04/09/2007
E A LUTA CONTINUA!
UM POUCO DE ALVARES DE AZEVEDO

È com enorme alegria que tenho observado o crescente interesse de pessoas desta cidade pela literatura, principalmente por poesias, o que me deixa bem feliz. Sinal de que a luta de alguns abnegados na criação de novos espaços, não tem sido em vão. E para ajudar mais nesta luta publico aqui, hoje, o poema, MINHA DESGRAÇA do excelente poeta paulista, ALVARES DE AZEVEDO:

Minha desgraça, não, não é ser poeta,

Nem na terra de amor não ter um eco,

E meu anjo de Deus, o meu planeta...

Tratar-me como trata-se um boneco...

Não é andar de cotovelos rotos,

Ter duro como pedra o travesseiro...

Eu sei...

O mundo é um lodaçal perdido

Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro...

Minha grande desgraça, ó cândida donzela,

O que faz que o meu peito assim blasfema,

É ter para escrever todo um poema

E não ter um vintém para uma vela


José de Souza Soares