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Caro (a),
A OEI e diversas
outras entidades e personalidades do mundo do livro e da leitura
no Brasil estão articulando a elaboração do Manifesto do Povo do
Livro, um documento que será entregue, a partir da semana que vem,
aos 4 principais candidatos a Presidente da República nas eleições
de 2006. É um esforço coletivo daqueles que militam nesta causa
para que o tema Livro e Leitura se torne uma política de Estado
- acima dos governos e das pessoas.
O texto é um apelo
para que aqueles que governarão o Brasil a partir de 2007 dêem ao
Livro e à Leitura o tratamento de prioridade nacional e estratégica
para o desenvolvimento social e econômico do país. Apresenta aquilo
que foi consenso nas discussões no Ano Ibero-americano da Leitura,
comemorado em 2005, e evoca a biblioteca pública como um serviço
público e dever do Estado, tal como a saúde e a educação.
Será muito importante
para a sociedade brasileira se você, além de assiná-lo, puder nos
ajudar a levar essa empreitada adiante - retransmitindo para seus
amigos e para todos aqueles que tem a comprensão do papel da leitura
na construção de uma nação mais justa, desenvolvida e solidária.
Para ler e subscrever
o Manifesto do Povo do Livro, clique aqui ou acesse o site http://www.oei.org.br/manifesto.htm.
Abraços,
MANIFESTO DO POVO
DO LIVRO
O acesso ao livro
e a outras formas de leitura – como jornais, revistas e Internet
– deve ser assegurado a toda a nação brasileira. Independentemente
de credo, raça, faixa etária, necessidade especial, escolaridade
ou condição econômica, todo brasileiro, como ser humano que é, deve
ter garantido seu direito inalienável à leitura – como meio de transmissão
do conhecimento, entretenimento, de desenvolvimento pessoal e profissional
e, portanto, de cidadania.
Em um país como o
Brasil – onde apenas um entre cada quatro habitantes está habilitado
para a prática da leitura; onde nossas crianças ocupam os últimos
lugares nos estudos internacionais sobre compreensão leitora; onde
o índice nacional de leitura é de menos de 2 livros lidos por habitante/ano;
e onde a maior parte dos milhões de alfabetizados nas últimas décadas
tornou-se analfabeta funcional – a leitura precisa e deve ser tratada
como uma prioridade nacional.
A Educação e a Cultura
são áreas estratégicas dentro do projeto do desenvolvimento nacional
e da cidadania. A escrita e a leitura constituem não só o mais forte
amálgama entre elas como o caminho indispensável para a formação
do cidadão crítico, emancipado, inserido em seu meio e capaz de
modificá-lo. Embora não seja a via única de acesso ao conhecimento
e à informação – o que compartilha com outras linguagens, como a
visual e a eletrônica –, o livro continua a ser a maior invenção
do último milênio e a ocupar um papel central na sociedade.
A leitura gera condições
para decodificar, interpretar, compreender e se fazer entendido,
criando, assim, as condições necessárias para o ser humano se comunicar
com os seus iguais. De tal forma que, ao promover o seu desenvolvimento
em todos os aspectos, o ato de ler o credencia a buscar maior participação
social e política e a exercer sua cidadania em plenitude.
As conquistas e os
avanços obtidos nos últimos anos nas esferas federal, estadual e
municipal necessitam ser preservados, mas não só. Precisam ser ampliadas
e ganhar a dimensão que o tema merece. Programas e projetos de acesso
ao livro e às outras formas de leitura, de formação de agentes multiplicadores
(como os educadores, os bibliotecários e os voluntários), de valorização
do ato de ler no imaginário coletivo, e, ainda, de fortalecimento
da economia do livro devem ser convertidos em política de estado
– acima dos governos e das pessoas.
Tornar a questão
do livro e da leitura uma política pública significa aprofundar
o vínculo das ações de Educação e Cultura e, sobretudo, dotar a
área de uma estrutura administrativa e orçamentos capazes de atender
às grandes demandas existentes. Os esforços feitos até agora pelos
diferentes governos merecem o devido respeito, porém ainda são insuficientes
para o Brasil começar a saldar essa dívida social com o cidadão
e a cidadania, com o livro e a leitura.
O Estado deve garantir
as condições necessárias de acesso ao livro gratuito aos seus cidadãos.
A biblioteca é um serviço público e dever do Estado, tal como a
saúde e a educação. Para tanto, o Estado deve cumprir, de forma
cabal, a Política Nacional do Livro e dar, a partir de 2007, prioridade
total à revitalização da biblioteca pública. É ela o meio mais eficiente
de proporcionar educação continuada à população e, dessa forma,
ser instrumento de democracia e de política social.
É, pois, fundamental
e urgente que todos os municípios brasileiros tenham pelo menos
uma biblioteca e que a rede existente – municipal, estadual, federal,
escolar, universitária e comunitária – seja fortalecida e reequipada
para atender ao cidadão brasileiro dentro dos padrões mínimos internacionais:
com bons e diversificados acervos de livros e outros materiais;
pessoal qualificado e estimulado; e recursos permanentes para manutenção,
atualização, formação e fomento. A Lei do Livro, a Câmara Setorial
e o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) devem ser aprofundados
e ganhar maior efetividade, materializados em projetos, programas
e investimentos, em todos os rincões do país, sobretudo nas áreas
menos favorecidas.
Às vésperas de se
comemorar os 200 anos da impressão do primeiro livro no país – que
ocorreu em 1.807, após a chegada da família real portuguesa – faz-se
urgente e indispensável tornar o Brasil uma nação verdadeiramente
de cidadãos leitores. A prática social da leitura é, afinal, o caminho
para onde apontava a legião de brasileiros notáveis – integrada
por escritores como Monteiro Lobato e tantos outros – como a estratégia
de enfrentamento do drama da fome, da pobreza, da ignorância e da
violência urbana para colocar o Brasil , aí sim, no rumo do desenvolvimento,
da justiça social e da solidariedade.
Brasil, Setembro
de 2006
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