07/02/2007
Recebido por mail   de  Luiz da Silva Mattos
CIDADANIA AO POVO DE MARICÁ
PARTE IX

 

A organização em Cooperativa

- Para entender o início do cooperativismo devemos focar o momento em que nossos ancestrais saíram da irracionalidade para a racionalidade.

Esta passagem, que ocorreu atrelada com a evolução do raciocínio, foi sem dúvida alavancada pelos processos de caça.

Os caçadores, sempre em busca de alimento para a tribo, se uniam, formando a mais primitiva forma de cooperativismo humano conhecida.

Do passado remoto até os dias de hoje podemos denotar uma quantidade enorme de iniciativas cooperativistas que auxiliaram a evolução humana em todas as esferas: Caça, pesca, obtenção de frutos da natureza e formas rudimentares de agricultura, como postulam atualmente os antropólogos, detinham aspectos de cooperativismo. A arte rupestre nos proporciona um registro comprobatório significativo destas rudimentares formas de cooperativismo. No inicio da história, com a descoberta da escrita, há registros de formas de cooperativismo. Na Antiga Babilônia, berço da civilização humana, formas de cooperativismo eram prática corrente. Isto pode ser abstraído de textos cuneiformes e mesmo na primeira epopéia humana conhecida na sua forma "tardia" (século VII A.C.) como é difundida no Ocidente:

"A Epopéia de Gilgamesh".

No Livro de Enoque, texto apócrifo contemporâneo à Bíblia, existe exemplos de cooperativismo na pecuária.

Na Bíblia em diversas passagens vemos menções a práticas cooperativas por vários povos.

Na Índia antiga textos em sânscrito da epopéia Mahâbhârata, de que faz parte o Bhagavad-Gîtâ, os quais foram compilados para a forma atual entre os séculos 5 e 1 a.C., nos trazem indicações de cooperativismo.

No Egito Antigo encontramos exemplos cooperativistas na construção de algumas das pirâmides e monumentos, bem como na produção da agricultura e de artigos artesanais de consumo.

Na Grécia Clássica já existiam formas de cooperação nos campos de trigo e no artesanato devidamente registrados. Aristóteles acreditava que a atividade filosófica cooperativa era capaz de conduzir ao verdadeiro conhecimento.

Na Alta Idade Media a Ordem dos Templários, embora norteada por escopo religioso, gerenciava parcialmente seus bens de modo cooperativista.

Na Baixa Idade Media e inicio do Renascimento, os artesões com suas confrarias que impulsionaram o renascimento do comércio eram essencialmente cooperativistas.

Nas Américas as antigas civilizações Asteca, Maia, Olmeca, Tolteca e outros grupos indígenas (mesmo alguns que subsistem na atualidade) formavam cooperativas de agricultura, caça e pesca.

As Missões Jesuítas na América Latina, inclusive no Brasil, desenvolveram posturas cooperativistas na produção agrícola e mesmo na produção de cultura com suas orquestras, corais, escultores, atores e pintores.

Nas artes temos durante o período Parnasiano o nascimento das Academias, que eram na verdade unidades educacionais voltadas a ensinar das artes a seus alunos. A administração de algumas destas Academias seguiam critérios cooperativistas.

Outro aspecto das artes que teve origem cooperativista são os vernissages. Estes, na sua origem, ocorriam na noite anterior à abertura de uma exposição. Os artistas que iriam expor se reuniam e, com ajuda de outros artistas, davam a última passada de verniz sobre as obras que deveriam ser expostas no dia seguinte. Ajuda mútua é cooperativismo.

O Cooperativismo Moderno, depois de vivenciar uma vasta tradição humana de mais de 10 milênios de historia amplamente documentada, reaparece como uma reação a alguns aspectos da primeira revolução industrial. Surgiram na França e Inglaterra sociedades com características de cooperativas. Tais movimentos foram conduzidos por idealistas, como Robert Owen, Louis Blanc, Charles Fourier, entre outros, que defendiam propostas baseadas nas idéias de ajuda mútua, igualdade, associativismo e auto-gestão. Estes são os mesmos princípios que norteavam as cooperativas da Baixa Idade Média e início do Renascimento. Em 1844 28 tecelões na Inglaterra criaram uma sociedade de consumo, baseada no cooperativismo puro, chamada "Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale". Esta sociedade fundamentou os chamados "Princípios Básicos do Cooperativismo".

Na batida do tempo tais conceitos se aperfeiçoaram".

Cooperativismo - uma evolução

Wellington R. Costa | São Paulo (SP) | 1/10/2006

Uma cooperativa apresenta aspectos peculiares que a diferenciam de uma empresa tradicional, porque se apóia numa proposta democrática e participativa de ação comunitária, com o objetivo de uma reforma social (Pinho, 1980).

Em seus estatutos, a cooperativa estabelece, deixando assegurados direitos de participação igualitária para os sócios, visto que se baseiam nos Princípios Rochdalianos:

a. adesão livre e voluntária ou "portas abertas", que estabelece livre acesso ou desvinculação do sócio, isto é assegura o livre acesso ou afastamento dos sócios da cooperativa, sem nenhuma restrição ou coerção. Impossibilita que qualquer um possa, por questões de discriminação religiosa, sexual ou de classe social, restringir a entrada ou incentivar a saída de membros;

b. A gestão democrática pelos cooperados, um homem um voto, que prega a igualdade entre os sócios independentemente do montante aportado por ele na sociedade, sendo um dos princípios que mais diferencia a cooperativa de uma organização tradicional, pois estabelece a prática democrática da cooperativa. Prega que cada membro tem o mesmo poder de decisão independente do valor aportado por este junto à cooperativa. Este fator seria inaceitável em uma organização tradicional, visto que, a quantidade de quotas do acionista em uma empresa é que determina seu cargo e, consequentemente, seu poder decisório;

c. participação econômica dos membros;

d. autonomia e independência;

e. educação, formação, informação;

f. inter-cooperação e interesse pela comunidade."

Estes princípios, entre outros, transformam a cooperativa em uma organização única, pois têm caráter democrático e pouco mercantilista, configurando ao sócio uma maior responsabilidade em seu processo decisório.

Os traços da cooperativa nos levam à estrutura de empresas tradicionais, entretanto podemos destacar características próprias, que as distinguem tanto destas organizações, quanto das organizações associativas. Sendo do interesse do Estado, recebem incentivos, utilizando-as como instrumento de desenvolvimento econômico, principalmente na área rural. Organizam-se em centrais e confederações, além de apoiarem-se em uma doutrina própria.

"Outro princípio que torna marcante esta diferença, é o da supressão do lucro. Segundo a doutrina cooperativista, o lucro não é visto como fim em si mesmo, mas sim, como uma forma de proporcionar condições de trabalho para o cooperado. Isto a diferencia ideologicamente de uma empresa tradicional, que tem no lucro o objetivo principal de suas atividades. Este princípio, no entanto, não pode ser confundido com a ausência do lucro pois a cooperativa, como qualquer empresa, tem que estabelecer-se em um mercado economicamente competitivo. Para tanto, deve ter uma margem de lucro que lhe garanta essa atuação e a própria sobrevivência de seus sócios".

"A neutralidade política e religiosa garante ao associado a liberdade de expressão, contanto que este não utilize a cooperativa para favorecer interesses políticos ou religiosos seus ou de terceiros, que prejudiquem assim o direito dos outros associados. Entretanto, na prática, tem-se observado que este distanciamento nem sempre é possível, quando as cooperativas são criadas a partir de fontes governamentais de financiamento".

lsmattos