|
Editado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da
República.
A Advocacia-Geral da União (AGU) é o mais elevado órgão de
assessoramento jurídico do Poder Executivo. Empossado pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva em 12 de março deste ano, José Antonio
Dias Toffoli é o atual ministro responsável pela AGU. Em entrevista
ao Em Questão, o ministro fala sobre seus projetos frente ao órgão,
dos esforços para aproximar a AGU dos cidadãos e das iniciativas
que visam dar mais agilidade na solução dos contenciosos que envolvem
os vários níveis do governo federal. A seguir, os principais trechos
da entrevista.
Em Questão - Qual balanço o senhor faz após estes cinco meses à
frente da AGU?
José Antônio Toffoli - Neste período nós procuramos dar uma dinâmica
mais pró- ativa para a Advocacia da União, mostrando que o trabalho
da AGU vai muito além da prestação de consultoria ao Executivo.
A AGU faz o contencioso de todo estado federal brasileiro, de toda
a União, que envolve também os Poderes Legislativo e Judiciário,
o Tribunal de Contas e o Ministério Público. No que diz respeito
à consultoria, a Advocacia-Geral da União atua em toda a administração
direta, ministérios e órgãos vinculados, bem como em todas as autarquias
e fundações. A AGU é um sistema. Está presente em todo o poder executivo
e faz a defesa judicial de toda a União. Tendo em vista que a AGU
é um órgão de Estado e que a população brasileira é sua cliente
final, nós criamos a Ouvidoria por considerarmos muito importante
ter um canal de relação da AGU com a sociedade. Muitas vezes o cidadão
quer levar um pleito, uma denúncia, quer fazer um requerimento e
não sabe a quem se dirigir. É através da Ouvidoria da Advocacia
Geral da União que ele tem essa possibilidade de diálogo. Nós montamos
também um grupo executivo, que envolve a Procuradoria-Geral da União,
a Consultoria-Geral da União e a Procuradoria- Geral Federal, a
fim de monitorar todas as ações judiciais que afetem obras do Plano
de Aceleração do Crescimento e garantir que não haja obstáculos
judiciais para a realização das obras. Até o momento já identificamos
mais de 140 destas ações e nenhuma obstrui o andamento do PAC. Esse
mesmo grupo executivo acompanha também as licitações e a elaboração
de todos os pareceres jurídicos para evitar conflitos entre órgãos.
EQ - Qual o objetivo da implantação de um escritório avançado no
TCU?
JAT - Esta é uma estratégia de aproximação com o Tribunal de Contas
da União que, ao alocar advogados públicos para atuar na sede do
tribunal, pretende tornar mais céleres as medidas cautelares, judiciais
e liminares impostas pelo TCU em processos administrativos. Existem
milhares de ações propostas pelo TCU, e um montante de cerca de
R$ 20 bilhões de multas e condenações aplicadas pelo tribunal, que
estão em processo de execução por parte da AGU. Com o escritório,
o TCU pode agir de maneira ágil para garantir o ressarcimento de
verbas públicas desviadas, por meio da atuação de advogados da União
em ações de quebra de sigilo e bloqueio de bens, por exemplo. Hoje,
sem essas medidas cautelares, cidadãos investigados ou condenados
se desfazem do patrimônio para fugir das execuções judiciais.
EQ - Gostaria que o senhor comentasse sobre a parceira entre a AGU
e CGU na fiscalização dos municípios?
JAT - A atuação conjunta entre Advocacia-Geral da União e Controladoria-Geral
da União foi ampliada. As duas instituições estudam o aperfeiçoamento
da Lei nº 8.112/90, que trata do regime jurídico dos servidores
públicos civis federais, nas questões relativas à responsabilização
administrativa, para promover uma maior efetividade dos procedimentos
de investigação no Processo Administrativo Disciplinar. Essa parceria
prevê o cumprimento de metas estabelecidas pela Estratégia Nacional
de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), especialmente
aquelas sob responsabilidade da CGU e da AGU. Essas alterações serão
levadas ao presidente da República para eventual submissão ao Congresso
Nacional. A AGU colocou à disposição da CGU a expertise da Procuradoria-Geral
da União para eventuais ações de apoio que sejam necessárias junto
ao poder judiciário.
EQ - Como está o Departamento de Patrimônio e Probidade?
JAT - A AGU tomou a iniciativa de criar este departamento para dar
um apoio maior às ações de recuperação de verbas públicas malversadas
e estabelecer uma atuação pró-ativa da instituição no combate a
agentes públicos que desviam recursos ou não são probos. A AGU não
existe apenas para defender a União, mas também para tomar o pólo
ativo, para entrar na Justiça contra aqueles que causaram algum
dano, algum prejuízo ao erário, ao Estado. Antes, a AGU tinha uma
postura preponderantemente reativa. Queremos, por meio deste departamento,
que o advogado público federal seja um grande ator no combate à
corrupção, no combate à improbidade.
