15/03/2007

QUEM TEM AMPARO TUDO PODE

Quando uma população se horroriza com uma Área de Proteção Ambiental se tornar propriedade privada, novos crimes ecológicos são praticados com todo amparo em outras regiões de Maricá. Nesta época de seca, caminhões e escavadeira estão providenciando mais uma “área particular” à beira da lagoa de Maricá e ao lado da foz de um dos rios (comumente apelidado pela Prefeitura de “canal”) para construção em Itapeba de mais um campinho de futebol que, segundo informações, seria dos funcionários de uma viação.
Com a área tomada por taboas – onde há quatro anos o próprio prefeito esteve e se disse incapaz, inclusive de usar máquinas no local, para recuperar os aproximadamente 90 mil m2 e nem sequer poder tirar o matagal -, máquinas particulares estão aterrando o taboal com areia do “canal” e obras são feitas. Surgidos há mais de 30 anos, dois campos ainda ficavam fora das margens, mas agora são privativos e a área “ampliada”. Quem sabe, para um complexo esportivo com “praia” particular?

O interessante milagre é que, onde não pode o Poder Público fazer nada para o cidadão, em área que é dele, gente com a devida proteção (e poder junto ao governo), além de amparo “divino”, pode criar local de lazer exclusivo. Com a benção governamental, inclusive se instalou uma ponte pré-moldada para melhor acesso dos jogadores, apesar da Rua A, a 100 metros, com moradores que pagam impostos há mais de 40 anos, ser dividida pelo canal sem que em nenhum momento a Prefeitura se dispusesse a instalar sequer um pontilhão. Até um posteamento de iluminação pública foi feito, quando ruas próximas imploram por iluminação.

O amparo governamental está se espalhando, com cercas de arame farpado, placas de propriedade particular (Proibida a entrada), escandalosamente à beira da lagoa, em área pública. Sem proteção ou santa a quem apelar, o cidadão vê surgir diariamente uma área particular de campos de lazer, em área que é de todos, para privilégio de alguns poucos. Graças ao amparo dos governos e políticos, que deixam cada vez mais Maricá e seu meio ambiente para lazer de quem tem dinheiro (ou santo amparo) e pode fazer construções ao bel-prazer em qualquer área “vendida” por meros R$ 5 mil, a natureza é violentada com aterros, retirada de areia e construções. Diante de tanta violência, até a padroeira fecha os olhos.