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Um
Lugar chamado “Sonho Meu”
3ª
Colocada
(Maria Terezinha dos Santos Silva)
Eu tinha um sonho antigo, que guardava só comigo
Era apenas “Sonho meu”
Assim como no amor e na dor
O sonho é de quem tem, de mais ninguém
Botei meu carro na estrada, e saí a procurar
Um pedacinho de Chão
Que tocasse meu coração.
Era simples o meu sonho
Sair da cidade grande
Voltar às minhas raízes
De mulher do interior
Sentir cheiro de mato, cheirar perfume de flor.
Depois de muitas andanças, encontrei o meu lugar
Nome de planta singela, planta do antigo “Arraia”
Arraia que virou vila bela, “Vila de Santa Maria”
MARIA DE MARICÁ !
A “entrega” do meu sonho foi melhor que a encomenda
Comprei um terreninho, fui morar numa Fazenda
Eu queria sujar minhas mãos de terra
Ter um canteiro de ervas, para fazer o meu chá
Plantar algumas roseiras, duas jabuticabeiras
Parreira de maracujá e um pé de manacá
Recebi um imenso vale, com pomares e jardins
Eu queria um morro limpo, sem barraco de favela
Todo vestido de verde, salpicado de flor amarela
Ganhei uma cadeia de montanhas, picos e serras
Cobertas de Mata Atlântica
Eu queria um pequeno riacho, recebi rios e lagoas
Cachoeiras e cascatas
Eu queria uma praia de areia branca, sem poluição
Deus me deu um oceano
Eu queria ver o sol por inteiro, em “céu de brigadeiro”
Despontando radiante, por trás de um verde monte
Em todo seu esplendor
Invadindo minha janela, sendo o meu despertador
Não como lá, em pedaços esparsos, como colcha de retalhos
Deus me deu todos os sóis, e os mais belos arrebóis
Eu queria uma lua cheia
Surgindo majestosa, por trás da verde mata
Derramando sua prata sobre a grama do quintal
Desfilando sua beleza por entre as estrelas do céu
Não como lá, brincando de pique esconde
Entre sombrios arranha céus, em noite de céu cinzento
Deus me deu o firmamento!
Porém o tempo passa ...
O sonho acaba, realidade dói !
O que Deus constrói, o homem destrói
As Belezas de Maricá
Não eram apenas belezas
Obras Primas da Mãe Natureza
Esculpidas pelo Criador
Mas, a mão que traz o progresso
É a mão do predador !
Maricá, Maricá,
Tuas Belezas já não são as mesmas ...
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