EQ - E a Procuradoria-Geral Internacional?
JAT - Hoje já existe na AGU, dentro da estrutura da Procuradoria
Geral da União, um Departamento Judicial Internacional. A proposta
da Procuradoria Internacional é de aparelhar melhor este departamento.
Na medida que a Advocacia Geral da União faz a representação judicial
da União, ela também a representa judicialmente em instâncias internacionais.
Essa representação não é substitutiva das atribuições do Itamaraty.
Quem faz a representação, sem dúvida nenhuma, da política externa
e das ações das políticas públicas de governo em matérias de relações
internacionais é o Itamaraty. A Procuradoria Internacional não se
propõe, de maneira alguma, substituir o papel do Ministério de Relações
Exteriores. O advogado nunca substitui o cliente. O advogado assessora
o cliente. Quem faz toda a consultoria judicial da União, pela constituição,
é a AGU. Portanto, quem faz consultoria para o Itamaraty, seja no
Brasil ou no exterior, tem que ser a AG U. Caso contrário, o governo
terá problemas junto ao TCU, Ministério Público, Judiciário. Cabe
à AGU aparelhar-se para prestar essa assessoria jurídica. Em matéria
de contencioso também não existe outro órgão competente para representar
judicialmente a União, só a AGU. Evidentemente que essa representação
judicial é feita conforme solicitação do cliente, no caso o cliente
da AGU é a União. No que diz respeito a matérias internacionais,
o comando da a política exterior é do Itamaraty, sob supervisão
do presidente da República. A nossa meta é aparelhar, gradualmente,
a Procuradoria-Geral Internacional para que, com o tempo, não seja
necessário contratar advogados privados para atuar junto ao Itamaraty.
EQ - E o trabalho das câmaras, quais as propostas?
JAT - As câmaras de conciliação são extremamente importantes porque
evitam os conflitos judiciais entre órgãos da administração direta
ou indireta. Nossos levantamentos apontam a existência de centenas
de ações em que as partes são órgãos da própria administração federal.
Sejam autarquias contra autarquias no Poder Judiciário litigando,
sejam autarquias contra a União ou a União contra autarquias. Não
existe nenhuma razoabilidade a União terceirizar esses conflitos
levando-os para o Poder Judiciário. É preciso haver um foro próprio,
interno, administrativo, para resolver esses conflitos.
EQ - Qual caso, por exemplo?
JAT - Recentemente tivemos um caso do próprio PAC envolvendo uma
rodovia federal no Amazonas. O Dnit e o Ibama não chegavam a uma
conclusão sobre a situação da rodovia. O Ibama entendia que era
uma nova rodovia. O Dnit entendia que era a recuperação de uma rodovia
antiga. E aí tem toda uma diferenciação no que diz respeito a impacto
ambiental e então a AGU, através de uma câmara de conciliação, fez
o arbitramento em relação a esses dois órgãos e foi assinado um
termo de acordo, no qual se estabeleceu um consenso sobre a característica
da rodovia e o tipo de licenciamento ambiental necessário para a
realização da obra. Ou seja, isso agiliza e torna mais racional
a solução de eventuais desembaraços que tenham que ser feitos. Também
temos câmaras instaladas que envolvem outros órgãos de governo,
como a Fundação Zumbi dos Palmares, Ibama, Iphan, Seppir, Gabinete
de Segurança Institucional. São questões que, havendo conflito,
a legislaçã o prevê que a AGU é o órgão de arbitragem e solução.
EQ - A AGU realiza nos dias 15, 15 e 17 de agosto um seminário nacional
para debater o futuro da Advocacia-Geral da União. Como deve ser
esse futuro?
JAT - Nesse seminário pretendemos demonstrar que a Advocacia-Geral
da União é uma realidade, um órgão de Estado que deve ser cada vez
mais aprimorado e estruturado para o melhor exercício de suas funções.
A AGU é um órgão novo, tem 14 anos. A idéia é mostrar exatamente
que a AGU é um órgão de sistema, previsto na Constituição como função
essencial à Justiça, com toda uma estrutura de organização e racionalidade
que perpassa todo serviço de consultoria do executivo federal, seja
nas autarquias, fundações ou na administração direta, bem como na
representação judicial e extrajudicial dos três poderes. Costumam
dizer que a AGU é o maior escritório de advocacia que existe no
País. Isso é pouco para descrever uma instituição que atua no aconselhamento
e contencioso, movendo ações que impedem a saída de bilhões de reais
dos cofres públicos, garantindo o equilíbrio das contas do governo
e a execução de políticas públicas em áreas como saúde e educação.
|