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CRIANÇAS! SEMPRE
ESPECIAIS.
Simples, demasiadamente simples. É, assim, a inocência!
A alegria no olhar e o jeito sapeca, não deixavam dúvidas de que
naquela cadeira estava sentada uma criança que gostava da vida,
que queria viver.
É, assim, com todas as crianças, sempre espertas, aguçadas, olhando
pra frente, querendo viver! Zézinho naquela festa, naquela cadeira
tinha sonhos, queria soltar pipas, jogar futebol, brincar, queria
viver.
Não era uma cadeira como tantas outras, era uma cadeira de rodas,
com duas rodas sob o acento, onde estava sentada uma criança inocente.
- Moço, porque me olhas desse jeito? - Perguntou Zezinho.
Diante dele estava um homem, um adulto que durante grande parte
de sua vida tinha carregado o enorme peso dos valores estabelecidos
pela sua cultura, educação e moral, como se fosse um camelo que
carrega os fardos até o fim do deserto.
Seria culpado por ter perdido a inocência? Não! Ele tinha largado
esse fardo logo no meio da viagem e, agora, sonhava com a construção
de um novo Mundo que nasceria pela conciliação dos contrastes e
pela busca da essência divina.
Então, olhando para o Zézinho ele lhe fez uma nova pergunta:
- Você não me conhece?
- Não! Respondeu Zézinho.
- Eu sou o pai da Esperança!
- Que Esperança? - Perguntou o menino.
- Eu sou o pai de uma menininha que é a minha mais sublime inspiração
e que fez nascer em mim o espírito do humano, demasiadamente, humano.
Ela se chama Esperança e me ensinou a ter esperança!
- Esperança? Puxa! Ter esperança? - Questionou Zézinho.
- Sim! Essa esperança que está dentro de todos nós, especialmente
dos inocentes e das crianças como você.
- Posso ter esperanças de que um dia poderei soltar pipas e jogar
futebol? - Indagou, mais uma vez, Zézinho.
- Sim! A esperança vai lhe acompanhar até o fim dos seus dias.
Agora, me dê suas mãozinhas, feche os olhinhos e reze comigo:
Pai misericordioso que estás nos céus.
Santificado seja o seu desejo de que todas as crianças tenham as
mesmas oportunidades.
Venha a nós a alegria de uma vida saudável e cheia de saúde para
todas elas.
Seja feita, assim, a vossa vontade de uma terra justa e mais humana.
Que o pão seja o alimento sagrado de todas as nossas crianças.
Perdoai as nossas dívidas e, especialmente, as dos nossos irmãos
pequeninos.
Perdoai os homens dessa terra que não aprenderam a amar os seus
filhos.
Não permitas que as tentações desviem os nossos rebentos do caminho.
Livra-os de todo o mau terreno.
Renovai todos os dias as suas esperanças.
Que a sua misericórdia recaia sobre todas elas.
Amém.
Zézinho, silencioso, sabia que só um milagre o faria levantar daquela
cadeira.
Talvez, ele nunca pudesse soltar pipas, jogar bola.
Mas essa oração renovava a sua fé e, assim, ele continuaria gostando
da vida, olhando pra frente, querendo viver. Vivendo!
É assim a inocência! É assim a esperança! São assim os milagres.
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