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Dos mais de 8 milhões
de m2 da região, o grupo luso-espanhol, que se intitula dono
da área (temos lá nossa contestação, pois a Doutora May dizia que
houve quebra de sucessão, portanto, no meu leigo conhecimento, acho
que não poderia ser vendida, pois são terras e águas públicas, havendo
inclusive leis federais que as protegem de venda e de leilões),
quer construir mais de 50% para turismo e residências na APA. Graças
ao movimento de vários ambientalistas, movimentos sociais, ONGs
e o Sindsprev Comunitário, a CECA impôs restrições, liberando apenas
800 mil m2 quadrados para o projeto, mas isso é apenas uma pequena
vitória de uma batalha que continua.
A argumentação usada
para a construção do citado resort, é exatamente a mesma que sempre
usam para se apossarem e titularem, de forma irregular, dos nossos
serviços públicos ou das nossas riquezas - “carência de serviços,
desordem urbanística, deteriorização da natureza, necessidade de
qualidade de vida” - argumentações absorvidas e verbalizadas, pelos
capitalistas, neoliberais, políticos e autoridades irresponsáveis,
e mesmo por parcela da população, que esquecem ou simplesmente ignoram
nossa historia, usando termos que os capitalistas usam para respaldar
a incompetência do poder público na área de controle e segurança,
por exemplo, dizer que “a restinga atualmente serve apenas para
desmanches de automóveis, degradação, roubo de plantas nativas e
favelização” ou “prefiro um resort como vizinho a uma favela ou
campo de desova e degradação como esta hoje”, demonstrando total
desconhecimento da irresponsabilidade daqueles que aterraram as
margens e as águas, para loteamentos irregulares e construção de
condomínios que poluem o complexo lacunar, da irresponsabilidade,
negligencia e incompetência dos poderes públicos nas três esferas
de governo na defesa, fiscalização, segurança e controle do seu
patrimônio (no Rio de Janeiro corpos são jogados até mesmo na zona
sul, só que dentro de carros ou esquartejados) ou ainda desconhecendo
o fato de alguns ribeirinhos (pescadores) estarem com suas
casas caindo ou em precário estado de conservação pela ação da maresia
e do tempo, pois a eles não é permitida a entrada de materiais
para manutenção e reforma de suas casas. Ou ainda alegam que “os
pescadores não correm risco, visto que, pelo que consta no projeto,
a área reservada para os pescadores já está imbuída no projeto e
neste caso serão beneficiados por instalações dignas”, demonstrando
total desconhecimento do projeto, que em seu vídeo e catalogo mostra
Zacarias totalmente isolada, correndo risco de assoreamento ainda
maior, sem condições de ter pescado para sua sobrevivência devido
às atividades que seus novos vizinhos desenvolverão na região, levando
os pescadores a se afastarem ainda mais de sua tradição ou até quem
sabe a saírem de suas terras nativas, que serão então absorvidas
para construção de novas mansões. Lembramos que mesmo nos projetos
que incluem compensação para os pescadores, as novas residências
ficam afastadas das beiras, distante, portanto do local e material
de trabalho do pescador.
Poderia até ser
hipotético (quem dera o fosse), mas na prática é o que
vem acontecendo mundialmente em várias regiões. Em todos os projetos
mundialmente conhecidos, expirados seus prazos de validade ou até
mesmo antes, vêm se apresentando claramente os danos causados e
as conseqüências dos mesmos. Podem até nem ser divulgados para não
alardearem as populações ou criarem pânico, mas é incontestável
que os “ataques” à natureza trazem resultados desastrosos para toda
a humanidade e que as reações desta mesma natureza serão, em contrapartida,
muito mais severas e cruéis para o ser humano - “esqueceram de perguntar
a ela, se ela teria condições de se adaptar ou de se recuperar dos
danos que o homem vem lhe causando”.
Todo o município
de Maricá é uma área de risco devido a um passado onde desceram
lagoas para poderem fazer loteamentos e, na qual, atualmente, com
a chegada do COMPERJ, está havendo uma corrida desenfreada na busca
de áreas para novos loteamentos criminosos. Criminosos sim, pois
toda a Maricá, abaixo da rodovia, é área sujeita a alagamentos (quem
leu o livro do Alberto Ribeiro Lamego, ou estudou a lagoa de Itaipuaçú,
nos apontamentos para o primeiro Atlas brasileiro de Alfredo Moreira
Pinto, sabe do que estamos falando). É lamentável que as pessoas
não tenham informação e continuem construindo em locais de risco,
com a anuência e conivência do poder público e dos cartórios.
