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Estimados amigos
e amigas, bom dia;
aqui seguem algumas fotos sobre o "cercamento" que
está sofrendo o povoado de Zacarias, na restinga de Maricá/RJ.
Acabo de tomar conhecimento de que se trata de ação de particular:
ação de um empresário capitalista espanhol (?!) residente
na Bahia que alega ter comprado as terras que ora estão sob
a proteção (!?!) de uma APA criada nos inicios dos anos 80.
A FEEMA foi vistoriar a área recentemente e não constatou
nada "do ponto de vista estritamente ambiental"
de irregular na região.Entretanto, resolveu vistoriar assim
mesmo a referida área depois de ter recebido uma série de
denúncias dos pescadores do lugar, os quais se acham juntamente
com suas familias CERCEADOS EM SUA LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO
no quotidiano (ou seja, no direito de ir e vir livremente),
pois estão submetidos a constrangimentos advindos da "policia
privada" que está trabalhando na área a serviço do referido
"capitalista espanhol"(?!). Há
barreiras, cancelas, guaritas, guarda motorizada e outros
dispositivos asfixiando o povoado. O "empresário"
mandou afixar tabuletas por toda a área, arrogando para si
a nobre tarefa da presevação ambiental da área (me engana
que eu gosto!). A situação, meus amigos e amigas, está cada
vez mais grave; e depois de tantos anos encontram-se os descendentes
de Juca Tomás novamente ameaçados de serem expulsos sem mais
do lugar no qual têm seus "umbigos enterrados",
tal como os têm seus tataravós, bisavós, avós e pais (basta
verificar as genealogias que constam do livro "Gente
das Areias: história, meio ambiente e sociedade no litoral
brasileiro. Maricá-RJ. 1975-1995, EdUFF, 2004, Niterói/RJ,
419 pp.). A cadeia sucessória (inventada)nas glebas da antiga
"Fazenda de São Bento da Lagoa" ao longo desses
anos e vasada na tradição cartorária-escriturária tão nossa
conhecida, sempre foi tortuosa e tumultuada, até chegar ao
rico capitalista e empresário português Lucio Thomé Feteira,
o principal da COVIBRA-Companhia Vidreira do Brasil (São Gonçalo-
RJ), a maior produtora de vidro plano da A.L.; o amigo de
Walt Disney, reza a lenda; o "compadre" de Getúlio
Vargas e de Amaral Peixoto; o cliente e patrão de Lucio Costa
e de sua filha, Elisa Costa, os quais, como arquitetos e pagos
por L.Th. Feteira, idealizaram e projetaram o em tudo absurdo
(já para a época) mega projeto da "Cidade de São Bento
da Lagoa", uma cidade para 90 mil habitantes, em plena
restinga, no momento em que todo o município de Maricá de
então contava com somente 27 mil habitantes! É com Lucio Thomé
Feteira que os Marins (o patronímico dominante na Zacarias),
os descendentes de Juca Tomás da restinga de Maricá, vão conhecer
a cobiça de seu talvez mais violento e insidioso adversário.
Na "luta do tostão contra o milhão", no "cêrco"
a "aldeia dos irredutiveis", "Zacarias"
seria sitiada e fustigada por longos e dolorosos anos pelo
fantasma da "Cidade de São Bento da Lagoa". Entretanto,
os Marins da restinga jamais capitularam, resistindo ao "cêrco"
e continuando afeiçoados ao pequeno povoado como "lugar
bom de conviver", como lugar próprio, portanto. Depois
de anos de trégua, surge no horizonte novamente a ameaça da
expulsão. E dessa vez um outro empresário capitalista também
ele está a frente dos negócios": "um empresário
capitalista espanhol (?!?) residente na Bahia e que diz ser
o legitimo novo propietário da área"; ou seja, das restingas,
dos cômoros da lagoa e do mar, das praias e por conseguinte
de tudo que estaria dentro da APA, da faixa de proteção ambiental
que margeia o Lago Grande de Maricá! Dizem as noticias que
nessa horas correm de boca em boca que o Deputado Carlos Minc
já está a par e recebeu em seu gabinete inconformada e revoltada
delegação de pescadores (cerca de 20 pessoas)de Maricá. Fala-se
em "ação civil pública"; apelou-se para o Batalhão
Florestal, mas de nada parece ter adiantado; programa-se manifestação
publica na cidade, em frente a Prefeitura; e também "audiência
pública" na Câmara Municipal(pois, ao que tudo indica,
o Prefeito está conivente e legitimando, digamos assim, as
arbitrárias e esdrúxulas ações do misterioso empresário capitalista
"espanhol" !?!). Enfim, minha gente, "a coisa
tanto aperta pela terra como aperta pelo mar", como diziam
no passado recente os moradores de Zacarias a propósito tanto
das consequências desastrosas para eles trazidas pela ameaça
da "cidade de são bento" quanto de suas derivações
no que diz respeito a impossibilidade das "aberturas
de barra" sazonais; "aberturas de barra" no
cordão litorâneo, exatamente no lido do sistema-Maricá, em
Barra de Maricá que garantiam a vitalidade e a altíssima produtividade
hectare/ano de suas águas, como demonstrou, no final dos anos
40, inicio dos anos 50, Dr.Lejeune de Oliveira (FIOCRUZ).
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