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JONGÁ: projeto de Délcio
Teobaldo, na CAIXA Cultural - Entrada Franca
CAIXA Cultural apresenta JONGÁ - Cantos de fé, de trabalho e de
orgia
-Encontros musicais debatem cultura popular, apresentam documentários
inéditos e lançam grupo de cantadoras de canavial
Os jongos matriciais, as benzas, as ervas de ajuda e os ofícios
de fé e de cura da Zona da Mata Mineira e Norte-Sul Fluminense são
temas de três palestras musicadas que o etnomusicólogo e documentarista
Délcio Teobaldo realiza nos dias 6, 13 e 20 de novembro, no Teatro
de Arena, da Caixa Cultural Rio. A entrada é franca.
Nos encontros na Caixa
Cultural, Teobaldo falará sobre as transformações pelas quais as
culturas oral-rítmicas têm passado nos últimos 40 anos. O público
poderá ouvir e debater sobre ritmos pouco difundidos e que têm perdido
sua história ao longo do tempo. Três dessas manifestações culturais
serão abordadas: As Ladainhas de Maricá, região metropolitana do
Rio de Janeiro; os Cantos de Canavial de Ponte Nova, Zona da Mata
mineira; e o Jongo Rural, de Angra dos Reis.
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Além dos
pontos, cantos e percussão no tambor escavado em tronco de mutamba,
as palestras serão ilustradas pelos documentários "Ladainhas, rezas
e ofícios de fé e de cura...", "Cantos de Calamboteiros" e "Morre
Congo, fica Congo".
Os dois primeiros documentários são inéditos e serão lançados durante
o evento na CAIXA Cultural. Já "Morre Congo, fica Congo" (2001), que
traz os depoimentos dos cinco últimos cantadores do Jongo Rural de
Angra dos Reis, fez o circuito internacional nas mostras: "Festival
de Cinema e Vídeo de Udine" (Itália); "16º The International Documentary
Film Festival of Marseilles" (França, 2005); "XV Festival de Documentários
Latino Americanos (Londres, 2005).
Nascido e criado na tradição dos caxambus e dos ritos judaico-cristãos,
no interior de Minas Gerais, Délcio Teobaldo escolheu o Jongo como
mote das palestras porque, segundo ele, dos três modelos de cultura
apresentados, o Jongo ou Caxambu foi o que melhor soube enfrentar
as mudanças e tirar proveito delas.
Teobaldo utilizou os saberes do passado para interpretar o mundo,
identificando grupos, preservando laços familiares e restabelecendo
a harmonia com a terra de origem.
Palestras
As palestras terão os seguintes temas: "Fé - Onde termina o sincretismo
e começa a concessão; "Terra e plantas - Os saberes relacionados aos
ritos de plantio, de cuidados e de colheita"; e, "Tradição x mercado
- Cultura autóctone e simulacro".
Programação especial
No último encontro, dia 20 de novembro, será feita a primeira apresentação
pública das personagens do documentário "Cantos de Calamboteiros".
São sete cantadoras, ex-cortadoras de cana-de-açúcar do município
de Ponte Nova que, em função do filme, se reuniram trinta anos depois
para reviver suas histórias. Nos versos improvisados e à capela, elas
cantam a vida na roça; lamentam o trabalho compulsório, louvam o amor
e celebram a amizade.
Durante os encontros o público terá a oportunidade de conhecer e ouvir
a percussão do tambor preparado com as ervas de ajuda e ouvir a percussão
das talas de bananeira, como ensina a tradição banta dos cumbas, jongueiros
velhos, conhecidos como feiticeiros da palavra.
O projeto "JONGÁ - Cantos de fé, de trabalho e de orgia" foi aprovado
pelo Edital 2007 de ocupações dos espaços da CAIXA Cultural.
