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É lamentável que haja pessoas que
usam os trabalhadores, usam os movimentos sociais, as comunidades
carentes e até mesmo a comunidade tradicional e suas necessidades
coletivas para "usá-las" em proveito próprio, e muitas vezes até,
para apossar-se do que não é seu, pois se intitulam ser o que nunca
foram. Iludem os pescadores, os quilombolas, os sem terras, os sem
teto, ou outras comunidades que carecem e clamam por justiça social
para, de forma enganosa, se intitular seus representantes ou serem
indicados como delegados a fóruns, muitas vezes, decisivos para
essas comunidades que vêm sendo discriminadas, de forma desumana
e criminosa ao longo dos anos.
O que será que escondem por
trás dos panos ou dos bastidores? É simples constatar. Suas práticas
“useiras e vezeiras” demonstram que estão a serviço do capital,
pois suas atitudes são características de quem defende e pratica
o capitalismo, de quem se submete ou faz acordos com os empresários
para ser “aquinhoado” com favores futuros, postura de quem se submete
e submete o grupamento social e os trabalhadores (a quem diz representar)
a governos incompetentes ou corruptos para, em algum momento levar
ou tirar vantagem em proveito próprio; é a postura de quem, em nome
da “falsa” concepção de democracia, defende interesses próprios
e os do capital, ao invés de defender as propostas coletivas e representativas,
deliberadas pela comunidade que deveriam representar. Mentem, camuflam,
ameaçam, atacam trabalhadores e votam contra eles, se passam por
vítimas, escamoteiam e ainda sonegam informações àqueles que aparentemente
representam. São capazes de se articularem até com inimigos da classe
trabalhadora e dos movimentos populares para conseguirem alcançar
seus objetivos pessoais e individuais e ao final, com a maior “cara
de pau”, negam sua representatividade.
Por que agem assim? Também é simples. Com essa postura, os capitalistas,
defensores do neoliberalismo, apostam na segmentação dos trabalhadores,
apostam em manter afastados os movimentos populares dos sindicatos
que acreditam na luta de classes, que unem a cidade e o campo, pois
sabem perfeitamente que o apoio e a união dos sindicatos aos movimentos
populares fortalecem a classe trabalhadora, aumenta a organização
dos setores desorganizados, que juntos, são capazes de enfrentar
o desafio de organizar a classe, de recuperar sua identidade, de
combater as formas de opressão e de repressão, de realizar a educação
e a formação política das massas. O SINDSPREV/RJ, através da ação
do SINDSPREV Comunitário significa exatamente essa união; a união
do sindicato ao movimento popular, o elo entre cidade e campo, que
é capaz de vencer resistências e preconceitos já arraigados no meio
da própria classe, que consegue unificar os sentimentos e as aspirações
da classe na compreensão do socialismo, rumo a uma sociedade fraterna,
justa, sem desigualdades sociais.
Entendemos que essa aliança é o primeiro degrau de uma aliança mais
ampla das forças empenhadas na transformação da sociedade capitalista
nos termos de uma realidade nacional. Entendemos que um movimento
nacional de destruição da base capitalista de dominação e exploração
não se dará sem uma unidade e inter-relacionamento de todos os setores
em luta pela libertação da classe trabalhadora. Por isso, a ação
do SINDSPREV/RJ – Regional Lagos e do SINDSPREV Comunitário, em
Maricá, vem incomodando àqueles que defendem: o capital; a privatização
do serviço público e do patrimônio do município; a precarização
das relações de trabalho imposta pela Multiprof, através da exploração
dos trabalhadores que não recebem seus direitos trabalhistas; a
falta de um Plano de Carreiras, Cargos e Salários para os profissionais
municipais da saúde; a exploração dos trabalhadores da construção
civil; a falta de transporte nos bairros e distritos do município
em todos os horários, imposta pela prefeitura através do “monopólio
binômio” Nossa Senhora do Amparo e Viação Costa Leste; a falta de
opção da população ao transporte alternativo e cooperativado, de
fácil acesso e mais barato, proibido de circular dentro da cidade
por ordem e aprovação do Senhor Prefeito e seus vereadores aliados;
a criminalização da pobreza; a falta de políticas para as pessoas
portadoras de deficiências e de mobilidade reduzida; a falta de
recursos materiais e humanos para um sistema de educação e saúde
públicos e com qualidade para atendimento digno à população; a falta
de saneamento básico, a falta de asfaltamento e calçamento, a falta
de vergonha e seriedade em lidar com o dinheiro público, através
de improbidades administrativas, da corrupção, de contratos ilícitos,
resultantes de licitações viciadas e manipuladas.
