13/08/2007
 
Recebido por mail de Maria da Conceição Marques Porto e Santos
O que escondem por trás dos panos ou dos bastidores?

É lamentável que haja pessoas que usam os trabalhadores, usam os movimentos sociais, as comunidades carentes e até mesmo a comunidade tradicional e suas necessidades coletivas para "usá-las" em proveito próprio, e muitas vezes até, para apossar-se do que não é seu, pois se intitulam ser o que nunca foram. Iludem os pescadores, os quilombolas, os sem terras, os sem teto, ou outras comunidades que carecem e clamam por justiça social para, de forma enganosa, se intitular seus representantes ou serem indicados como delegados a fóruns, muitas vezes, decisivos para essas comunidades que vêm sendo discriminadas, de forma desumana e criminosa ao longo dos anos.

O que será que escondem por trás dos panos ou dos bastidores? É simples constatar. Suas práticas “useiras e vezeiras” demonstram que estão a serviço do capital, pois suas atitudes são características de quem defende e pratica o capitalismo, de quem se submete ou faz acordos com os empresários para ser “aquinhoado” com favores futuros, postura de quem se submete e submete o grupamento social e os trabalhadores (a quem diz representar) a governos incompetentes ou corruptos para, em algum momento levar ou tirar vantagem em proveito próprio; é a postura de quem, em nome da “falsa” concepção de democracia, defende interesses próprios e os do capital, ao invés de defender as propostas coletivas e representativas, deliberadas pela comunidade que deveriam representar. Mentem, camuflam, ameaçam, atacam trabalhadores e votam contra eles, se passam por vítimas, escamoteiam e ainda sonegam informações àqueles que aparentemente representam. São capazes de se articularem até com inimigos da classe trabalhadora e dos movimentos populares para conseguirem alcançar seus objetivos pessoais e individuais e ao final, com a maior “cara de pau”, negam sua representatividade.

Por que agem assim? Também é simples. Com essa postura, os capitalistas, defensores do neoliberalismo, apostam na segmentação dos trabalhadores, apostam em manter afastados os movimentos populares dos sindicatos que acreditam na luta de classes, que unem a cidade e o campo, pois sabem perfeitamente que o apoio e a união dos sindicatos aos movimentos populares fortalecem a classe trabalhadora, aumenta a organização dos setores desorganizados, que juntos, são capazes de enfrentar o desafio de organizar a classe, de recuperar sua identidade, de combater as formas de opressão e de repressão, de realizar a educação e a formação política das massas. O SINDSPREV/RJ, através da ação do SINDSPREV Comunitário significa exatamente essa união; a união do sindicato ao movimento popular, o elo entre cidade e campo, que é capaz de vencer resistências e preconceitos já arraigados no meio da própria classe, que consegue unificar os sentimentos e as aspirações da classe na compreensão do socialismo, rumo a uma sociedade fraterna, justa, sem desigualdades sociais.

Entendemos que essa aliança é o primeiro degrau de uma aliança mais ampla das forças empenhadas na transformação da sociedade capitalista nos termos de uma realidade nacional. Entendemos que um movimento nacional de destruição da base capitalista de dominação e exploração não se dará sem uma unidade e inter-relacionamento de todos os setores em luta pela libertação da classe trabalhadora. Por isso, a ação do SINDSPREV/RJ – Regional Lagos e do SINDSPREV Comunitário, em Maricá, vem incomodando àqueles que defendem: o capital; a privatização do serviço público e do patrimônio do município; a precarização das relações de trabalho imposta pela Multiprof, através da exploração dos trabalhadores que não recebem seus direitos trabalhistas; a falta de um Plano de Carreiras, Cargos e Salários para os profissionais municipais da saúde; a exploração dos trabalhadores da construção civil; a falta de transporte nos bairros e distritos do município em todos os horários, imposta pela prefeitura através do “monopólio binômio” Nossa Senhora do Amparo e Viação Costa Leste; a falta de opção da população ao transporte alternativo e cooperativado, de fácil acesso e mais barato, proibido de circular dentro da cidade por ordem e aprovação do Senhor Prefeito e seus vereadores aliados; a criminalização da pobreza; a falta de políticas para as pessoas portadoras de deficiências e de mobilidade reduzida; a falta de recursos materiais e humanos para um sistema de educação e saúde públicos e com qualidade para atendimento digno à população; a falta de saneamento básico, a falta de asfaltamento e calçamento, a falta de vergonha e seriedade em lidar com o dinheiro público, através de improbidades administrativas, da corrupção, de contratos ilícitos, resultantes de licitações viciadas e manipuladas.

Mais, muito mais poderíamos citar de ataques, descaso e mazelas do poder público e dos capitalistas para com a população maricaense. Com certeza, a Moção de Repúdio apresentada, na II Conferência Municipal da Cidade de Maricá contra a representação do SINDSPREV/RJ, aprovada pelos representantes da prefeitura, pelos representantes dos empresários, por poucas representações da sociedade civil, que foram iludidas já que, desconheciam o fato de não haver ONG social e legal, atuando com os pescadores de Zacarias, sob a direção da senhora que se sentiu desrespeitada, “delegada produzida e fabricada”, conforme já explicitado inicialmente neste texto e que estava com o crachá de representante da Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias (apesar de afirmar a algumas lideranças que não era representante dos pescadores), demonstra francamente que a ação do SINDSPREV/RJ em unir os trabalhadores da cidade ao campo e às areias está no caminho certo, na busca por justiça para Maricá. Esse fato só vem nos fortalecer e nos convencer, ainda mais, em continuar apoiando a luta dos pescadores de Zacarias, contra a privatização da Restinga, pois evidencia que é possível a união dos sindicatos aos movimentos sociais e populares, para juntos construirmos uma nova realidade para nosso município: uma nova Maricá é possível. O SINDSPREV/RJ, através do SINDSPREV Comunitário continuará na defesa dos trabalhadores terceirizados de Maricá, combatendo a exploração dos trabalhadores pela Multiprof; continuará a apoiar àqueles que lutam contra a privatização da Restinga (APA de Maricá); em apoio e defesa dos pescadores do município e de Zacarias, pelo retorno imediato da Colônia de Pescadores para Maricá, na luta em defesa do solo e das águas, pela revitalização do Complexo Lacunar; na luta contra os loteamentos e construções irregulares, conseqüentes da aliança de governos descompromissados e corruptos com os cartórios locais; contra o desvio de verbas públicas; contra a privatização da saúde e dos demais serviços públicos; na luta por um transporte que atenda dignamente à população maricaense, principalmente naqueles bairros onde é perpetuada a exclusão social; contra qualquer entidade que submeta a população e os trabalhadores aos ataques dos governos, à exploração dos empresários e às barbáries do capital.

Sempre nos posicionaremos contra àqueles que em nome da “democracia”, votam aliados ao governo e aos capitalistas, levando, na maioria das vezes à derrota as propostas da classe trabalhadora. Essa é e continuará sendo a atuação do SINDSPREV/RJ em nosso município. O sindicato que sempre estará presente onde houver ataques aos direitos do povo, seja ele empregado, desempregado, sem teto, sem terras, sem águas, trabalhadores informais. E continuamos à disposição para caminharmos e trabalharmos com todos àqueles que compartilham desses ideais.

Maria da Conceição Marques Porto e Santos (Diretora da Direção Colegiada do SINDSPREV/RJ, militante da Regional Lagos e do SINDSPREV Comunitário).
Moradora e eleitora em Itaipuaçu - Maricá