14/06/2007
GOVERNOS PRODUZEM “HORIZONTE PERDIDO”
........xxx......Mensagem de Luiz Gadelha # lgadelha@leitoreselivros.com.br

A morte da Área de Proteção Ambiental de Maricá, menina-dos-olhos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, está com os dias contados e o horizonte do cidadão, perdido. Através da entrevista publicada na última edição do jornal “Outras Palavras”, terminou o mistério da imobiliária sem-nome que vai implantar um mega-projeto para milionários na região. O pré-candidato à Prefeitura em 2008 e subsecretário estadual da Infância e Adolescência, Washington Quaquá, sem deixar o Estado, desvendou o mistério, que a Prefeitura e a Câmara tanto tentaram ocultar e do qual se locupletaram com uma viagem ao exterior, desnecessária, paga pelo contribuinte.

O grupo luso-espanhol Madrilisboa, intensamente criticado em Portugal na imprensa por construir “um condomínio de luxo com três edifícios de cinco andares” alterando o projeto inicial de apenas “um hotel de três andares”, é o mesmo que traz o Projeto Maricá, coordenado por Carlos Llamazzares, pretendendo implantar “resorts, condomínios residenciais, setores de restaurantes na orla, um condomínio empresarial para abrigar escritórios de grandes empresas, campo de golfe, spa, marina para os turistas, enrrocamento de pedra e recifes artificiais para reduzir o impacto das ondas na região, um canal ligando o mar à lagoa, e dragagem da lagoa para construção de ilhas artificiais”, segundo revelou ao jornal “Outras Palavras”.

Numa viagem pela internet, o cidadão de Maricá, sem gastos públicos, pode agora conhecer um pouco mais de como age em Portugal a Madrilisboa. Lá, a imobiliária também “tapou” a sua área, anunciou uma coisa e estaria fazendo outra e os moradores da região “perderam um pedaço do Parque do Tejo e uma parte da vista para o rio” com aplausos do Legislativo.

E críticos não faltam por todo aquele país, revelando inclusive uma atuação bem parecida com que a empresa promove em Maricá: “Promove-se um sítio de habitação de qualidade, com promessas de vistas para o rio, zonas verdes, o paraíso. Movem-se entretanto influências que acabam por baixar à Assembleia Municipal para, de olhos fechados e braço no ar, se aprovar a providencial alteração ao PDM. Da noite para o dia os preços do espaço verde são inflacionados e assim se enchem a carteira do bravo promotor e do seu amigo vereador. Acaba de nascer mais um cogumelo de betão a tapar a vista para o rio”.

O resultado de tanta construção em uma área tão pequena e estreita logicamente vai resultar no fim da APA, com apoio municipal, e criação de uma nova Barra da Tijuca, cercada, protegida por guaritas, com praia particular, para atender apenas uns poucos privilegiados. Os horizontes do cidadão serão perdidos com uma montanha de prédios tapando o horizonte da orla e ainda surgirão, no melhor estilo Disneylândia, ilhas encantadas para turistas, altos executivos e políticos com todos seus séquitos se encantarem com a “natureza” e terem onde gastar o que ganham nas tetas públicas.  E o cidadão, como um “caddie”, vai apenas carregar os tacos para as jogada$ políticas.