16/08/2007
PARAPAN REITERA DIREITOS DOS DEFICIENTES FÍSICOS
........xxx......Mensagem de Luiz Claudio Pontes
14/8/2007 - 16h32  
Por Rafael Masgrau

O superintendente de Políticas para Pessoas com Deficiência, órgão da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, Luiz CláudioPontes, está acompanhando ao vivo boa parte das competições dos III Jogos Parapan- americanos Rio 2007, com especial atenção ao halterofilismo, modalidade na qual ele se destacou no passado, na categoria até 82,5 kg, quando em 1997 conquistou os campeonatos brasileiro e mundial.

Cadeirante desde os 20 anos de idade, Luiz Cláudio Pontes, hoje com 43, foi um dos atletas portadores da tocha Parapan-americana na solenidade de abertura dos Jogos Parapan-americanos Rio 2007, domingo passado, na Arena Multiuso do Rio, na Barra da Tijuca. A preocupação dele à frente da superintendência é quebrar os preconceitos que ainda existem na sociedade com as pessoas com deficiência e, principalmente, ampliar as condições plenas de acesso a todo tipo de dependências, sejam elas desportivas, de trabalho e serviços.

- A realização dos Jogos Parapan-americanos no Rio de Janeiro é a oportunidade de mostrar à sociedade que existe o esporte para deficientes e estes devem contar com apoio e infra-estrutura. Os Jogos servem de incentivo para que pessoas com qualquer tipo de deficiência física e ou sensorial busquem não apenas seus direitos enquanto cidadãos, mas particularmente servir como terapia mental, sensorial e física – explicou Pontes.

Para o superintendente de Políticas para Pessoas com Deficiência, que atualmente cursa o 6º período de Educação Física nas Faculdades Integradas Maria Theresa, o trabalho mais imediato neste momento é o de difundir e garantir os direitos dos portadores de deficiências físicas.

- Hoje os Jogos Parapan-americanos estão nos mostrando que tudo funciona bem e sem dificuldades maiores para os deficientes. Nossa principal preocupação é depois dos Jogos. Os acessos nas arenas, por exemplo, serão mantidos? Os meios de transportes, como os ônibus preparados para os deficientes, obesos, idosos e gestantes vão continuar circulando? – indagou.

Neste particular, Pontes e a superintendência acompanham de perto a tramitação do Decreto 5296/2004, da Lei 10.098/2000, que define diretrizes no sentido de que toda a frota nacional de coletivos – municipais e interestaduais - seja adequada para o uso de deficientes até 2014.

- O Brasil é um grande exportador de ônibus preparados com piso baixo para atender confortavelmente portadores de deficiência física, mas ao mesmo tempo um país pouco consumidor desse que é um item importantíssimo para o deficiente: o transporte universal e locomoção – salientou o superintendente.

Na manhã desta terça-feira, na Arena Multiuso do Rio, Pontes assistiu ao jogo Brasil 34 X 57 México, pelo torneio feminino de basquete em cadeira de rodas. Apesar do resultado não favorável à equipe brasileira, o importante, segundo ele, foi a participação cada vez maior de deficientes em todas as modalidades parapan-americanas, o público presente e a conquista de medalhas pelos atletas brasileiros.

Enquanto no prédio da Secretaria de Segurança, onde o medalhista de prata Alexandre Gouveia trabalha e é erguido dezenas de vezes pelo sistema mecânico dos elevadores, nos Jogos Parapan-americanos, este papel foi invertido:
saíram as engrenagens e entraram os músculos. Na última segunda-feira, na arena do Complexo Esportivo Riocentro, as fontes da força foram os braços do próprio ascensorista, um dos 15 halterofilistas brasileiros convocados para a competição.

- Fiz um bom resultado e representei meu país com vontade e raça. É importante também conseguir uma vaga nos Jogos Paraolímpicos de Pequim 2008 e aumentar a delegação brasileira – planejava Gouveia, atualmente sexto colocado no ranking brasileiro e que, em outubro, vai tentar a classificação no Campeonato Brasileiro de Halterofilismo.

- Estou correndo atrás. Treino três vezes por semana. Até outubro vou intensificar os treinamentos para garantir minha vaga – completou o atleta de 27 anos que disputou a categoria até 56 kg.

Alexandre Whitaker, medalha de ouro no halterofilismo, categoria masculina peso leve, após levantar 177,5 kg, ocupa a nona colocação no ranking mundial, classificatório para os Jogos Paraolímpicos de Pequim.

- Esta conquista foi fruto do trabalho de toda minha equipe. Nosso objetivo era conseguir chegar a 200 kg, já que minha marca pessoal é de 192 kg, mas não foi desta vez. Agora vou tirar uma semana de folga. Chega de dieta e de treino nesse período. Depois vou me preparar para Pequim – disse Whitaker.

No público presente na Arena Multiuso, centenas de estudantes e deficientes físicos incentivaram as atletas do basquete.

Anderson Macieira Renzettida Silva, 19 anos, e a namorada Verônica da Silva Gomes, 24 anos, ambos cadeirantes portadores de paralisia cerebral vieram especialmente de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para assistir a rodada completa de basquete na Arena Multiuso.

- Foi um dia diferente para eles. Os dois vieram especialmente para torcer pelo Brasil. Oportunidades com estas não são muito comuns, mas a vontade de estar próximos de atletas com deficiência motora como a deles foi maior – explicou a mãe de Anderson, Jane Macieira Renzetti.