27/10/2006
Jornal Leitores & Livros
Ed. Luiz Gadelha
PDM privilegia uns e outros numa lagoa empodrecida

O Plano Diretor de Maricá, recém-lançado e com 90 dias para ser aprovado,  é um primor de palavras ao vento e castelos de nuvens para adoçar os olhos de quem se satisfaz com promessas eivadas de erros de português. Quem se dispuser à leitura do documento, verá que os governos dispõem à vontade com a maior cara de pau dos impostos, cuspindo assim na cara do contribuinte. Sem contar que muitas das “promessas” já estão contidas na esquecida Lei Orgânica do Município, que praticamente é lei morta e enterrada.

Aterro

Sem qualquer referência ao encantado projeto Maricá-Veneza, um factóide gerador de fundos a perder de vista para o governo, ou projetos de tratamento do complexo lagunar municipal, o PDM garganteia mais uma novidade: comunicação via lagoa de diversos pontos até o Centro. Se não há plano de revitalizar as lagoas, como se fará uma comunicação dessas que deve ser através do rio Mumbuca, um depositário de detritos e coberto por jigogas? Que navegação será essa através de um rio hoje mais para canal de esgoto?

Outra novidade em relação à lagoa de Maricá será o tal tratamento paisagístico que vai favorecer apenas condomínios que hoje já se apropriaram da faixa marginal da lagoa, por sinal, pública. Apesar de há três anos um geólogo ligado ao próprio prefeito, que visitou o local, defender o projeto de recuperação da área marginal da lagoa da Mumbuca ao Parque Nancy, nenhuma referência se faz à área no PDM. Por sinal, Mumbuca, Itapeba (subdistrito) e Parque Nancy devem ser de outro município, uma vez que não há qualquer obra para a região com uma enorme faixa de aproveitamento para parque à margem da lagoa.

Sem o devido tratamento do esgoto, lançado in natura na lagoa, nesses bairros, a área torna-se, com a aprovação da Prefeitura, um lago de esgoto e foco de mosquitos, que vai atingir toda a cidade e aumentar ainda mais a poluição do complexo lagunar.  Na área daqueles bairros, os pequenos rios, hoje quase valas de esgoto a céu aberto, e as servidões públicas despejam diariamente toneladas de esgotos diretamente na lagoa. Nem o pedido feito há anos para uma estação de tratamento foi ao menos considerado, mas a própria Prefeitura incentivou o manilhamento em Itapeba à cata de votos na reeleição. A tal “parceria” com os moradores é um expediente muito usado no município que só vem trazendo prejuízos ambientais, pois não há no final do recolhimento de esgoto qualquer unidade de tratamento, apesar de existirem hoje sistemas bem mais baratos. Por sinal, no local, existem duas enormes servidões “desaguando” em ampla área marginal da lagoa.

Com os olhos fechados, para a área, a Prefeitura também deixa não só o aumento da poluição lacustre, mas ainda o aterramento das margens que está ocorrendo rapidamente. No último ano, em alguns pontos, mais de 15 metros de margens já foram aterrados. A embocadura do rio Cunha, que atravessa o Parque Nancy, se estreita cada vez mais com o lançamento de pedras, entulhos e aterro, que são disfarçados por plantação de arvoretas sem que nenhum órgão público se manifeste. Área pública é “administrada” por moradores que aterram e logo arborizam com qualquer espécie da flora para mostrar uma “antiguidade” de tal maneira que em muito breve não haverá como se transitar nas áreas, que, portanto, se tornarão particulares. O local já vem servindo mesmo até para pasto de gado com uma grande área, depois da pinguela sobre o rio Cunha, cercada para atender aos “criadores” de beira lagoa.

Poluição