No Código Civil
Brasileiro, antes de 2001, em seu artigo 539, dizia: “os donos
de terrenos que confinem com águas dormentes, como as de lagoas
e tanques, não adquirem o solo descoberto pela retração delas, nem
perdem o que ela invadirem”. Numa outra explicação: ninguém poderia
ter essa propriedade, pois se tratava de terreno de Marinha ou,
ainda, com outra interpretação, tratava-se de terras situadas sobre
águas públicas, que outrora eram correntes, canais, lagos
ou lagoas... (Código das Águas), ou onde havia água ate 1831,
dito na lei das terras de 1854, que continuou em vigor na 1ª Constituição
da Republica, de 1891, passando pelas ditaduras e continuando na
Constituição Federal, de 1988. Em suma desceram as lagunas para
poder adquirir patrimônio e assim, lesaram a União, transformando-se
em useiros e vezeiros do direito de todo o povo brasileiro, em especial
o maricaense. Como o fato gerador dos crimes foi anterior ao desaparecimento
do Art 539 da Lei, a Justiça poderá retroagir e punir os responsáveis
e seus herdeiros pela omissão e negligencia.
Sabemos que a maior
parte dos condomínios e loteamentos de Marica foram realizados após
a Lei que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e da outras
providencias, Lei nº 6766/79, que em seu artigo 3º, Parágrafo
Único diz: Não será permitido o parcelamento do solo:
I - em terrenos
alagadiços e sujeitos a inundações, antes de tomadas às providências
para assegurar o escoamento das águas;
Il - em terrenos que tenham sido aterrados
com material nocivo à saúde pública, sem que sejam previamente saneados;
III - em terrenos com declividade igual
ou superior a 30% (trinta por cento), salvo se atendidas exigências
específicas das autoridades competentes;
IV - em terrenos onde as condições geológicas
não aconselham a edificação;
V - em áreas de preservação ecológica
ou naquelas onde a poluição impeça condições sanitárias suportáveis,
até a sua correção.
Mas ao “capital”
pouco importa o que aconteça à vida e ao patrimônio das pessoas
ou às nossas gerações futuras. No meu leigo conhecimento, observo
que corremos risco de erosão costeira no município de Maricá e que
a única área com baixo risco é a restinga, incluindo Zacarias, justamente
porque não é desmatada e se encontra sem edificações.
A estupidez das
nossas autoridades, ao defenderem o resort e outros projetos
capitalistas e suas conseqüências diretas ou indiretas sobre
a cadeia alimentar, pode, inclusive, levar o Brasil a perder o direito
de explorar a nossa plataforma oceânica, pois uma das regras da
Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNDUM) é que
o signatário não pode ser responsável pela quebra da cadeia alimentar.
Lembramos que quando
citamos Marica, estende-se também a Itaipuaçú, pois os crimes se
estenderam por todo Município, visto que SESMARIA também se incluía
em Itaipuaçú (em 1590, foi dada a SESMARIA, em Itaipuaçú a Duarte
Martins Moirão).
Muito mais teremos
para conversar e até mesmo a aprender, pois como não sou da
área e nem mesmo ambientalista, cada dia para nós é um aprendizado.
Agora, tenham certeza
que o Sindsprev Comunitário, atuando em Maricá, estará ao
lado de todos que lutam contra a degradação da natureza, contra
as injustiças sociais, contra a discriminação e violência aos povos
tradicionais, contra a violência à mulher e aos menos favorecidos,
contra a retirada de direitos da classe trabalhadora, contra a precarização
do trabalho, contra a privatização do serviço público, contra a
corrupção e contra aqueles políticos partidários que usam a classe
trabalhadora e o povo apenas para se elegerem.
Devido aos ataques
que sofremos várias vezes fazemos questão de escrever ‘políticos
partidários’, homens que defendem e se submetem a programas do partido
mesmo quando este foge às suas ideologias e às suas origens. Afinal,
todos nós, sem exceções, fazemos política, desde a hora em que acordamos
até a hora em que deitamos. Há os que dizem “não gosto de discutir
política”. Mas o que fazem quando tem que administrar suas despesas
com baixos salários, ou quando cobram luz, saneamento, asfaltamento
e calçamento, saúde e educação públicas, ou quando reclamam da inflação,
da carestia dos alimentos, dos juros altos, da violência, da fome,
da miséria, da falta de emprego, etc? Tudo isso é política.
S.O.S
MARICA! JUSTIÇA!
OBS: Hoje, 02 de
agosto de 2007, constatamos que os moirões de concreto e arames
com cercas continuam avançando nas áreas da restinga, beirando
as areias do mar, desde a Ponta do Francês, em Itaipuaçú em
direção a Barra de Marica, e em Zacarias paralelos a rodovia
litorânea - RJ 102, contrariando artigo da Lei que dispõe sobre
o parcelamento do solo urbano e da outras providências.
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