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Sem qualquer referência
ao encantado projeto Maricá-Veneza, um factóide gerador de fundos
a perder de vista para o governo, ou projetos de tratamento do complexo
lagunar municipal, o PDM garganteia mais uma novidade: comunicação
via lagoa de diversos pontos até o Centro. Se não há plano de revitalizar
as lagoas, como se fará uma comunicação dessas que deve ser através
do rio Mumbuca, um depositário de detritos e coberto por jigogas?
Que navegação será essa através de um rio hoje mais para canal de
esgoto?
Outra novidade em relação
à lagoa de Maricá será o tal tratamento paisagístico que vai favorecer
apenas condomínios que hoje já se apropriaram da faixa marginal
da lagoa, por sinal, pública. Apesar de há três anos um geólogo
ligado ao próprio prefeito, que visitou o local, defender o projeto
de recuperação da área marginal da lagoa da Mumbuca ao Parque Nancy,
nenhuma referência se faz à área no PDM. Por sinal, Mumbuca, Itapeba
(subdistrito) e Parque Nancy devem ser de outro município, uma vez
que não há qualquer obra para a região com uma enorme faixa de aproveitamento
para parque à margem da lagoa.
Sem o devido tratamento
do esgoto, lançado in natura na lagoa, nesses bairros, a área torna-se,
com a aprovação da Prefeitura, um lago de esgoto e foco de mosquitos,
que vai atingir toda a cidade e aumentar ainda mais a poluição do
complexo lagunar. Na área daqueles bairros, os pequenos rios, hoje
quase valas de esgoto a céu aberto, e as servidões públicas despejam
diariamente toneladas de esgotos diretamente na lagoa. Nem o pedido
feito há anos para uma estação de tratamento foi ao menos considerado,
mas a própria Prefeitura incentivou o manilhamento em Itapeba à
cata de votos na reeleição. A tal “parceria” com os moradores é
um expediente muito usado no município que só vem trazendo prejuízos
ambientais, pois não há no final do recolhimento de esgoto qualquer
unidade de tratamento, apesar de existirem hoje sistemas bem mais
baratos. Por sinal, no local, existem duas enormes servidões “desaguando”
em ampla área marginal da lagoa.
Com os olhos fechados,
para a área, a Prefeitura também deixa não só o aumento da poluição
lacustre, mas ainda o aterramento das margens que está ocorrendo
rapidamente. No último ano, em alguns pontos, mais de 15 metros
de margens já foram aterrados. A embocadura do rio Cunha, que atravessa
o Parque Nancy, se estreita cada vez mais com o lançamento de pedras,
entulhos e aterro, que são disfarçados por plantação de arvoretas
sem que nenhum órgão público se manifeste. Área pública é “administrada”
por moradores que aterram e logo arborizam com qualquer espécie
da flora para mostrar uma “antiguidade” de tal maneira que em muito
breve não haverá como se transitar nas áreas, que, portanto, se
tornarão particulares. O local já vem servindo mesmo até para pasto
de gado com uma grande área, depois da pinguela sobre o rio Cunha,
cercada para atender aos “criadores” de beira lagoa.
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