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Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo
e preservá-lo pata as presentes e futuras gerações.
Princípio de Precaução é Constitucional - “Quando houver perigo
de dano grave ou irreversível, a falta de certeza científica absoluta
não deverá ser utilizada como razão para postergar a adoção de medidas
eficazes, em função dos custos, para impedir a degradação do meio
ambiente” (Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
- JUN/92).
No Gerenciamento Costeiro (GERCO) nosso município é imprescindível
para a conservação da cadeia alimentar e não apenas dos mares, pois
muitas espécies de aves marinhas precisam da nossa restinga para
reprodução e proteção. O nosso país é signatário da Convenção das
Nações Unidas sobre Direito do Mar(CNUDM) e uma das regras é não
quebrar a cadeia alimentar. Desde os anos 50 que nosso país pleiteia
a entrada nesta convenção. O mar de 200 milhas faz parte disto como
também as 70 milhas recém conquistadas. Mas para conservá-las e
continuar explorando a plataforma marítima: petróleo e outros minerais,
teremos de cumprir o que foi acordado. Passaram-nos a idéia da Amazônia
Azul, mas é mais do isto. A atividade pesqueira é uma das potencialidades
da Amazônia Azul. No mundo, o pescado representa valiosa fonte de
alimento e de geração de empregos. Em termos de futuro, estima-se
que, até 2020, a produção pesqueira mundial cresça 40%, saindo das
atuais 100 milhões de toneladas, para 140 milhões. No Brasil, a
aqüicultura é o principal macro-vetor da produção pesqueira, com
o cultivo de espécies em fazendas no litoral e em águas interiores.
No passado o Estado do Rio de Janeiro foi o primeiro lugar em pesca
do Brasil e Marica contribuía com 30 % do pescado.
Podemos pensar em ter aqui uma UNIVERSIDADE DO MAR. Voltada também
para pesquisas marinhas: aves, flora e fauna. Isto nos traria visitantes
durante todo o ano, portanto renda. Na aqüicultura teremos a criação
de peixes em viveiros e em tanques-rede, criação de ostra, cultura
de algas e atividades de maricultura. A área privada pode oferecer
emprego em empresas de produção, industrialização e comercialização
de recursos pesqueiros, principalmente nas fazendas de criações
de camarões, moluscos e peixes; empresas de consultoria, assim como
prestação de serviços relacionados ao setor pesqueiro. Até mesmo
um horto para reflorestamento de manguezais poderá ser de interesse.
Maquiaram nosso município de área para turismo pedratório, mas nossa
potencialidade é bem outra. Há de ter turismo sim, e que poderá
trazer renda para todos e não só os habitantes da restinga. Podemos
ter aqui um turismo histórico, ambiental, pescaria controlada e
até mesmo o religioso já que no passado estiveram aqui os jesuítas,
beneditinos e a história relata um cristão novo fugido da inquisição
que teria chegado antes de 1635 . Nas doações de terras em sesmarias
tivemos a primeira, em 8 de janeiro de 1574, dada a Antonio de Marins
que pode ter descendentes na Colônia de Zacarias situada na ameaçada
e cobiçada restinga. Devemos preservar nosso patrimônio natural,
histórico, étnico e cultural, pois eles é que nos trarão renda.
Na comunidade de Zacarias o sobrenome mais encontrado é o MARINS
que quando entramos na história vamos longe. Maricá um dia se renderá
em gratidão a este povo que luta e resiste e assim nos garante a
água, como? Simplesmente garantido a sobrevivência da lagoa até
agora . Sem o sistema lagunar o lençol freático secará em alguns
lugares e em outros salinizará. Mas a ordem é acabar com as lagoas
e parcelar as terras.
Para que resort 6 estrelas que irá usar e depois ficaremos a dizer
“ um dia houve uma restinga aqui’! Podemos ter outro tipo de acomodações
como Niterói saiu na frente cadastrando famílias que queriam participar
do turismo na cidade colocando aposentos em suas residências a disposição.
Foram famílias de Itaipu, Gamboinhas, Pendotiba a até mesmo de Icaraí.
Ora, temos muitas residências em toda Maricá grandes e confortáveis
localizadas em lugares de 10 estrelas. As pousadas que já existem
se quiserem poderão ser beneficiadas com uma linha de credito a
ser criada para este fim, ou seja, de turismo sustentável e que
beneficie o município como um todo.
E água? Já pensaram nisto? Quem usa as águas do Rio Ubatiba já foi
informada que sua vasão está bem menor do era? Sabem o Rio Imunana
Laranjal não tem como suportar nem o que ele abastece hoje? Que
trazer água do Rio São João será muito caro e inviável? Que impermeabilizando
nossas fossas e filtros, fazendo o replantio da Mata Ciliar nos
rios e córregos podemos ter um aumento na vasão dos nossos mananciais?
