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A carnavalesca vinda
da Madrilisboa, para liquidar com a Área de Proteção Ambiental de
Maricá, assanhou a politicalha municipal com todos querendo tirar
uma casquinha. A “inteligência” política descobriu que, com a vinda
de tantos turistas (será?) e de um empreendimento luso-espanhol,
vai haver necessidade do cidadão maricaense ser bilíngüe, ou trilíngüe.
E agora falam em criar uma escola de turismo e instalar cursos de
espanhol e de inglês na rede municipal. Como sempre, os políticos
estão no ar, viajando em outros países.
A vereadora Heliane
Assunta sai em defesa da criação de cursos de idiomas nas escolas
do município, mas para receber que turistas? Os espanhóis? Não há
necessidade, pois entendem perfeitamente o português, que é do mesmo
ramo lingüístico. Quanto ao inglês, talvez para compreender filmes
legendados. Como vai haver dois grandes campos de golfe, também
pode-se criar um curso técnico de carregador de tacos de golfe com
“caddies” trilíngües.
O que a vereadora esquece
é da educação municipal, pois não deve nunca ter visto as atrocidades
contra o português cometidas nas escolas locais. Antes de sugerir
tais cursos, a vereadora deveria pousar nas escolas mal cuidadas,
com professores mal pagos, péssimo ensino, alunos mal sabendo escrever
em português e... sem bibliotecas! Com uma educação de tal qualidade,
não servirá saber espanhol ou inglês, pois os alunos não sabem sequer
português. É mais uma daquelas idéias colecionáveis e eleitoreiras
que os políticos sacam da cartola para garantir os votos de mais
um quadriênio bem pago. Pois veremos estudantes sabendo(?) inglês,
espanhol e neca de português.
Outra “magnífica” solução,
com o aval da empresa imobiliária luso-espanhola, é a instalação
de uma escola técnica de Turismo. Talvez não se saiba o quanto custa
uma escola técnica, que passou voando baixo pela estrada e foi se
instalar em Cabo Frio. Quando a primeira turma se formar, os empregos
para que tanto lutaram estarão tomados por gente de fora, já que
precisaram de três ou quatro anos para pegar o diploma. Se forem
aproveitados 10 alunos (numa hipótese mais do que irreal), o que
farão os demais? Vão procurar emprego fora ou se instalar como camelôs
trilíngües para orgulho da comunidade política maricaense. Talvez,
quem sabe, serem peões da imobiliária na APA ou “caddies”.
Os políticos devem
cobrar uma educação séria, com extensa e bem cuidada rede (cadê
o CAIC com formação profissionalizante?) para ampliar o leque de
opções do estudante, mas não empacar no imediatismo da imbecil “oferta
futura de trabalho”. Ocupar o estudante em horário integral, inclusive
através de palestras, seminários etc, para que não fique zanzando
sem o que fazer.
Pensar no futuro como
pensam, nem o futurólogo Hemann Khan, em seus melhores dias de desarranjo
mental, captaria as mentes políticas maricaenses, mais afinadas
com o descompasso da realidade.
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