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Em comemoração
à data de nascimento, escrevemos "Nos limites do inconsciente"
em homenagem a Nise da Silveira, psiquiatra brasileira, nascida
em Alagoas que terminou em parte, pois as barbáries ainda são usadas
em hospitais psiquiátricos, pois é mais fácil matar e atestar.
No período de 1936
a 1944 foi afastada do seu trabalho no Serviço Público, por motivos
políticos, sendo confinada ao cárcere, devido aos seus ideais socialista.
Em liberdade, foi readmitida e designada em 17 de abril de 1944
para ter exercício no Centro Psiquiátrico Nacional que funcionava
na Praia Vermelha, posteriormente sede da antiga Faculdade Nacional
de Medicina da Universidade do Brasil. O Centro Psiquiátrico Nacional
foi transferido para o Engenho de Dentro, atual Instituto Municipal
Nise da Silveira.
Nise da Silveira,
discípula de Jung, se rebelou contra a barbárie dos métodos usados,
tais como a lobotomia e o eletro choque. Assim, fundou em 1946 a
Seção de Terapêutica Ocupacional no antigo Centro Psiquiátrico Nacional,
origem do Museu de Imagens do Inconsciente - Rio de Janeiro, quando
em 1952, reunindo material produzido nos ateliês de pintura e de
modelagem da Seção de Terapêutica Ocupacional. O Museu de Imagens
do Inconsciente fica no Instituo Municipal de Assistência à Saúde
Nise da Silveira (antigo Centro Psiquiátrico Pedro II). Rua Ramiro
Magalhães, 521 - Engenho de Dentro CEP 20730-460 - Rio de Janeiro.
Temos ainda no Rio de Janeiro, a CASA DAS PALMEIRAS, fundada pela
mesma psiquiatra; uma clínica de reabilitação para egressos de instituições
psiquiátricas, em regime de externato, que utiliza as atividades
expressivas como principal método terapêutico. Na Colônia Juliano
Moreira, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, encontramos o Museu Bispo
do Rosário.
A visita, a colaboração
ou a participação é gratificante, pela mudança de conceitos e métodos
aplicados ao restabelecimento ou a ressocialização do doente, pelo
que se aprende; pela exposição das artes plásticas, palestras e
documentários, tais como:
"afetividade
na Esquizofrenia", "cujas pesquisa no Museu demonstram
a permanência viva da afetividade nos esquizofrênicos, contrariando
um dos chavões da psiquiatria tradicional, que frisa o embotamento
afetivo progressivo desses indivíduos"
"Abstração e Geometrismo":
mostra que "a psiquiatria tradicional interpreta a abstração
e o geometrismo como sendo uma característica do estilo esquizofrênico,
significando embotamento afetivo e intelectual. Esta afirmação não
corresponde à realidade revelada nos documentos do atelier de pintura.
Emoção, angústia e o esforço para se opor ao estado de caos e confusão
psíquica são mostrados neste documentário."
"Mandala":
"Tentativa de entender o aparecimento de imagens ordenadas
na pintura de esquizofrênicos que freqüentavam o atelier de pintura,
Nise recorreu a Jung, cujos esclarecimentos acerca dessas imagens
comprovando a existência de um potencial autocurativo na psique,
foram o ponto de partida para introdução da psicologia junguiana
no Brasil."
"Vivências no
Espaço": "As estranhas vivências espaciais dos esquizofrênicos,
são estudadas através das imagens por eles pintadas, que revelam
a interpenetração mundo externo/mundo interno."
"Efeitos da Leucotomia
Sobre a Atividade Criadora": "Apresentação do estudo de
três casos clínicos, através de imagens produzidas antes e depois
da intervenção cirúrgica."
"Paixão e Morte
de um Homem": "A série de imagens apresentada nesse audiovisual,
contradiz um dos chavões da psiquiatria tradicional, que frisa o
embotamento afetivo do esquizofrênico crônico. Permite o acompanhamento
da paixão de um homem"
Nos
limites do inconsciente
No
limite da loucura com a genialidade,
sou
levado pelos fantasmas que ainda povoam as masmorras,
outrora
um misto de cárcere, nosocômio de terror,
entregues
e deixados aos grilhões de tragicômicos
que
não só confinaram e mutilaram os seus corpos,
também
os reduziram em ondas eletromagnéticas.
A energia
eterificada povoa hoje os nobres salões
e advém
de existências que contradizem resultados
de
inúmeras, amargas e tormentosas experiências aplicadas
por
verdugos, executores dos bárbaros,
doutos
protagonistas maníacos de cenas dantescas.
Sádicos:
cruel deleite na lobotomia e eletrochoque
a transformar
a morbidez mental esquizofrênica
e demais
casos, de dores tidas como intratáveis,
em
morto-vivos apascentados pelas convulsões,
quiçá
total perda de consciência. . . talvez a morte.
Avanço
e chego à fronteira, limiar
da genialidade
e eis
que vejo noutro lado da rua, seres excluídos,
levados
em "metamorfoses ambulantes" a vagar
em
divagação simples e desconexas em destempero
de
realidade para o mundo físico, mas prisioneiros
nessa
estreita dimensão de relações egocêntricas
que
se chocam nas projeções de surrealidade
e se
deslocam em diferente dimensão do astral.
Avanço,
chego aos degraus inconscientes da loucura,
trilhas
marcadas, deixadas por muitos que passaram
antes
ou depois, não importa, mas sempre hão de vir
e chegar
inconformados pelo vil cotidiano dos seres.
Busco
o homem forjado puro, idealista e despojado,
mas
o sabendo utópico, não nos restam os impuros,
senão
amargos, quase vida e ingênuos: os incautos;
mercê
dos torpes e dos vis espertalhões.
Acautelo-me,
penso em mim, não serei a divindade?
qual!
pois sou deus decaído, parafísico, paranormal;
errado
ou errante, sem adoração ou sem pedestal;
sem
fiéis; fruto da aversão de intolerantes e odiosos;
sou
avesso à suspeição sectária e irracional de raças,
credos
ou religiões na convergência do nosso destino,
quiçá
divergências que se nos deparam o cotidiano.
Busco
acima do bem e do mal e não encontro nada
além
de um espaço que se projeta rarefeito e vazio
no
vácuo de uma caverna fria, escura e oca.
Avanço
e chego assediado pelos ímpios e hereges,
trazendo
impiedade que bem antes já a conhecera;
volvo
e me vejo cercado por prosélitos e fanáticos
entregues
ao rescaldo mórbido de seus descaminhos.
Avanço
e chego ao limite tênue desse exíguo espaço
que
se amplia na vastidão das paredes do surreal
levando-nos
e realocando-nos em viagens de fantasias,
adequando-nos
às personagens: aos pais e aos filhos;
aos
deuses e aos astronautas.
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