Serviço
Espetáculo "JONGÁ - Cantos de fé, de trabalho e de orgia", criação
de Délcio Teobaldo
Caixa Cultural RJ – Teatro de Arena
Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô Carioca) Tel:
21 2544-4080 / 7666 / 1099
Em cartaz: 6,13 e 20 de novembro de 2007
Horário: 15h Duração: 70 minutos
Acesso para portadores de necessidades especiais
Entrada: FRANCA
Site da CAIXA Cultural: www.caixacultural.com.br
Informações para imprensa:
Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural RJ
Daniele Lucena, Mara Marques e Erika Carlucci
Tels: 21 24975022//78921433//96174772//9327-5615
redacao@planocomunicacao.com.br
Programação
JONGÁ - Cantos de fé, de trabalho e de orgia
Dia 06/11/07
PRIMEIRO ENCONTRO/CANTOS DE FÉ
ABERTURA: Neste segmento composto de 6 pontos ("Bendito louvado seja",
"Ô Maria, ô Iaiá", "Nego que tá fazendo", "Tambor, tambor", "Já caminhei",
"Tira o pé"), saúdam-se os santos do céu e os da terra. Seja a terra
de origem, a terra herdada ou o desterro.
TEMA: Fé. Onde termina o sincretismo e começa a concessão.
Antes do ritmo e da dança, a dinâmica dos Jongos se concentra na palavra.
No verbo. Um elemento com que os praticantes dessa cultura dialogam,
desafiam e se igualam com o os seus e com o mundo. Nos Jongos, diz-se
que a palavra tem peso, tem força, tem forma, socorre, mas também
mata. Tudo passa pela fé, pela comunhão coletiva própria dessa cultura
que até hoje encobre, sob a fragilidade visível do Sincretismo, a
grandeza dos seus fundamentos.
DOCUMENTÁRIO/SINOPSE: "Morre Congo, fica Congo". Memória da terra,
saudades do local de origem, recuperação da auto-estima e magia, revelados
pelos últimos mestres praticantes do Jongo Rural de Angra dos Reis:
Carmo Moraes, na época, com 82 anos de idade; Dona Luisa, 67; Zady
Rita, 62; Rosalvo Bernardo, 57 e Zé Adriano, 78.
Documentário exibido em Rede Nacional (TV Cultura, São Paulo), programa
Zoom; encerrou a mostra "Da chanchada à feijoada – O cinema negro
no Brasil" (Museu da Imagem e do Som, São Paulo); encerrou o "II Festival
de Arte Negra – FAN" (Belo Horizonte – MG); convidado para exibição
no Encontro Latino Americano de Culturas, México; na IPCTV, de Tóquio;
no "III Discovering Latin America Film Festival; Festival de Cinema
e Video de Udine (Itália) e no "16º The International Documentary
Film Festival of Marseilles" (França, 2005). "Morre Congo, fica Congo"
já foi matéria nos programas "Revista do cinema Brasileiro" (Rede
Brasil, DirecTV) e "Canal Brasil" (GNT). Abriu em novembro 2004, no
Cine Olido, São Paulo, O "Seminário Diversidade Cultural Brasileira;
Interculturalidades (UFF/05); XV Festival de Documentários Latino
Americano (Londres, 2005).
Ficha: "Morre Congo, fica Congo", (Die Congo, remain Congo). (www.dgtfilmes.com.br).
2001, DV, 15 minutos, cor, legendado inglês. Délcio Teobaldo, pesquisa,
argumento, roteiro final e direção geral; Toni Nogueira, diretor de
fotografia; Jorge Pessano, roteiro; Nair Borges, produção; Guará Rodrigues
e Marco Túlio, som direto; Otávio Costa, edição; Badu Nogueira e Thiago
Teobaldo, assistentes.
Dia13/11/07
SEGUNDO ENCONTRO - CANTOS DE TRABALHO
ABERTURA: Estes cantos ("Com Deus me deito", "Acorda Maria", "Dona
Maria Mucama", "Pega a vassoura", "Cativeiro taí") servem para identificar
grupos, fazer firula à mulher amada ou entoar lamentosos para exorcizar
a memória do trabalho compulsório.
TEMA: Terra e plantas.
Os saberes relacionados aos ritos de plantio, de cuidados e de colheita.
Se morre alguém e o corpo não é encontrado, oficializa-se o enterro,
substituindo o defunto por um tronco ou cacho de bananas. Mas a mesma
bananeira que leva para o túmulo a energia em transformação, cede
seus talos, fibras e folhas, para a confecção de brinquedos e outros
ornamentos. A bananeira é a planta mítica dos Jongos, porque, assim
como eles, ela tem as faces do choro e do riso; da morte e da vida.
