Carta do Primeiro Ministro de Israel :
Senhores Dirigentes do Mundo, Matéria de Ben Caspit jornalista
Israeli, um dos mais conhecidos aqui.
Traduzido por Miriam Niremberg, brasileira gaúcha que
mora em Israel 35 anos.
"Senhores dirigentes do mundo,
Eu, o Primeiro Ministro de Israel, dirijo-me à vocês
de Jerusalém, frente às imagens cruéis de Kana. Todo coração
humano entristece com estas imagens. Não existem palavras
que possam confortar nesta tragédia. Ainda assim, olhando
à vocês diretamente, digo com voz firme: o estado de Israel
continuará com a operação militar no Líbano.
O Exército de Defesa de Israel (IDF) continuará atacando
alvos de onde são atiradas katiushas à hospitais, lares
de idosos, jardins de infância em Israel. Instruí o sistema
de segurança e o exército "caçar" depósitos
de katiushas e locais de lançamento destas, de onde estes
selvagens estão bombardeando Israel.
Não hesitamos, não nos desculpamos e não paramos. Se
continuar o lançamento de katiushas de Kana à Israel continuaremos
à bombardear Kana. Hoje, amanhã e depois. Aqui, lá e em
todo lugar. As crianças de Kana poderiam estar dormindo
agora em suas casas, sem distúrbios, se os mensageiros
do diabo não tivessem se apoderado de sua terra e transformado
suas vidas em inferno.
Senhores, chegou a hora de entenderem: o estado judeu
não será mais espezinhado. Não possibilitaremos mais à
ninguém aproveitar de centros de população para bombardear
nossos cidadãos. Ninguém mais poderá esconder-se atrás
de mulheres e crianças para matar nossas mulheres e crianças.
Esta imoralidade acabou. Vocês podem nos condenar, nos
boicotar. Vocês estão convidados à não vir nos visitar
e, se necessário, pararemos de visitar seus países.
Eu sou hoje o porta voz de 6 milhões de cidadãos israelenses
bombardeados, que são porta voz de 6 milhões de judeus
exterminados, que foram transformados em cinzas e pó por
selvagens na Europa. Nos dois casos, os responsáveis por
estes atos criminosos foram barbarescos não humanos, que
tinham uma simples meta: apagar a raça judia da face da
terra, como disse Hitler, ou apagar o estado de Israel
do mapa, como diz Ahmadinejad.
E vocês, da mesma maneira que não levaram à sério as
coisas então, assim vocês às ignoram agora. Isto, meus
senhores dirigentes do mundo, não acontecerá. Nunca mais.
Nunca mais aguardaremos pelos bombardeios atrasados nas
câmaras de gás. Nunca mais aguardaremos por uma salvação
que não virá. Temos hoje uma aviação nossa. O povo de
Israel pode hoje se defender de quem quer destruí-lo.
Estes não poderão mais se esconder por trás de mulheres
e crianças.
Todo lugar de onde forem atiradas katiushas à Israel
será alvo legítimo aos nossos ataques. Isto tem que ser
dito uma vez, publicamente. Vocês podem nos julgar, nos
expulsar, boicotar, difamar. Nos matar? Isto não!
Há quatro meses fui eleito para Primeiro Ministro de
Israel com base em meu plano de desocupar, unilateralmente,
90% de territórios, santos para o povo judeu, ocupados.
Terminar com a maior parte do colonialismo e possibilitar
aos palestinos um início calmo, até conseguirmos um acordo
final entre os povos.
O primeiro ministro anterior, Ariel Sharon, abandonou
toda a Faixa de Gaza , até a fronteira internacional,
dando aos palestinos uma oportunidade de criar à eles
uma nova realidade. O primeiro ministro anterior à ele,
Ehud Barak, terminou com a presença contínua no Líbano
e recuou o exército de Israel à fronteira internacional,
possibilitando a prosperidade da terra dos cedros - progredir,
estabilizar a democracia e a economia.
O que recebeu Israel em recompensa à tudo isto? Tivemos
algum instante de calma? Nossa mão estendida para a paz
foi retribuída? A iniciativa de Paz de Ehud Barak em Camp
David trouxe à Israel uma onda de suicidas que matou mais
de 1.000 cidadãos, mulheres e crianças. Não lembro de
vocês tão agitados naqueles dias. Será porque não possibilitamos
close-ups na TV de órgãos rasgados dos jovens e bebês?
O que fazer? Aqui é assim. Não balançamos corpos ante
às câmeras de TV. Nosso luto é silencioso.
Também não dançamos nos telhados vendo os corpos de nossos
inimigos. Expressamos uma dor verdadeira e arrependimento.
Estas são formas de conduta de nosso inimigo. Hoje eles
lutam contra nos, amanhã lutarão contra vocês. Vocês já
conhecem o gosto assassino deste terror. Já provaram e
ainda irão provar.
A retirada de Ariel Sharon de Gaza trouxe à Israel uma
chuva de mísseis às cidades tranqüilas do sul, ataques
e rapto de um soldado. Desta vez também não lembro de
vocês reagindo tão assustados. A retirada de Israel do
Líbano traz, já 6 anos, provocações e crimes de um emissário
iraniano perigoso, que tomou conta de um país inteiro,
em nome do fanatismo religioso e tenta levar Israel como
refém, em seu caminho à Jerusalém e de lá, à Paria e Londres.
Uma infra-estrutura enorme de terror foi construída na
nossa fronteira, ameaçando nossos cidadãos, fortificando-se
frente aos nossos olhos, esperando pelo momento em que
o país dos Aiatollas torne-se uma potencia nuclear para
fazer Israel ajoelhar-se. Não enganem-se: não nos ajoelharemos
sozinhos. Vocês, dirigentes do mundo livre, esclarecido,
se ajoelharão junto conosco.
Então eu hoje, aqui e agora, ponho um fim nesta marcha
de hipocrisia. Não lembro de uma onda de reações como
esta frente à 100 cidadãos iraquianos assassinados diariamente
no Iraque. Sunitas assassinando xiitas, que assassinam
sunitas, e todos matando americanos. E o mundo calado.
Tenho dificuldade em lembrar uma reação parecida quando
os russos apagaram vilas inteiras, queimaram cidades,
para oprimir a revolta Chechenia, e quando a NATO bombardeou,
durante 3 meses, Kossovo e matando civis. Vocês ficaram
calados. O que temos, só nos os judeus, os poucos, perseguidos,
que estimula todas as glândulas cósmicas da justiça? O
que temos nós que não têm todos os outros?
Em voz alta e clara, com o olhar direto à vocês, paro
hoje em sua frente, publicamente, e não para pedir desculpas.
Não me retiro. Não choro. Esta luta é pela nossa liberdade.
Por nossa imagem. Por nosso direito de ter uma vida normal
em nossa fronteira reconhecida, legítima. Esta é também
a luta de vocês. Eu rezo e acredito que entendam isto
agora. Ao contrário, vocês poderão se arrepender depois.
Quando já for tarde."
Alberto Nigri
Ger. Comercial
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