Que no caso de áreas com problemas de salinização podemos usar a
energia solar? Estamos no tempo do reuso da água, do não desperdício,
do uso sustentável, do uso de águas pluviais. Não se iludam com
a historia de trazer água do São João.
Nosso cordão costeiro é extremamente frágil tendo apenas a parte
do Francês e a APA de Maricá com menor risco de erosão em função
da presença de um campo de dunas, da vegetação de restinga bem desenvolvida
e da menor exposição às ondas de tempestade devido a proteção das
ilhas Maricás. Além de apresentar instabilidade predominantemente
fraca, não possui construções e nem tendência de ocupação por se
tratar de uma zona non-aedificandi (decreto nº. 7320, 1984).
A Zona Costeira Nacional é motivo de cobiça pela sua extensão e
riquezas muitas ainda desconhecidas. A sua imensa extensão, de cerca
de 8.500 km ao longo de sua linha de litoral, mas o país é dependente
das lagoas costeiras e manguezais para viveiros naturais. Sem eles
não cumpriremos a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do
Mar, que prevê que uma das inúmeras obrigações de seus signatários
é não quebrar a cadeia alimentar . Nossa Marinha de Guerra está
sem navios adequados à nova realidade, e agora?
Nossas lagoas eram acima do nível do mar, exatamente 1,20 m e eram
elas que estouravam o cordão costeiro abrindo as barras nativas.
Com a abertura do Canal de Ponta Negra ( a pretexto de saneamento?)
o nível das lagoas desceram e hoje a maioria dos moradores se encontra
nessas áreas tomadas ao sistema lagunar. Isto não seria um problema
já que a Holanda e os paises baixos estão abaixo dele também, mas
lá existe um sistema de bombas em sua maioria utilizando energias:
solar, eólica e fotovoltaica. Alem do mais tem um sistema de diques
e comportas. E aqui, o que existe? Nada! Ou seja, não era para estarmos
discutindo resort pedrador e sim a longevidade do sistema lagunar
e recuperação do cordão costeiro em Itaipuaçú e Cordeirinho/Barra
de Marica, mas ao invés disto estamos lutando contra a ditadura
do poder e do dinheiro que quer acabar com a parte do cordão costeiro
com menos risco de erosão.
Aqui em nosso município apenas desceram a lagoas e colocaram gente
no lugar delas. Por isso quando chove podemos ver a situação de
pânico que algumas pessoas ficam. Choveu forte em abril de 1990,
segundo o IBGE foram 179 mm no dia. Em 1988 as chuvas levaram as
pontes de Inoã e de Marica. Mas tivemos chuvas fortes em 1995, 1997.
2001 que levaram casas e quiosques, esqueceram? Em 2005 onde deu
um metro no centro de Marica com um índice pluviométrico de 7 mm.
Mudanças climáticas ou construções em locais do sistema lagunar?
Será que quem mora nos condomínios do outro lado da Lagoa de Maricá
sabe do que pode acontecer? Será que sabem que o patrimônio que
pensam que terá uma valorização, após a calamidade que este ato
de degradação valerá muito menos! Sem lagoa e sem água . ATENÇÃO!
Isto vale para todos nós que aqui moramos
Em 1996 casas avaliadas em 25 mil passaram a valer 5 mil (JORNAL
O DIA de 1996). As águas das lagoas amortecem a força do impacto
das ondas e sua entrada por percolação no cordão arenoso e também
mantém o nível do lençol freático.
Existe um trabalho feito na UFRJ código 115129 em 2002 sob o titulo
“Projeto Básico para Recuperação do Cordão litorâneo na Área de
Interesse da Infraero, Marica, RJ” Logo a INFRAERO que ocupa uma
parte segura no cordão costeiro. Mas com certeza está preocupada
com o aeroporto. Será que a obra no aeroporto de Cabo Frio seria
aqui e desistiram? Quem sabe nosso aeroporto já não tem uma área
programada para uma futura mudança? É bom lembrar que o aeroporto,
o fórum e praticamente todo o centro de Maricá estão em área lagunar.
E a prefeitura vai mudar-se para aonde? Algum condomínio a beira
da RJ106? E o povo? Está sendo comunicado do risco que corre ou
enganado com a falsa promessa de 40 mil empregos .
Nós já temos problemas demais e acho que não precisamos de um resort
pedrador. Acho que ninguém pode ser contra o progresso e geração
de empregos ,mas a verdade deve ser mostrada ao povo de Maricá pois
o poder emana dele e ele decidirá com apoio de gente capacitada
( de nosso país)a resolvermos este impasse.
Devemos saber que em 1990 foi lançado o Plano Indutor de Turismo
para a Região dos Lagos, a partir de um Convênio entre o Governo
do Estado: Agência de Desenvolvimento do Estado AD-Rio e o Consórcio
de Promoção Turística da Catalunha, na Espanha. Será que é daí que
vem a ameaça? Fizeram um rol e rifaram? Parece o tempo do Tratado
de Tordesilhas , só que agora eles estão juntos!
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