INÉDITO
DOCUMENTÁRIO/SINOPSE: Ladainhas, rezas e ofícios de fé e de cura...
registra um ofício da Ladainha de Promessa, na cidade de Maricá (região
metropolitana do Rio de Janeiro), com depoimento dos seus últimos
apontadores. Aos contos e casos de magia, comuns a esta cultura, somam-se
outras práticas comuns na região, como as rezas, os banhos e a medicação
com ervas, também feitas com a intenção de restabelecer a harmonia
física e social das famílias e dos grupos.
É curiosa a inter-relação das três culturas (a Ladainha, a Reza e
a Medicina Popular) a partir de um elemento comum: o porco. No primeiro
caso, o animal aparece como a representação do desordeiro e do maligno;
no segundo, ele é o necessitado e, no terceiro, é o bendito, quando
é revelado o poder curativo das suas entranhas (o fel).
As Ladainhas (no plural porque existem dois tipos: a Ladainha de Defunto,
para encomendar um corpo e a Ladainha de Promessa, para agradecer
uma graça alcançada), que têm uma liturgia marcada pelo sincretismo,
eram uma prática comum na cidade até as últimas três décadas. A partir
de então começaram a perder seus fiéis para as igrejas evangélicas
e o interesse das gerações mais novas que as desconhecem e, por isto,
"não acreditam na eficiência delas". Quem revela é Gilberto Ferreira
da Silva Filho, o "Betinho", o último é único apontador (rezador)
de Ladainhas de Maricá.
Ficha: "Ladainhas, rezas e ofícios de fé e de cura...", DGT Filmes
(www.dgtfilmes.com.br) 2004, DV, 27 minutos, cor. Délcio Teobaldo,
pesquisa, roteiro, produção executiva e direção geral; Toni Nogueira,
diretor de fotografia e câmera; Maurício Falcão, som, luz e edição;
Gabriel Góes, mixagem de som; Thiago e Felipe Teobaldo, assistentes
de produção.
Dia 20/11/07
TERCEIRO ENCONTRO/CANTOS DE ORGIA
ABERTURA: Os pontos ("Eu vim de Angola", "Tem pau no mato", "Casa
comigo", "Moça bonita", "O galo e o pinto", "Tatu tá véio", "Tô procurando
peixe") louvam a folgança, o gozo, o alcance do êxtase e da santidade
através do prazer.
TEMA: Tradição x mercado
Cultura autóctone e simulacro.
Em menos de cinco décadas, o carro de bois que movimentava a economia
pastoral-agrícola e inspirava quase toda a criação popular, foi substituído
pelos bens disponibilizados no mercado global. Ao contrário do que
muitos pensam, essa mudança não causou danos irreversíveis nas culturas
populares. Sejam nos Jongos, que se mantêm pela palavra, cuja dinâmica
é capaz de recriar o mundo ou em culturas similares onde vale a lição
de que "o novo não se firma se não se apoiar no velho".
INÉDITO
DOCUMENTÁRIO/SINOPSE: Cantos de Calamboteiros. O registro foi feito
nos bairros de Fátima e São Pedro, no município mineiro de Ponte Nova,
onde ex-cortadoras de cana-de-açúcar relembram a vida na roça, antes
de se mudarem para a cidade. Eles ilustram as lembranças com os cantos
que falam do trabalho compulsório, do amor e da amizade.
Ficha: "Cantos de Calamboteiros". DGT Filmes (www.dgtfilmes.com.br)
2007, DV, 27 minutos, cor. Délcio Teobaldo, pesquisa, argumento, produção
executiva e direção geral; Toni Nogueira, diretor de fotografia e
câmera 1; Maurício Falcão, edição; Nicodème de Renesse, som direto;
Nathalie Joiris, assistente técnica; Virgínia Siqueira, coordenação
de produção; Ricardo Motta, coordenador de produção local; Paulo Henrique
de Carvalho, produção; Felipe Teobaldo, assistente de produção e câmera
2; Milena Campos, assistente.
CONVIDADAS: Grupo formado por 7 mulheres (Raimunda Silva dos Santos,
Maria Antônia Domingues, Maria das Graças Hipólito, Maria Cecília
Guilherme, Neusa da Silva Luz, Maria da Conceição Lopes, Antônia Aparecida
Rogério), que guardam na memória os cantos de trabalho entoados nos
canaviais e cafezais de Ponte Nova, Zona da Mata mineira.
Plano de Comunicação Tel: (21) 2497-5022//78921433//96174772
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