15/06/2007
VAMOS HABLAR ENGLISH E PORTUNHOL
........xxx......Mensagem de Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

A carnavalesca vinda da Madrilisboa, para liquidar com a Área de Proteção Ambiental de Maricá, assanhou a politicalha municipal com todos querendo tirar uma casquinha. A “inteligência” política descobriu que, com a vinda de tantos turistas (será?) e de um empreendimento luso-espanhol, vai haver necessidade do cidadão maricaense ser bilíngüe, ou trilíngüe. E agora falam em criar uma escola de turismo e instalar cursos de espanhol e de inglês na rede municipal. Como sempre, os políticos estão no ar, viajando em outros países.

A vereadora Heliane Assunta sai em defesa da criação de cursos de idiomas nas escolas do município, mas para receber que turistas? Os espanhóis? Não há necessidade, pois entendem perfeitamente o português, que é do mesmo ramo lingüístico. Quanto ao inglês, talvez para compreender filmes legendados. Como vai haver dois grandes campos de golfe, também pode-se criar um curso técnico de carregador de tacos de golfe com “caddies” trilíngües.

O que a vereadora esquece é da educação municipal, pois não deve nunca ter visto as atrocidades contra o português cometidas nas escolas locais. Antes de sugerir tais cursos, a vereadora deveria pousar nas escolas mal cuidadas, com professores mal pagos, péssimo ensino, alunos mal sabendo escrever em português e... sem bibliotecas! Com uma educação de tal qualidade, não servirá saber espanhol ou inglês, pois os alunos não sabem sequer português. É mais uma daquelas idéias colecionáveis e eleitoreiras que os políticos sacam da cartola para garantir os votos de mais um quadriênio bem pago. Pois veremos estudantes sabendo(?) inglês, espanhol e neca de português.

Outra “magnífica” solução, com o aval da empresa imobiliária luso-espanhola, é a instalação de uma escola técnica de Turismo. Talvez não se saiba o quanto custa uma escola técnica, que passou voando baixo pela estrada e foi se instalar em Cabo Frio. Quando a primeira turma se formar, os empregos para que tanto lutaram estarão tomados por gente de fora, já que precisaram de três ou quatro anos para pegar o diploma. Se forem aproveitados 10 alunos (numa hipótese mais do que irreal), o que farão os demais? Vão procurar emprego fora ou se instalar como camelôs trilíngües para orgulho da comunidade política maricaense. Talvez, quem sabe, serem peões da imobiliária na APA ou “caddies”.

Os políticos devem cobrar uma educação séria, com extensa e bem cuidada rede (cadê o CAIC com formação profissionalizante?) para ampliar o leque de opções do estudante, mas não empacar no imediatismo da imbecil “oferta futura de trabalho”. Ocupar o estudante em horário integral, inclusive através de palestras, seminários etc, para que não fique zanzando sem o que fazer.

Pensar no futuro como pensam, nem o futurólogo Hemann Khan, em seus melhores dias de desarranjo mental, captaria as mentes políticas maricaenses, mais afinadas com o descompasso da realidade.