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A morte da Área de
Proteção Ambiental de Maricá, menina-dos-olhos da Secretaria Estadual
do Meio Ambiente, está com os dias contados e o horizonte do cidadão,
perdido. Através da entrevista publicada na última edição do jornal
“Outras Palavras”, terminou o mistério da imobiliária sem-nome que
vai implantar um mega-projeto para milionários na região. O pré-candidato
à Prefeitura em 2008 e subsecretário estadual da Infância e Adolescência,
Washington Quaquá, sem deixar o Estado, desvendou o mistério, que
a Prefeitura e a Câmara tanto tentaram ocultar e do qual se locupletaram
com uma viagem ao exterior, desnecessária, paga pelo contribuinte.
O grupo luso-espanhol
Madrilisboa, intensamente criticado em Portugal na imprensa por
construir “um condomínio de luxo com três edifícios de cinco andares”
alterando o projeto inicial de apenas “um hotel de três andares”,
é o mesmo que traz o Projeto Maricá, coordenado por Carlos Llamazzares,
pretendendo implantar “resorts, condomínios residenciais, setores
de restaurantes na orla, um condomínio empresarial para abrigar
escritórios de grandes empresas, campo de golfe, spa, marina para
os turistas, enrrocamento de pedra e recifes artificiais para reduzir
o impacto das ondas na região, um canal ligando o mar à lagoa, e
dragagem da lagoa para construção de ilhas artificiais”, segundo
revelou ao jornal “Outras Palavras”.
Numa viagem pela internet,
o cidadão de Maricá, sem gastos públicos, pode agora conhecer um
pouco mais de como age em Portugal a Madrilisboa. Lá, a imobiliária
também “tapou” a sua área, anunciou uma coisa e estaria fazendo
outra e os moradores da região “perderam um pedaço do Parque do
Tejo e uma parte da vista para o rio” com aplausos do Legislativo.
E críticos não faltam
por todo aquele país, revelando inclusive uma atuação bem parecida
com que a empresa promove em Maricá: “Promove-se um sítio de habitação
de qualidade, com promessas de vistas para o rio, zonas verdes,
o paraíso. Movem-se entretanto influências que acabam por baixar
à Assembleia Municipal para, de olhos fechados e braço no ar, se
aprovar a providencial alteração ao PDM. Da noite para o dia os
preços do espaço verde são inflacionados e assim se enchem a carteira
do bravo promotor e do seu amigo vereador. Acaba de nascer mais
um cogumelo de betão a tapar a vista para o rio”.
O resultado de tanta
construção em uma área tão pequena e estreita logicamente vai resultar
no fim da APA, com apoio municipal, e criação de uma nova Barra
da Tijuca, cercada, protegida por guaritas, com praia particular,
para atender apenas uns poucos privilegiados. Os horizontes do cidadão
serão perdidos com uma montanha de prédios tapando o horizonte da
orla e ainda surgirão, no melhor estilo Disneylândia, ilhas encantadas
para turistas, altos executivos e políticos com todos seus séquitos
se encantarem com a “natureza” e terem onde gastar o que ganham
nas tetas públicas. E o cidadão, como um “caddie”, vai apenas carregar
os tacos para as jogada$ políticas.
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