Mais, muito mais poderíamos citar de ataques, descaso e mazelas
do poder público e dos capitalistas para com a população maricaense.
Com certeza, a Moção de Repúdio apresentada, na II Conferência Municipal
da Cidade de Maricá contra a representação do SINDSPREV/RJ, aprovada
pelos representantes da prefeitura, pelos representantes dos empresários,
por poucas representações da sociedade civil, que foram iludidas
já que, desconheciam o fato de não haver ONG social e legal, atuando
com os pescadores de Zacarias, sob a direção da senhora que se sentiu
desrespeitada, “delegada produzida e fabricada”, conforme já explicitado
inicialmente neste texto e que estava com o crachá de representante
da Associação Comunitária de Cultura e Lazer dos Pescadores de Zacarias
(apesar de afirmar a algumas lideranças que não era representante
dos pescadores), demonstra francamente que a ação do SINDSPREV/RJ
em unir os trabalhadores da cidade ao campo e às areias está no
caminho certo, na busca por justiça para Maricá. Esse fato só vem
nos fortalecer e nos convencer, ainda mais, em continuar apoiando
a luta dos pescadores de Zacarias, contra a privatização da Restinga,
pois evidencia que é possível a união dos sindicatos aos movimentos
sociais e populares, para juntos construirmos uma nova realidade
para nosso município: uma nova Maricá é possível. O SINDSPREV/RJ,
através do SINDSPREV Comunitário continuará na defesa dos trabalhadores
terceirizados de Maricá, combatendo a exploração dos trabalhadores
pela Multiprof; continuará a apoiar àqueles que lutam contra a privatização
da Restinga (APA de Maricá); em apoio e defesa dos pescadores do
município e de Zacarias, pelo retorno imediato da Colônia de Pescadores
para Maricá, na luta em defesa do solo e das águas, pela revitalização
do Complexo Lacunar; na luta contra os loteamentos e construções
irregulares, conseqüentes da aliança de governos descompromissados
e corruptos com os cartórios locais; contra o desvio de verbas públicas;
contra a privatização da saúde e dos demais serviços públicos; na
luta por um transporte que atenda dignamente à população maricaense,
principalmente naqueles bairros onde é perpetuada a exclusão social;
contra qualquer entidade que submeta a população e os trabalhadores
aos ataques dos governos, à exploração dos empresários e às barbáries
do capital.
Sempre nos posicionaremos contra àqueles que em nome da “democracia”,
votam aliados ao governo e aos capitalistas, levando, na maioria
das vezes à derrota as propostas da classe trabalhadora. Essa é
e continuará sendo a atuação do SINDSPREV/RJ em nosso município.
O sindicato que sempre estará presente onde houver ataques aos direitos
do povo, seja ele empregado, desempregado, sem teto, sem terras,
sem águas, trabalhadores informais. E continuamos à disposição para
caminharmos e trabalharmos com todos àqueles que compartilham desses
ideais.
Maria da Conceição Marques Porto e Santos (Diretora da Direção Colegiada
do SINDSPREV/RJ, militante da Regional Lagos e do SINDSPREV Comunitário).
Moradora e eleitora em Itaipuaçu - Maricá
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