preparar
para Pequim – disse Whitaker.
No público presente na Arena Multiuso, centenas de estudantes e
deficientes físicos incentivaram as atletas do basquete.
Anderson Macieira Renzettida Silva, 19 anos, e a namorada Verônica
da Silva Gomes, 24 anos, ambos cadeirantes portadores de paralisia
cerebral vieram especialmente de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense,
para assistir a rodada completa de basquete na Arena Multiuso.
- Foi um dia diferente para eles. Os dois vieram especialmente para
torcer pelo Brasil. Oportunidades com estas não são muito comuns,
mas a vontade de estar próximos de atletas com deficiência motora
como a deles foi maior – explicou a mãe de Anderson, Jane Macieira
Renzetti.
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